PADRONAGEM AZUL E AMARELA.

2015-10-14 09.48.58

Acabei ontem de pintar as 150 réplicas de azulejos de padronagem 4×4 do séc. XVII que fiz para colmatarem as lacunas existentes no tanque grande dos jardins do Palácio de Monserrate, em Sintra – os últimos 40 cozeram esta noite e estão ainda no forno.

Para atalhar o processo de manufactura – foi-me pedida urgência na entrega, os trabalhos de restauro estão já a decorrer -, utilizei chacotas manuais de compra e depois cada azulejo foi vidrado e pintado à mão, utilizando diferentes tonalidades de vidrado branco e de pigmentos azul e amarelo. Como os originais.

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Há coisa de um mês – antes de ir duas semanas para fora, a banhos – comecei um novo trabalho, desta feita no 31 de uma rua central em Lisboa. Para primeira fase tratava-se de separar e inventariar o espólio azulejar que tinha sido levantado da parede há mais de três anos e do qual não havia registo – e que se encontrava empilhado aleatoriamente na cave do edifício. Para além de se tentar perceber o que é que ali estava, havia também a necessidade de se encontrar 26m2 de uma padronagem específica e respectiva cercadura para revestir a escadaria de entrada que, segundo uma fotografia antiga, lá estaria originalmente e que não se sabia se ainda existia ou quanto é que existia.

Ao fim de cinco dias de trabalho intensivo conseguimos separar e inventariar cerca de 3817 azulejos – fora os oito caixotes com fragmentos da mesma tipologia – separados por 13 tipos de padronagem; 9 tipos de cercaduras; 12 tipos de rodapés; 2 tons de azulejos brancos e ainda 3 conjuntos de azulejos da mesma tipologia possível de serem analisados numa outra ocasião.

Para meu contentamento encontrámos quase toda a totalidade da padronagem pretendida, que, após tratamento de conservação e restauro, poderá voltar para a parede e cumprir a função para a qual foi feita.