PALETA DE CORES

Acabei hoje a intervenção que fiz no Passo do Terreirinho; essencialmente, execução de cerca de 120 réplicas de azulejos do séc. XVIII, pintados a manganês e branco, para colmatarem as lacunas dos que foram roubados ou vandalizados e acompanhamento do seu assentamento na parede.

Aproveitando a deixa e já que por ali estava, não resisti a fazer a integração cromática de alguns preenchimentos de uma ou outra falha de vidrado, de maior dimensão, que o ladrilhador tapou quando betumou as juntas e que de repente saltavam muito à vista – preciosismos de quem trabalha nesta área do restauro, mas assim a capela fica mais bonita para receber a procissão que vai lá passar já no próximo domingo.

 

QUINTA DE S. VICENTE

Na segunda-feira fui contactada por uma colega de pintura mural para ir ver um trabalho em Telheiras. Trata-se de uma capela particular, na antiga Quinta de S. Vicente, revestida a silhares de azulejos com albarradas e palmitos em azul e branco sobre rodapé duplo a manganês. Os estuques estão em muito mau estado de conservação e os azulejos foram completamente vandalizados, faltando «só» cerca de 270, uma vez que os outros estão bem aderentes à parede, sendo por isso mais difíceis de roubar. A ideia é fazermos um orçamento em conjunto, azulejo e pintura mural, para conservação e restauro de toda a capela. Pela minha parte, o grosso do trabalho será a manufactura de réplicas para colmatarem as lacunas, o qual, com o resto da intervenção, demorará cerca de dois meses e meio a fazer-se. Se o orçamento for aceite, imagino que o trabalho seja para breve. O que me dava um jeitaço!…

MANGANÊS

Ando às voltas com estas réplicas de azulejos marmoreados a manganês! Já há muito tempo que cheguei à conclusão que esta é das cores mais chatas de se fazerem: por mais escura que pareça em crú, acaba sempre por aclarar imenso e sair cor-de-rosa! E ainda por cima, a mesma tinta, exactamente a mesma!, varia de fornada para fornada, mesmo que estas sejam iguaizinhas… Provavelmente o defeito será meu, que ainda não atinei com isto. Bom, vou repetir estes azulejos pela segunda vez, os primeiros saíram muito claros do forno e agora optei por juntar  um pouco de óxido de manganês à tinta de alto fogo, vamos ver no que dá. Ufa!… Não ganho só para chacotas…