OLARTE

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Entreguei hoje os azulejos relevados que me tinham pedido para restaurar, “se possível, para dia 5, por favor”.

Descobri há pouco tempo que estes e muitos outros igualmente bonitos foram feitos na Olarte, uma oficina que funcionava em Aveiro durante os anos 70 e 80 e que até à data eu nunca tinha ouvido falar; mas que desde já é alvo da minha inveja – um dia também quero vir a ter uma oficina assim.

Obrigada pela dica, Cerâmica Modernista de Portugal.

A-12

Terminámos hoje a manufactura das chacotas manuais para o painel de azulejos do calendário que estamos a fazer para a Faculdade de Ciências de Lisboa. No último, o A12, correspondente ao dia 31 de Dezembro, esgrafitámos no tardoz o nome da oficina que os produziu – a Tardoz – e os símbolos de quem os executou – Isabel Colher e Margarida Melo Fernandes. Uma gracinha que será encontrada se alguma vez o painel vier a ser levantado da parede.

ARRUMAÇÕES

Depois de ter sido completamente apanhada de surpresa com a chuvada de hoje – no telejornal de ontem à noite anunciaram que o sol ia voltar, que as temperaturas aumentavam até ao fim da semana e que chuva, antes de dia 15, não se previa nenhuma -, fiz a agulha do Museu Militar e vim para a oficina. Confesso que estou aqui um bocado perdida; não tenho papelada para tratar, nenhum orçamento para pensar ou relatório para entregar. Já pensei em ir tirar uns desenhos de uns azulejos de uma fachada que preciso para fazer umas réplicas, mas o problema mantém-se – está a chover. E bem. De modo que parece-me que só tenho duas alternativas: ou vou para casa (0 que até seria bem visto, sempre ia fazer o IRS), ou começo a arrumar as coisas por aqui: há bancadas para limpar; frascos, frasquinhos, caixinhas e ferramentas para separar pelas prateleiras e armários, consoante o seu conteúdo – se de restauro ou se de cerâmica -; uns furos para fazer na parede e tralha variada para deitar fora. Isto não querendo falar, claro, nos sete pacotes que comprei há já não sei bem quanto tempo, 90 quilinhos de barro que ali estão à minha espera, empilhados no carrinho de transporte. Se calhar, o melhor será pôr o avental e meter mãos à obra. Mas antes vou aqui ao lado tomar um café e depois pesquisar umas coisas na net.

E AGORA?

De novo na oficina. E agora? Confesso que tenho andado por aqui um pouco às aranhas a tentar organizar-me sobre o que fazer; não é fácil fazer a agulha, assim de repente, de uma fase cheia de trabalho, para outra mais tranquila. Tenho tratado de papelada – finanças, cartas de apresentação, actualização do currículo e organização de fotografias. Mas os dias vão passando e parece que ainda não fiz nada este mês, ou muito pouco. Aproveitando que tenho de cozer as chacotas para as réplicas dos azulejos alicatados para o Palácio da Pena, resolvi também tratar de umas outras, que fiz com o Loubet já há que tempos, para um possível trabalho que nunca foi para a frente e que para ali ficaram, a secar e a ocupar espaço. São chacotas manuais, de 11X11cm, que nem sei bem para que é que irão servir, mas pronto; ficam cozidas e arrumadas e depois logo se vê o que é que se fará com elas. E sempre se rentabiliza uma fornada, que isto não está para desperdícios.

CADEIRA

Tenho andado um bocado bloqueada com o trabalho aqui na oficina: a desarrumação continua – não me apetece arrumar nada! -, o que não ajuda para dar início seja ao que for. Bem sei que posso recomeçar a minha produção cerâmica, que ía bem lançada antes da obra do 88 e que ficou a modos que pendurada; mas estou à espera que arranque o trabalho do Museu Militar (o que supostamente deveria ter acontecido durante a semana passada) e não quero estar a começar uma coisa para depois ter de a interromper logo a seguir. De modo que, para já, para já, estou a pensar recuperar esta cadeira de escritório, resgatada de um dos contentores de entulho lá do 88 e que apesar de tudo está em bom estado de conservação: apenas alguma ferrugem nas pernas, o que se contorna facilmente e muito pó no estofo de lona, o que se contorna ainda melhor…

PAPELADA

Tenho andado às voltas com a organização da papelada do 88 – faço tudo para não ter que arrumar esta oficina! Apesar da vontade não ser muita, é melhor ir tratando disto já, enquanto tenho tempo disponível e as coisas ainda estão frescas na minha cabeça: contabilizar os paineis que saíram quando, quem é que trabalhou quantos dias, dar início ao relatório. E contabilidade; verificar se não meti os pés pelas mãos quando pensei no orçamento, quer a nível de tempos, quer a nível de custos. E telefonemas atrás de telefonemas, para ver quando é que me pagam e que nunca são atendidos. Enfim, é toda uma parte chata, mas alguém tem de fazê-la… Quando for grande quero ter uma secretária.

FAZER NADA!

Hoje não me apetece fazer nada! Esta oficina está a maior confusão: depois de termos descarregado todo o material do 88 (juntamente com mais uns móveis que também vieram de lá e mais uma série de caixotes com casacos de cabedal antigos que descobrimos num armário antigo do Rei das Peles) e ainda o material que o Ivo e o Loubet também resolveram vir cá deixar e que já não precisam no Pinhão, isto está impraticável e não sei por que ponta comece. Tenho coisas para fazer, claro; poderia começar a lavar e a arrumar a ferramenta, ou começar a organizar e a limpar a minha bancada de trabalho, onde a minha peça em cerâmica está a secar (e a empenar), no meio de montes de tralha. E depois há todo o trabalho de bastidor; papelada, contas, relatórios para fazer e preparação de mapas de trabalho e estratégias para a obra do Museu Militar, que se avizinha. E mais um orçamento para Santarém, que ainda não percebi se já passou o prazo ou não… Mas enfim, estou em fase de descompressão e preciso é de uns dias de papo para o ar. O que não irá acontecer.

SEARCHERS

Hoje de manhã vim para a oficina, o que já não acontecia há quase dois meses. Há várias coisas que foram interrompidas quando comecei o trabalho do 88, confesso que naquela altura até pensei «Oh não!… um trabalho de restauro agora? Então e as minhas ricas peças em cerâmica, das quais eu não tiro um tusto e que eu ía tão entusiasmada?», mas rapidamente tive de fazer a agulha para ali,  que ganhar dinheirinho é que tem de ser, principalmente depois do marasmo do ano passado.  Bom, agora tenho de pegar no trabalho onde o deixei ficar, já nem sei bem onde era; esta adaptação, assim de repente, dá-me um bocado de jet lag. E assim, ao som de Searchers, do Amon Tobin – o que até tem a ver com o tema -, tento meter as ideias em ordem.

ARRANQUE OFICIAL

Começou hoje em grande e oficialmente a intervenção de conservação e restauro dos azulejos do nº 88. Somos uma equipa de sete pessoas e agora é que a coisa vai mesmo! Hoje ficámos distribuídos entre o levantamento dos azulejos do quarto piso, que já está quase terminado e o tratar de remover a tinta que cobre integralmente metade dos azulejos do terceiro piso. Eu andei um pouco por todo o lado, entre os «Isabeeel!» vindos de cima e os «Isabeeel! Onde é que estás?» vindos de baixo, numa tentativa de coordenar aquilo tudo em primeiro dia de trabalho. Mas as coisas correram muito bem e estou satisfeita com toda a gente, que afincadamente já deu um bom avanço  na obra. E aqui incluo-me a mim também, que  depois de sair de lá ainda vim aqui à oficina ao fim da tarde para enfornar as minhas pecinhas novas.