NERVOSO MIUDINHO


Continuo a fazer a minha peça em contra-relógio; falta praticamente um mês para entregar toda a documentação para ver se sou seleccionada para a Exposição Nacional de Cerâmica Contemporânea. Tenho de acabá-la o mais rapidamente possível se quero que a secagem se faça como deve ser –  uns quinze dias pelo menos e depois  faltam ainda as duas cozeduras previstas. De acordo com o tema, «A estética da paixão, a paixão pela estética» e com a minha memória conceptual e justificativa, comecei  hoje a modelar a figura que vai estar lá dentro, espero terminá-la amanhã para a poder colar no fundo do remoinho. Começo a entrar ligeiramente na fase do nervoso miudinho, em que quero despachar tudo depressa mas para as coisas saírem bem, tudo tem de ser feito com calma e muito lentamente. Enfim, paciência, muita paciência…

PRODUTIVIDADE

Estou muito satisfeita, esta semana rendeu bem! Fiz e entreguei o orçamento da Quinta de S. Vicente; pintei as réplicas e fui assentá-las no Palácio Centeno, dentro do prazo S.O.S. que me pediram; enchacotei uma série de peças novas e tenho mais uma data delas preparadas para cozerem já hoje, a alta temperatura, juntamente com experiências de vidrado novas. Para além de já ter amostras de barros de diferentes tons e imensos picotados que recolhi na nossa pasta de desenhos para réplicas que foram sendo feitas ao longo destes anos todos de restauro e que tenciono usar nas peças para as séries «Fragmentos». Para compôr ainda mais o ramalhete, ontem, acabada de sair daqui da oficina, tive uma ideia brilhante na qual comecei a trabalhar logo hoje de manhã, visto que se trata de uma das coisas que mais gosto de fazer: modelar em barro. Eheh! Desta vez dois baixos-relevos baseados nos azulejos de figura-avulsa do séc. XVIII e que vão direitinhos para a série «É o mar que nos chama».

8 Kg

Já está reciclado! Depois de suar as estupinhas, o que não é mau tendo em conta que é inverno, consegui recuperar um bom bocado de barro branco que já me vai permitir fazer umas experiências de umas peças em faiança que ando para aqui a pensar. Não está perfeito, perfeito, mas atendendo a que não tenho nenhuma fieira, fiz o que os meu quarenta e oito quilinhos de gente permitiram amassar. Vou ter de ter cuidado com algumas bolhas de ar, mas isso é o básico que qualquer ceramista amador sabe. E ao preço a que está o barro branco, ainda consegui poupar 3,5€! Que grande pelintrice, bem sei; mas já ando nesta fase… Parecendo que não, esse dinheiro já me paga uma sopa e uma sandes de queijo no café aqui ao lado. E ainda sobra para o cafézinho.

Bleah!

SOLINHO

A minha cabeça não tem parado, por mais que eu tente. Tenho uns quantos azulejos da Igreja da Lousã para restaurar, mas têm tão pouco carisma que nem me apetece tocar-lhes. Falta-lhes peso, estrutura que se sinta. Tenho andado a pensar nos meus relógios de sol e ainda não descansei enquanto não acabei os moldes dos dois primeiros que fiz, peças maciças. Estou ansiosa por ir comprar barro refractário! Não resisti e modelei mais este pequeno solinho, que ainda não sei para o que é que vai servir, talvez para uma aplicação. Quero fazer mais umas quantas e também novos carimbos, para depois poder trabalhar sobre mostradores simples, ainda na mesma linha das placas em cerâmica relevadas que tenho andado a fazer.

RELÓGIO SOLAR

Estou muito contente: acabei hoje de modelar o protótipo do meu primeiro Relógio de Sol! E com algum rigor, as posições das horas estão alinhadas de acordo com as coordenadas geográficas de Lisboa! Estou cheia de ideias novas para mais uns quantos, isto é giro! Gosto bastante de fazer este tipo de peças, que assentam sobre uma base  geométrica e, foi preciso ter feito este primeiro com quase todas as linhas estruturais de construção do mostrador, para assimilar toda a informação e possivelmente começar a simplificar. Tudo se resume a quadrados, rectângulos e circunferências e depois é só jogar com todas as hipóteses. Ainda falta o gnómon, claro, correctamente alinhado com a latitude. Depois de pronto, é só colocar numa parede virada a sul.