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Estou aproximadamente a 1/3 do fim da pintura do painel de azulejos que me encomendaram para decorar uma parede exterior com um bebedouro para cavalos.

Habituada – e formatada- como estou a fazer réplicas para obras de restauro de azulejos, confesso que este desenho livre me está a dar um pouco de água pela barba e a demorar mais tempo do que aquilo que eu previa: custa-me descolar da azulejaria tradicional portuguesa; não costumo desenhar; não sou uma pintora de painéis de azulejos; não tenho por onde me basear e não sei fazer paisagens nem cavalos, muito menos a azul e branco.

Como há sempre uma primeira vez para tudo, recorro às noções de desenho que me ficaram da escola e de um ou outro curso que fiz depois dela e ainda da leitura assídua de banda desenhada e também à teoria que o meu avô Ernesto me ensinou sobre pintura com aguarelas, que se pode assemelhar à pintura de azulejos a azul e branco – pintar sempre dos tons mais claros para os mais escuros.

E assim avanço lentamente, a pouco e pouco. Apesar de me terem dito que o painel poderia ser rústico, não me apetece que fique nenhum mamarracho.

NOVO PROJECTO

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Estou a começar um novo projecto.

Foi-me encomendado um painel de azulejos para uma quinta particular com cavalos e a ideia é o painel ser colocado na parede por cima do bebedouro onde eles vão beber água. Requisitos:

  • O painel tem de ter cavalos, claro – mas sem serem montados;
  • A torneira do bebedouro deve ficar dentro do painel;
  • O símbolo da quinta deve aparecer em cima.
  • O painel deve ser pintado a azul e branco e as chacotas devem ser manuais.

Tudo o mais – desenho e dimensões – fica ao meu critério.

Parece-me que começo agora a perceber o sentido da frase “A angústia da folha em branco”…

VISTA DE LISBOA, 1940

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Fui hoje entregar os azulejos que me faltavam ainda fazer para o Miradouro de Santa Luzia, desta vez dez réplicas figurativas para o painel da Vista de Lisboa, da autoria de Joaquim Martins Barata, datado de 1940.

Se fazer réplicas para integrarem lacunas em painéis figurativos nunca é muito simples, neste caso a coisa foi ainda um pouco mais complicada uma vez que todos os entornos dos azulejos em falta que eu precisava se encontravam na parede, demasiado difíceis para serem levantados sem colocar em causa o seu estado de conservação. E assim, para além do acerto de cores e tonalidades de vidrados e tintas, tive de completar desenhos, linhas e manchas cromáticas e pintar as réplicas em falta de acordo com o traço, marcação e tipo de pincelada original através das fotografias que tirei no local – um pouco por aproximação e erro, à distância.

Hoje fui ao miradouro entregar e comparar os azulejos que fiz com os restantes na parede. Assim de repente parecem-me bastante bem integrados; talvez tenha de repetir um ou dois que ficaram um pouco mais claros do que os originais – espero eu, mas aguardo o parecer da fiscalização da obra.

Vim de lá bastante tranquila, mais do que esperava.

AZULEJOS

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De volta aos meus azulejos.

Tenho andado ocupada a fazer chacotas manuais de diferentes tamanhos e feitios e a pintar frisos, cercaduras, figuras avulso, patronagens pombalinas, animais, enfim; réplicas de motivos vários retirados da azulejaria tradicional portuguesa em geral, as quais tenciono misturar aleatoriamente e formar pequenos painéis de azulejos.

E depois penso no que fazer com eles – para já, produzir.

GOETHE-GARTEN

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Está terminado o assentamento do painel de azulejos que fiz sob encomenda para o lago do jardim do Goethe-Institut, em Lisboa.

O pedido foi-me feito há cerca de um mês e fui logo avisada de que havia alguma pressa, convinha que tudo – leia-se manufactura e assentamento – estivesse pronto dia 27 de Maio. E pretendia-se movimento, algo com movimento.

Em tempo record e apesar da pouca experiência que tenho em fazer painéis de raiz e muito menos tão livres como este, consegui fazer o projecto, organizar, pintar e cozer 920 azulejos. E ainda coordenar o assentamento. E acabar dois dias antes do fim do prazo.

Estou muito satisfeita! Agora só falta juntar a água.

(Já agora aproveito para agradecer o contacto à Julinha, a ajuda ao Adrian  e a estereotomia ao Pedro!)

NO LAGO

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Cansada e empoeirada demais para escrever a esta hora. Mas ainda assim bastante satisfeita: hoje estive o dia todo a coordenar a montagem do painel de azulejos que andei a pintar em tempo recorde nestas duas últimas semanas.

O lago começa a ganhar outra vida e as pessoas começam a comentar que está muito bonito.

C1

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Quando o B1 encontra o D1 e fecha a volta. E assim está terminada a pintura do painel de azulejos que tenho andado a fazer estes últimos dias. Agora só faltam ainda mais três fornadas.

Para a semana, assentamento na parede. Isto é, no chão – no fundo do lago.

A BOM RITMO

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Faz hoje uma semana que comecei a pintar o painel de azulejos para revestir o fundo de um lago. O prazo é bastante curto – no dia 27 deste mês tem de estar aplicado no chão – e o maior problema prende-se com o ritmo das fornadas; por mais que eu consiga pintar 3m² por dia, ainda assim um a mais do que aquilo que eu tinha previsto, levo sempre azulejos em avanço, uma vez que o forno grande leva apenas 120 azulejos de cada vez, que demoram dois dias entre entrarem e poderem sair já cozidos. Felizmente tenho também o forno pequeno, que leva metade da capacidade, mas que lá vai dando uma ajuda, intercalado com o maior e avança assim com a cozedura de mais sessenta, dia sim, dia não.

De modo que, de há uma semana para cá, não tenho feito outra coisa senão marcar tardozes, montar pequenos painéis de azulejos no taipal, aplicar vidrados de diferentes cores, desmontar pequenos painéis do taipal, limpar vidrados, enfornar azulejos num dos fornos à vez, desenfornar do outro que entretanto cozeu há dois dias e já pode ser desenfornado e recomeçar tudo de novo, consecutivamente e sempre mais ou menos por esta ordem, tendo em atenção que nos entretantos convém ir montando os pequenos painéis já cozidos no chão para confirmar as marcações dos tardozes e também a continuidade das manchas cromáticas.

E a este ritmo tenho neste momento 640 azulejos já cozidos, 120 azulejos no forno e que irão cozer esta noite e ainda cerca de 70 azulejos vidrados e arrumados ordeiramente em ganapos à espera de serem cozidos amanhã. Assim sendo faltam-me apenas dois dias para acabar de vidrar o painel – mas ainda devo ficar a fazer fornadas até ao próximo fim-de-semana.

18m²

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Coisas curiosas que acontecem: há precisamente um mês, nunca eu tinha feito um painel de azulejos de raiz, habituada como sempre estive a trabalhar em restauro e manufactura de réplicas.

Há menos de um mês tive uma encomenda para fazer um painel com 4m²; 200 azulejos que tive de pintar 1/4 de cada vez no taipal – que era o que cabia – e cozer em duas fornadas e que já falei aqui.

Há pouco mais de uma semana tive outra encomenda para fazer  outro painel de azulejos; desta vez um pouco maior do que o primeiro, apenas 18m² – cerca de 940 azulejos que irão revestir o fundo de um lago e que irei pintar metro quadrado a metro quadrado no meu taipal e enfornar 120 unidades de cada vez que é o que cabe no meu forno grande e que nunca conseguirei montar no chão aqui da oficina.

E é o que farei estas duas semanas, que o prazo de entrega é bastante curto.

 

 

1/4

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Comecei ontem a vidrar o painel com a espiral de sete cores que me encomendaram. Tive de trabalhar com um quarto de cada vez, que é quase o máximo que cabe no taipal, – na verdade o que me teria dado jeito era uma boa bancada de trabalho, grande e larga, que permitisse trabalhar sobre a horizontal, mas o espaço aqui na oficina começa a ser curto para estas dimensões.

Assim sendo, tive de ampliar o desenho e passá-lo directamente para as chacotas, quarto a quarto, com bastante atenção para que a numeração alfa numérica dos tardozes batesse toda certa de um quarto para o outro; montando, desenhando, marcando e desmontando 49 azulejos de cada vez, como se de pequenos painéis se tratassem – e era tão fácil poder-me enganar.

Depois comecei a aplicar os vidrados sobre o desenho; quarto a quarto e com atenção não só à ordem das cores, como também ao seu seguimento para o quarto seguinte, para que os quatro desenhos e as quatro manchas cromáticas batam todos certos no final – o que não consigo visualizar agora. E é tão fácil poder-me enganar.

Acabei de enfornar metade do painel. Fiz um pequeno lote de testes de cores de vidrados e nada mais, que o orçamento reduzido não permite mais custos com a electricidade, nem mais tempo com a mão-de-obra. Vai hoje a cozer e na segunda-feira vejo os resultados – quarto a quarto.

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