Hoje, quando fui ali abaixo fazer uma chave, passei pela Sociedade Musical 3 de Agosto de 1885, um lugar muito giro, apesar de bastante adulterado. Tem um pequeno campo de jogos no seu interior, rodeado de pequenas casas com roupa estendida à porta; faz lembrar uma aldeia. Ainda gostaria de saber mais sobre o que é que lá se passa, tem ar que anima de vez em quando, talvez aos fins-de-semana, ou nos santos populares… Uma vez alguém me disse que Marvila era a pérola escondida de Lisboa e sinceramente, espero que tão cedo não seja descoberta.
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HUMIDADE
Hoje a cidade acordou coberta de nevoeiro. Aqui em Marvila está como eu gosto: não se vê nada para o outro lado da rua. A escuridão, aqui na oficina, é enorme e a humidade nem se fala, lá tive de acender o catalítico para ver se não gelava. Voltei agora de Mem Martins e, curiosamente – o tal microclima -, em Sintra o céu estava azul e de certeza que a temperatura era mais alta, pois cheguei a ter calor com o meu cachecol ao pescoço. Depois, à vinda para Lisboa, a IC19 foi entrando pelo nevoeiro, que se adensou cada vez mais à medida que eu me aproximava do rio. Faz frio lá fora e enquanto bebo o meu cházinho da tarde, antes de ir descarregar o carro, reparo que as janelas estão completamente molhadas.
IMPOSTOS!
Há coisa de duas semanas fui novamente contactada pela Mansão de Marvila para fazer um novo orçamento, desta vez para o restauro dos azulejos do átrio de entrada e corredor adjacente ao mesmo. Resolvi separar os trabalhos e fazer dois orçamentos, um para cada coisa, até porque a tipologia existente em cada lado é diferente uma da outra, sendo os do átrio bastante mais antigos e com problemas mais específicos, que necessitam de uma intervenção mais morosa. Tratam-se de dez silhares de azulejos do séc. XVIII, em muito mau estado de conservação, estando um deles, com cerca de 180 azulejos, em completo risco de destacamento da parede.
Assim sendo, hoje fiz uma pequena pausa antes de recomeçar a fazer as réplicas para a In Situ e tenho estado entretida a fazer os orçamentos, que cada vez ficam mais caros; não por eu estar a ganhar mais, que os meus honorários são sempre os mesmos há que tempos, mas porque tive a agradável surpresa de saber que os meus impostos foram aumentados em um e meio por cento… E isso também entra nas contas. Irra!…
APEADEIRO DE MARVILA
Hoje ainda não consegui fazer nada de útil: entre começar as reintegrações cromáticas dos azulejos da Lousã, para as quais tive de preparar Paraloid, fazer o projecto de um pequeno painel de azulejos, para o qual preciso de uma ampliação das letras e repensar os meus relógios solares, os quais tenho dúvidas quanto aos gnómons, ando para aqui um pouco atarantada de um lado para o outro. E claro, ainda tenho de terminar as chacotas manuais para as réplicas dos azulejos da Igreja da Ota, que já estão mais do que secas e que precisam de ser escacilhadas, o que não me está a apetecer fazer agora…
Fui tomar um cafézinho ali abaixo a Marvila, para sair um pouco daqui da oficina e fazer a fotossíntese diária, aproveitando este belo dia de sol para tentar organizar a cabeça. Acho que não resultou, mas pelo menos sempre arejei um bocado. Melhor, melhor, será ir para casa… E amanhã há mais.
MANSÃO DE MARVILA
Hoje fui à Mansão de Marvila, mesmo atrás do Largo do Beato, para fazer o remate de uns azulejos. A Mansão era um antigo convento e agora é um lar da terceira idade, pertencente à Fundação D. Pedro IV. Está a precisar de muitas obras, mas é linda! Para quem não souber, é lá que fica a Igreja de Sto. Agostinho…






