AZUIS

 

Tenho andado atarefada com a manufactura do painel para a loja ALMA, em Bordéus. As cores que ensaiei já foram escolhidas e aprovadas e os primeiros azulejos já se podem ver. A pintura da padronagem não é difícil, mas requer algum cuidado e organização da minha parte, para tudo bater certo com o projecto que me foi entregue. De qualquer modo e, para já, tudo anda a bom ritmo e a par de outros trabalhos que tenho em mãos.

 

PROJECTO

Tenho andado ocupada com um novo projecto de azulejaria, que, para variar, se destaca um pouco das tradicionais réplicas de azulejos antigos que costumo fazer – e que adoro.

Trata-se de um painel de azulejos, novo, feito por encomenda segundo o desenho que me foi entregue, para uma loja de artigos portugueses que vai abrir em Bordéus. O painel é grande, tem 221 azulejos no total, divididos por 11 tipologias diferentes, as quais variam cromaticamente entre o branco e quatro tons de azul. No centro do painel está o nome da loja, como se se tratasse de um pequeno painel dentro de um outro, maior. Os azulejos são todos pintados à mão, um a um e apesar de não serem de difícil execução, ainda requerem algum trabalho e especial atenção, para no fim, baterem todos certos com o projecto apresentado.

ROCAILLE

Entreguei a semana passada 32 réplicas de azulejos para colmatarem as lacunas integrais existentes em cinco silhares de uma das salas do Palácio Marquês de Tancos, em Lisboa.

A tarefa não foi totalmente fácil – os azulejos originais adjacentes às lacunas estavam todos nas paredes; os azulejos em falta tinham todos medidas diferentes, algumas muito estranhas como 15,3 x 14,2cm ou 13,5 x 13,8cm e as chacotas tiveram de ser cortadas à mão uma a uma para cada lugar; os desenhos foram copiados de cócoras no meio da poeirada e ajustados caso a caso para ver se as linhas de contorno e as manchas cromáticas batiam certas o mais possível com os desenhos de entorno e por fim, encontrar o tom de manganês igual ao original é uma chatice e pode dar cabo da cabeça de qualquer um.

Curiosamente, correu praticamente tudo bem à primeira – e os azulejos já estão na parede. Confesso que por esta não esperava, mas fico muito satisfeita.

 

AOS QUADRADINHOS

Não sei bem como, mas de repente – e aproveitando a deixa de começar a criar os meus próprios azulejos para decoração de cozinha, que já falei aqui -, desatei a fazer pequenos azulejos manuais baseados em pictogramas, símbolos e abreviaturas conhecidos e usados comumente um pouco por todo o lado.

A ideia, para já, é fazer uma série de pequenos conjuntos de 4 azulejos que relatem algo, que transmitam alguma ideia; que contem uma história – um pouco à laia de banda desenhada; neste caso e literalmente, à laia de histórias aos quadradinhos.

E agora confesso que ando obcecada com isto e não consigo deixar de ter ideias e de as produzir e quanto mais as produzo, mais ideias tenho e quanto mais ideias tenho, mais quero produzi-las.

Conclusão: muitos anos a pintar anjinhos, folhas de acanto e volutas dão nisto.

 

CASA PARAÍSO

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Comecei o ano com mais uma encomenda terminada; na verdade, a última do ano passado – um pequeno painel de azulejos que fiz para o Rui Árias Ribeiro, da Iniciação à Genealogia    e que vai para a Casa Paraíso, uma pequena quinta no Alentejo.

O painel representa a árvore genealógica da D. Maria Serafina – aparecem não só os seus antepassados, como também os seus três filhos. No total são 18 pessoas, divididas por 5 gerações diferentes e organizar toda esta gente dentro de um esquema lógico que se adapte a um painel de azulejos, de modo a que nenhum nome coincida com nenhuma junta, ainda me deu algum trabalho, mas finalmente lá consegui chegar a alguma conclusão.

Agora que tenho alguma experiência, imagino que para a próxima seja mais fácil.

PADRONAGENS

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Estão terminados e prontos a entregar os 150 azulejinhos que fiz por encomenda para o casamento da Violeta e do Matteo, agora no início de Dezembro – a ideia é cada convidado receber um como lembrança deste dia.

Cada azulejinho mede 7x7cm e tem 1 cm de espessura e funciona como um módulo que, por repetição, forma diferentes padronagens. Depois de várias hipóteses, esta foi a minha preferida. E ainda não comecei a misturar cores.

ALICATADO

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Entre a manufactura de fragmentos cerâmicos, a elaboração de desenhos, a preparação de três ou quatro vidrados brancos com tonalidades diferentes e a pintura de réplicas para os painéis do Museu do Azulejo, tenho andado também a trabalhar – muuuuito devagarinho – neste projecto que me foi encomendado em pleno Agosto, o qual avisei desde logo que iria demorar até estar pronto.

Trata-se de um pequeno painel cerâmico com 30x30cm que propus fazer em alicatado; técnica que remonta aos séculos XVI e XVII e que consiste em agrupar pedaços de ceramica vidrada, cortados com diferentes tamanhos e formas, sendo que cada pedaço  é monocromático e faz parte de um conjunto de várias cores, mais ou menos complexo – neste caso, forma uma Rosa dos Ventos.

Neste momento tenho todas as peças cortadas e após algumas experiências, os vidrados também já estão escolhidos – foi-me dada inteira liberdade com os tons, desde que seguisse  as cores do desenho original. Agora falta vidrar peça a peça e depois pintar em cada uma o nome de cada vento. E depois cozer e esperar que corra tudo bem.

Estou contente; é giro este projecto – e finalmente entendi o significado de Tramontana.

8 JUNHO DE 1663

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De regresso ao Pátio dos Canhões, no Museu Militar.

5 anos depois da nossa intervenção, uma ruptura num cano danificou uma parte significativa da parede do alçado Norte e com ela, cerca de metade dos azulejos do painel da Batalha do Ameixial – já na altura, o que se encontrava em pior estado de conservação – destacaram-se da superfície de suporte e partiram-se em inúmeros fragmentos.

E assim, mais uma vez, estive a montar este painel no chão, a colar novamente fracturas simples e múltiplas, e agora a fazer novos preenchimentos para depois reintegrar cromaticamente.

 

 

BERTINA LOPES

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Não sei o que é que se passa, mas este ano continuam a chegar-me às mãos alguns trabalhos engraçados e diferentes daqueles que estou habituada a fazer.

Comecei hoje a trabalhar na procura de cores para os vidrados que preciso de fazer para alguns azulejos que faltam em três pequenos painéis da autoria da Bertina Lopes, pintora e escultora Moçambicana que, confesso, até à data nunca tinha ouvido falar.

E fiquei agora mesmo a saber aqui que, nos anos 60, teve uma bolsa de estudo para estudar cerâmica com o grande mestre Querubim Lapa – que por acaso também foi meu professor.

CHEQUIM CARAMELO

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Ultimamente tenho recebido algumas encomendas muito sui generis, como pintar azulejinhos pequeninos para marcadores de mesa e oferta em casamentos, reproduzir desenhos infantis em azulejos, ou fazer este pequeno painel de seis azulejos que representa um personagem típico do Montijo, conhecido como Chequim Caramelo – desaparecido talvez há uns 15 anos.

A tarefa não foi totalmente fácil; o painel deveria reproduzir a fotografia, “ampliada aí umas três vezes”; com o mesmo enquadramento, cores idênticas e o nome Chequim Caramelo escrito em baixo. O problema é que ele e o seu cavalo – parece que andavam sempre em parelha – mal se vêem na fotografia, e nem ampliados umas três vezes se vêem melhor. E depois a montagem; se os puxava para cima para ter espaço para o nome em baixo, desaparecia metade da palmeira e eles ficavam cortados ao meio pela junta dos azulejos; se os puxava para baixo, ficava sem espaço para o nome e com uma superfície imensa de céu azul em cima.

Hoje pintei o painel, ficou um pouco estranho; mas aguardemos por vê-lo depois de cozido.