GELADA…

Preparo-me para continuar a pintar réplicas para os painéis da Igreja da Misericórdia, em Tavira, desta vez cerca de mais trinta. Hoje de manhã fui tentar trocar as chacotas de 15×15 cm que vieram por engano, em vez das de 14×14 cm, mas não havia! Disseram-me que talvez amanhã já as tenham, o que eu espero bem, para não me atrasar aqui com o trabalho… De qualquer forma, fui procurar bem aqui na oficina e lá descobri uma caixa com umas vinte, com a mesma espessura, o que já dá para avançar qualquer coisa. Estive agora a vidrá-las e, para além do nariz e dos pés, fiquei também com as mãos geladas! Isto promete…

PRACTYL

Todo o equipamento que temos na nossa oficina foi sendo comprado aos poucos e à medida das necessidades, muitas vezes inserido nos orçamentos dos próprios trabalhos. A última aquisição, já há algum tempo, foi comprada pelos meus colegas por causa de um trabalho na Guarda e é bem útil para estas andanças da azulejaria: uma máquina de cortar azulejos, ou, como diz nas instruções, uma cortadora de azulejos. A marca, PRACTYL, não diz muito e não deve ser do mais profissional que existe, mas para nós deve chegar, que não precisamos de estar horas seguidas a trabalhar com ela. Para já, bem jeito me deu a cortar à medida as chacotas para as réplicas dos painéis da In Situ; tem um rigor qb e como funciona com água, evita encher isto tudo de poeirada, que chega já bem o pó que aqui temos sempre cativo.

INTERNACIONALIZAÇÃO!

Aconteceu-me uma coisa incrível: há duas ou três semanas fui contactada por uma produtora de cinema alemã que me telefonou a perguntar-me se eu estaria interessada em participar num documentário sobre Portugal,  que era para passar no Canal Arte e mais qualquer coisa sobre azulejaria e mais não sei quê do fado e fotografar a oficina logo no dia seguinte e mais blá blá, blá blá… Fui completamente apanhada de surpresa e fiquei tão estupefacta que deixei de ouvir. Ainda pensei que fosse alguém a gozar comigo e pedi à pessoa para me mandar um e-mail a explicar tudo de novo desde o princípio. Ao que parece, o realizador descobriu-me pela net lá na Alemanha (isto funciona mesmo!) e gostou bastante do meu blog, de tal modo que a ideia seria introduzir a Azulejaria Portuguesa no documentário através de mim e do meu trabalho… Bom, eu alinhei, claro, sempre espero divertir-me! Amanhã vêm cá filmar-me à oficina, que está caótica, para variar; mas azulejos para restaurar aqui não faltam e, com um bocado de sorte, ainda lhes consigo impingir também as minhas peças de cerâmica! Caramba!… Com esta internacionalização, já me estou a ver com várias oficinas espalhadas pelas Marvilas da principais capitais europeias! Eh, eh, eh!

PIGMENTOS

Comecei a fazer a reintegração cromática dos preenchimentos dos azulejos da Igreja da Lousã. Estou a utilizar pigmentos aglutinados em Paraloid-B72, o que é sempre um trabalho moroso. Como os azulejos não vão ser reassentes com argamassa tradicional, podemos já ir avançando com esta tarefa, uma vez que não terão de ir para dentro de água. A ideia é despachar o trabalho o mais possível aqui na oficina, para depois, lá na Lousã, só nos termos de preocupar com os retoques finais, já com os azulejos na parede.

APEADEIRO DE MARVILA

Hoje ainda não consegui fazer nada de útil: entre começar as reintegrações cromáticas dos azulejos da Lousã, para as quais tive de preparar Paraloid, fazer o projecto de um pequeno painel de azulejos, para o qual preciso de uma ampliação das letras e repensar os meus relógios solares, os quais tenho dúvidas quanto aos gnómons, ando para aqui um pouco atarantada de um lado para o outro. E claro, ainda tenho de terminar as chacotas manuais para as réplicas dos azulejos da Igreja da Ota, que já estão mais do que secas e que precisam de ser escacilhadas, o que não me está a apetecer fazer agora…

Fui tomar um cafézinho ali abaixo a Marvila, para sair um pouco daqui da oficina e fazer a fotossíntese diária, aproveitando este belo dia de sol para tentar organizar a cabeça. Acho que não resultou, mas pelo menos sempre arejei um bocado. Melhor, melhor, será ir para casa… E amanhã há mais.

A PILHAS!

Acho que já aqui disse há uns tempos que sou pouco dada às novas tecnologias. Eu até gostaria, mas o tempo disponível para isso é pouco e, francamente, a pachorra para aprender, também. Não saco música da net, não faço downloads de filmes, nem sei zippar um documento. Ainda nem sequer aderi ao Facebook, nem tenho um leitor de MP3, o que é um feito nos dias que correm. Gosto de objectos e também das memórias de outros tempos, devo ter uma costela de Velho do Restelo, que com certeza se desenvolveu por via do restauro. Provavelmente só eu é que perco, claro; mas ainda não dei por nada.

Isto para dizer que, ultimamente e enquanto não resolvo esta questão da musica, a minha companhia aqui na oficina tem sido este rádio a pilhas, tipo aqueles de ouvir o relato da bola. A coisa não é brilhante, é verdade, muitas vezes é preferível que esteja desligado; mas entre um posto e outro,  sempre se vão ouvindo uns fadinhos do Marceneiro ou sabe-se, por exemplo, que Portugal ganhou uma medalha de ouro no campeonato de patinagem artística no início deste mês, informação que nunca seria conhecida doutra forma. E convenhamos, ainda podia ser pior: sempre é um 2 BANDS!

TUDO ARRUMADINHO!

Lá consegui arranjar um armário aqui na oficina para arrumar as minhas peças de cerâmica. Isto é tudo muito giro, mas o mal destas coisas, se não as despachamos para qualquer lado, é que ocupam espaço. E aqui, apesar da oficina ser grande, o espaço está a escassear. Acho que está a chegar a hora de eu ir fazer aquilo que tenho andado a adiar já há algum tempo; ou seja, meter-me nas minhas tamanquinhas e ir bater a algumas portas de lojas que possam estar interessadas nas minhas peças. Pânico! Não tenho jeito nenhum para estas coisas e, pior, sou péssima para o negócio! Por mim continuava eternamente a fazer peças e mais peças e depois elas tratavam de ir à sua vidinha e mandavam-me o dinheiro para casa, tipo emigrantes longe da família…

DE VOLTA À OFICINA!

Cá estou! De volta à oficina, depois de um mês inteirinho sem pensar em cerâmica, nem restauro, nem feiras, nem blogs, nem net! Bom, confesso… pensei um bocadinho em cerâmica; li umas coisas que me interessavam para umas peças futuras, mas despreocupadamente, que é para isso que servem as férias: limpar a cabeça e pôr alguma leitura em dia.

Agora, de volta à oficina e com a cabeça limpa, tenho de recomeçar do zero. Isto aqui está um bocado caótico; tudo desarrumado e eu, que até sou uma rapariga organizadinha, assim não me oriento. Antes de começar a fazer seja o que for, primeiro tenho de arrumar e limpar tudo! Assim uma coisa do género «ano novo, vida nova!». Tenho uma data de peças que me sobraram das feiras e que despejei, literalmente, no meio da sala; depois, caixotes e caixotinhos com fragmentos de azulejos que não há meio de saírem daqui e só ocupam espaço; os moldes aparecem por todo o lado, o suporte da rebarbadora insiste em não sair do caminho, a mesa de trabalho está cheia de tralha variada e o pó!, uf!… esse instalou-se por todo o lado e só vai desaparecer com uma barrela das grandes!

Bom… mãos-à-obra. (Não me apetece nada, mas lá terá de ser!).

CAVALETES E PRANCHETAS, PREGOS E PARAFUSOS

A Câmara de Sintra avisou-me que não têm bancas para os feirantes, que cada um deve ter a sua. Claro que eu ainda não tenho uma e, tão em cima do acontecimento, vou ter de improvisar mais uma vez. Por sorte, aqui na oficina, cavaletes e pranchetas não faltam e vai ser com a prata da casa que eu me vou amanhar (a retenção de custos continua…). A questão vai ser entre haver uma parte de cima ou não; por um lado protegia-me do sol, por outro e, pensando em Sintra, protegia-me de chuva ou da humidade nocturna, que lá o verão é sempre duvidoso… Mas isso implica uma estrutura qualquer, que eu agora não consigo pensar… Portanto e, para já, acho que vai ficar mesmo assim. O importante é que as pessoas não se tenham de baixar. E quando eu me tornar uma verdadeira profissional nestas andanças, logo penso como vou fazer as coisas.