ALICE JORGE E JÚLIO POMAR

Em Julho fui contactada pelo Departamento de Património Cultural e Divisão da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa para orçamentar uma intervenção de conservação preventiva num dos painéis – maravilhosos, todos! – da Av. Infante Santo, em Lisboa. Neste caso, tratava-se do painel modernista da autoria de Alice Jorge e Júlio Pomar; em lastimável estado de conservação, com várias lacunas que perfazem já cerca de 600 azulejos (que muito provavelmente se perderam) e outros quantos em risco de destacamento. A proposta visava o registo gráfico pormenorizado do estado de conservação do painel, o seu levantamento integral e posterior tratamento preventivo – consolidações e limpeza. Os azulejos seriam então guardados enquanto não se encontrassem os desenhos dos motivos em falta, as tais 600 lacunas.

Meti-me imediatamente em campo – o trabalho interessava-me, por todos os motivos: contactei quatro ou cinco empresas de andaimes; fui ver e fotografar o painel duas vezes e depois de perspectivar várias abordagens à intervenção e respectivos custos, entreguei o orçamento pedido. Mais tarde, foi-me comunicado que muito provavelmente, à minha proposta inicial, teria de acrescentar também a fase do restauro e assentamento integral do painel – os desenhos tinham aparecido e já se podiam fazer as réplicas. Que eu aguardasse, que no fim de Agosto receberia um novo pedido para execução de novo orçamento.

Como já vamos em meados de Setembro e ainda não me chegou nenhum pedido às mãos, entrei ontem em contacto com o Técnico responsável por este assunto, o qual me respondeu que «infelizmente as notícias não são as que todos nós gostaríamos; as finanças municipais retiraram a verba prevista para a intervenção, a qual será utilizada noutras necessidades.» Mas que talvez para o próximo ano… E pronto; assim está o estado do nosso património. Talvez para o próximo ano a lacuna existente seja já de 900 azulejos e o melhor seja mesmo acabar de vez com aquele painel e alcatroar a parede inteira – que para estradas há sempre dinheiro.

4º DIA DE TRABALHO

4º dia de trabalho na Estufa Fria.

Foram feitas as consolidações e as fixações dos vidrados em destacamento e as juntas estão todas rectificadas. O registo gráfico também já está feito – os tijolos apresentam zonas em muito mau estado de conservação, principalmente aquelas que se encontram mais expostas a oscilações térmicas; existem muitas falhas de vidrado e algumas lacunas volumétricas, com alguma profundidade, que já estão a ser preenchidas. A intervenção está a correr bem – excepto quando falta a água, o que tem acontecido – mas a este ritmo e com alguma calma vamos conseguir acabá-la antes do prazo previsto.

PAINEL TOPONÍMICO

Fui contactada para fazer o restauro deste pequeno painel toponímico em azulejos, pertencente a uma casa particular em Cascais. É lindo! Foi-me entregue neste estado de conservação; nem está assim tão mau, tendo em conta que não faço ideia de quem é que o terá levantado e uma vez que as argamassas dos tardozes são de média dureza – muito provavelmente já se encontrava em destacamento da parede. Para além de três ou quatro azulejos fracturados, uma pequena lacuna, meia dúzia de falhas de vidrado e algumas fissuras para consolidar, o painel não apresenta mais patologias. Nada que não se vá fazendo em paralelo com as experiências de cor para o nº 11 de Sta. Catarina  e o relatório da intervenção no Museu Militar.

LACUNAS

   

Finalmente parece-me que estão pintadas todas as réplicas dos azulejos para o 88. Digo parece-me, porque lá no prédio a azáfama continua e cada vez aparecem mais coisas à frente dos painéis – janelas, cozinhas, tábuas de soalho – e não consigo ter e certeza se tirei todos os desenhos de todos os pisos; não me admirava nada se no fim ainda ficassem duas ou três para se fazerem. Tive de pedir ajuda a umas colegas para me pintarem cerca de metade do que faltava – as dos azulejos das tomadas, os quais se optou por serem substituídos por réplicas para não se cortarem os originais – deixando para mim a tarefa de pintar os das lacunas; o que deu algum trabalho, uma vez que os azulejos envolventes se encontram na parede e tive de tirar os desenhos por outros com motivos semelhantes e estar aqui na oficina a pintar através de fotografia, tendo atenção para que as linhas de contorno e manchas de cor batessem certo com as dos originais. Agora é ir lá entregar tudo e verificar se há alguma coisa para repetir, o que espero que não…

ANO NOVO?

Estou quase, quase a terminar as réplicas para a In Situ. Deixei as mais complicadas para o fim e a coisa não está fácil. Estou a tentar orientar-me por estes azulejos originais, totalmente fragmentados e com grandes lacunas, mas ando aqui um bocado às voltas sem saber bem o que fazer; tento seguir as linhas que muitas vezes não vão dar a lado nenhum e acabo por pintar alguma coisa que pareça fazer sentido, mas pouco convencida. A minha esperança é que isto, depois, integrado no conjunto…