QUASE PRONTOS

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Depois de mais de um mês (quase dois!) à espera que secassem, consegui finalmente fazer a primeira fornada com os meus novos relógios de sol – pode-se dizer que são objectos relativamente grandes e grossos e a secagem deve ser muuuito lenta (o que não é difícil com o frio e a húmidade que tem estado) de modo a que não empenem e principalmente, não se partam durante a primeira fase da cozedura.

Estou muito satisfeita. Andava há que tempos com vontade de fazer umas experiências com óxidos metálicos em alto fogo, para aplicar nos relógios de sol (e não só) e estes são os primeiros resultados, acabados de desenfornar – resultaram.

Amanhã tenho de cortar varetas de aço inoxidável  para aplicar como gnómons e depois estão prontos, mesmo a tempo de os levar para o Mercados no Museu, que vou fazer no sábado – e se tudo correr bem, estará um dia de sol.

ÓXIDOS METÁLICOS

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Tenho andado ocupada com mil e uma coisas – entre elas os meus novos relógios de sol, que finalmente parece que já estão secos e prontos a cozer a 1250º.

Entretanto e aproveitando esta maré do alto fogo, tirei hoje do forno uma série de experiências que entretanto fiz com barro refractário, porcelana, grês e óxidos metálicos – estou aqui com umas ideias novas, que acho que vão resultar bem.

ÚNICA

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Está pronta e prestes a ser entregue a peça única que fiz, em cerâmica. Trata-se de uma floreira, ou jarra – não sei bem; mas dá para meter flores – baseada numa primeira, dentro do mesmo género, que fiz já há algum tempo e que está na loja A Roda da Fortuna, em Évora. Tal como a outra, esta peça é feita em barro refractário, mas agora resolvi aplicar também alguns engobes, óxidos e vidrados de alto fogo.  E fiquei satisfeita com o resultado.

ALTO-FOGO/BAIXO-FOGO

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Continuo com a minha saga de fazer experiências de cor para obter vidrados – de baixo e de alto fogo; uns para um tipo de peças, outros para outro. Na verdade, os que mais me interessam são os de alto fogo, uma vez que se aplicam ao barro refractário com que quero trabalhar; mas, aproveitando que hoje vou fazer uma cozedura de vidrados de baixo fogo, vão também alguns testes junto, sempre se aproveita a mesma fornada. Basicamente são as mesmas receitas, mas aplicadas a dois tipos de vidrados base com composições diferentes. Sempre quero ver no que dá.

ÓXIDO DE COBRE

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Com o pretexto de encontrar um vidrado de baixo fogo verde para vidrar um azulejo de uma encomenda, resolvi fazer umas experiências de cores partindo de três vidrados, transparentes, com composições diferentes. O princípio era o mais básico para quem começa com estas andanças da cerâmica: pegar em cada um desses vidrados base e acrescentar óxido de cobre a cada um deles, em percentagens diferentes. Assim fiz e fiquei com três receitas diferentes e com três copinhos com três vidrados diferentes; que não seriam usados para mais nada, arriscando-se a irem todos para o lixo – que nesta coisa das receitas de vidrados temos sempre de contemplar o factor desperdício.

Uma vez que eu sou pouco dada a desperdícios e, aproveitando também o facto de ter de fazer uma fornada apenas para aquelas experiências de cor, resolvi juntar a cada copo um bocadinho de óxido de cobalto – só para ver o que é que dava. E depois, já agora, uma pitada de óxido de estanho. E de zinco. E para finalizar, misturei as receitas todas umas com as outras.

Foram estes os resultados. Uns aproveitam-se e são para repetir; outros são para esquecer e outros ainda são a base para novas receitas. Adoro isto!

DOCUMENTAÇÃO DA OBRA

TÍTULO – Paixão que consome

DIMENSÕES – 26cm x 26cm x 18cm

PESO – 5,950 Kg

MATERIAIS UTILIZADOS – Barro refractário, porcelana e óxido de cobalto.

TÉCNICAS UTILIZADAS – Lastras, columbinas, incrustações e forma maciça escavada.

TIPO DE COZEDURA – Atmosfera oxidante, alto fogo – 1270ºC

AUTOR – Isabel Colher

 

ENFORNADA!

Já está no forno a minha peça para a Exposição de Cerâmica, vai cozer esta noite. Tinha pensado fazer uma monocozedura; aplicava o óxido de cobalto com ela ainda crua e depois cozia tudo a alta temperatura de uma só vez, mas isto às vezes não corre bem como a gente quer, de modo que o melhor é fazer as coisas pelos tramites normais: enchacotá-la primeiro a 960º e então depois virá-la, dar-lhe o óxido e voltar a cozê-la; aí sim, a 1270º. Vou fazer uma fornada bastante lenta, talvez umas quatro horas só para chegar aos 200º, não vá o barro ainda não estar totalmente seco e assim prevenir algum azar… Bom e agora, figas, figas.

A MIL…

Hoje vou fazer uma fornada de vidrados, quero ver se estas peças ficam prontas para as levar à loja na próxima semana. Com tanta coisa que ando a fazer ao mesmo tempo, começo a ficar baralhada com isto tudo; tenho peças a secar para enchacotar a 970º e outras a 1040º; por outro lado, tenho vidrados para cozer a 1020º e outros a 1240º. Isto para não falar nas experiências de barro pigmentado com diferentes percentagens de óxidos, nem nas tacinhas que estou a modelar. E mais os orçamentos que tenho para fazer pelo meio disto tudo, sem me enganar e que me roubam algum tempo. Os frasquinhos com experiências de vidrados desmultiplicaram-se rapidamente e uns servem para uma coisa e outros para outra, mas como estão bem identificados, não há margem para confusões – espero eu. Tenho pressa em ver resultados; ando entusiasmada, mas estes processos demoram o seu tempo e as semanas passam demasiado rápido. E o forno demora um dia até eu poder ver o que se passou lá dentro. Ufa!… Estou cansada…

OHAUS

Estou super-contente! Ontem comprei finalmente uma coisa que há muitos – muitos! – anos queria ter: uma balança de precisão, com sensibilidade até aos centésimos de grama. Caramba, nem era preciso tanto, décimos chegavam perfeitamente… E agora sim, isto é que vai ser fazer recitas de vidrados com algum rigor! É que, quando se trata de óxidos, meio grama pode fazer muita diferença, alguns são extremamente fortes! Bem sei que nisto das experiências há sempre muito desperdício de material; mas por que estar a usar 300g de vidrado base para conseguir pesar uns míseros 3g de óxido de cobalto, que corresponde a 1%? E isto é quando a balança que cá temos consegue pesar 3g, porque às vezes fica ali parada nos 2 e eu a deitar pitadinhas atrás de pitadinhas, com muito cuidadinho… e aquilo nem sequer mexe; até que de repente!, pumba, salta directamente para os 5g!… (É claro que aqui sai o meu vernáculo pessoal). Mas hoje até já consegui pesar 0,5g de óxido de cobre e a partir daqui é só dar largas à imaginação.

INTERROGAÇÕES

Depois de um percalço com a fornada no forno grande, consegui finalmente abrir hoje o forno pequeno para ver como correram as experiências de vidrado. Não há nenhuma que eu possa aproveitar à partida, mas fiquei satisfeita; aproveitei quatro ou cinco como base para novas experiências e agora é só saber interpretar resultados; estará o vidro fino, ou ferveu com tanta temperatura? Será que o forno arrefeceu muito bruscamente antes dos 800ºC? Juntando óxido de zinco fica mais branco, não?… Ou precisará de mais fundente? Mas afinal onde é que aqui entra o bórax? E com a curva de cozedura, como é que é? E o raio da balança, que não consegue pesar só três gramas!… Já me rodeei de leitura para trabalho de casa; mas quanto mais leio, mais me interrogo. E pronto. Boa sorte para mim.