SETE

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Há coisas que são boas e que já me tinha esquecido de como gosto de as fazer. Ficaram como uma memória boa dos meus tempos de infância, na casa dos meus avós e mais tarde, da escola e do liceu, das disciplinas de trabalhos manuais e desenho. E depois nunca mais as voltei a fazer – deixou de ser preciso e de eu sentir essa vontade.

Hoje peguei na minha caixa de aguarelas desencantada mesmo a tempo do baú e estive a pintar o meu projecto para o painel de azulejos com a espiral de sete cores – as sete cores dos chakras.

E foi bom.

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PEQUENOS PAINÉIS DE AZULEJOS

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Baseada numa ideia que tive há algum tempo, acabei hoje de montar em suporte acrílico pequenos painéis de azulejos, todos com 14x21cm de dimensão – um tamanhinho simpático para pendurar em qualquer parede.

As chacotas são totalmente manuais e têm três tamanhos distintos, que se articulam entre si de modo a respeitar a dimensão final e os motivos, retirados de diferentes fases da azulejaria tradicional portuguesa e adaptados aos tamanhos pretendidos, são pintados à mão, conjugando-se uns com os outros sem respeitar a época em que foram criados.

Para já, seis painelinhos. À experiência e até ver o que faço com eles.

FIGURATIVOS

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Um dos mais gritantes aspectos do mau estado de conservação do painel de azulejos da autoria de Júlio Pomar e Alice Jorge, na Av. Infante Santo, em Lisboa, era a existência de grandes lacunas integrais principalmente nas zonas figurativas ali representadas.

A visível degradação do suporte devido a problemas estruturais, com argamassas de reboco e assentamento bastante envelhecidas, foram, entre outras, algumas das causas para a perda irremediável dos azulejos originais; mas se no diagnóstico do estado de conservação do painel, executado antes da intervenção de restauro, constava que os azulejos se encontravam em risco de destacamento da superfície de suporte, a verdade é que, aliado a este facto que também acontecia, muitos deles foram “caindo” estratégica e curiosamente apenas nas zonas figurativas – que por si só poderiam formar pequenos painéis independentes.

A segunda fase da manufactura das réplicas para este painel, depois da produção quase em série das 650 unidades de padronagem, foi então a da pesquisa, reconstituição, elaboração de desenhos, procura de cores, abertura de muitas, muitas máscaras, pintura e enforna de cerca de mais 150 azulejos que finalmente devolvessem as personagens desaparecidas ao painel e também a sua integridade inicial. E aí o trabalho foi bastante mais moroso.

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PADRONAGEM MODERNISTA

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Dos 800 azulejos que tive de executar para o painel do Júlio Pomar e da Alice Jorge,  na Av. Infante Santo,  em Lisboa, cerca de 650  unidades foram para colmatar as lacunas existentes na padronagem que forma todo o fundo do painel e sobre a qual aparecem, então, as figuras soltas, representativas da vida quotidiana da Lisboa de então.

A padronagem existente é composta por azulejos de tipologias diferentes, que se repetem e conjugam formando módulos distintos e o número de azulejos a replicar variou consoante cada tipologia, de acordo com as necessidades dos originais em falta ou em avançado mau estado de conservação.

O maior problema – como sempre – foi o da afinação das cores; nenhuma delas era lisa e directa, mas sim uma mistura de tons dada pela sobreposição de vidrados, técnica muito querida pelos ceramistas modernistas, mas que eu pouco dominava, habituada como estava aos óxidos e tintas de alto fogo comuns da azularia tradicional dos séculos anteriores.

Começou assim a saga das experiências de vidrados; primeiro em busca dos tons lisos, opacos e transparentes; depois sobrepondo uns com os outros, opacos por baixo e transparentes por cima e vice-versa, que os resultados são diferentes. E ainda a recriação do mesmo efeito esponjado que os vidrados originais tinham; com esponja, ora bem, mas com qual esponja, mais miúdinha, menos miúdinha, e o efeito, mais aberto ou mais fechado? E fazê-lo vezes sem conta, sempre igual?

Finalmente e depois de tempo a mais do que o que eu tinha previsto, consegui que me aprovassem as cores todas – diga-se em abono da verdade, que os próprios originais variavam muitíssimo entre si e estávamos a ser mais papistas do que o papa. E depois de abrir as estampilhas necessárias a cada tipologia, pude por fim começar a produção em série dos azulejos, tentando executar manualmente os mesmos gestos e procedimentos sempre da mesma forma, 650 vezes, sobrepondo cores sobre cores, até estarem todos prontos para irem para a parede.

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CINTRA

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Saiu ontem do forno o painel de azulejos que tenho andado a fazer já há alguns meses, durante as horas vagas, entre este e aquele trabalho mais institucional. Trata-se da encomenda de uma réplica de um painel de azulejos, ao meu critério, com cerca de 42x56cm, que me foi feita (há que tempos!) para uma casa de praia na zona de Sintra.

Em vez de uma réplica de um painel, resolvi trabalhar numa idéia que já tinha tido há muito tempo e pegando nalguns motivos soltos retirados da azulejaria tradicional portuguesa ao longo dos séculos, adaptei-os a chacotas manuais de diferentes tamanhos e fiz uma composição de réplicas – uma espécie de patchwork -, montando um painel com as dimensões pretendidas, numa composição que decidi ter por tema a Serra de Sintra.

Assim sendo, cercaduras, padronagens pombalinas, figuras avulso e motivos figurativos vários, saídos dos séculos XVII e XVIII aludem à fauna, à flora, ao mar, ao Monte da Lua e à Nossa Senhora da Praia. A Cintra.

ASSENTAMENTO

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Acabámos hoje o assentamento dos azulejos neo-clássicos na Academia Militar – eu e o Sr Zé Diogo.  As juntas já estão fechadas e os vidrados limpos. Agora já não falta muito; preenchimentos de falhas de vidrado – poucos – e integração cromática.

CERÂMICA MURAL

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Sexta-feira passada chegou-me mais um pedido para fazer um orçamento; desta vez tratam-se de dois painéis cerâmicos compostos por lajes em tijoleira, com o interior vidrado e pintado e que ladeiam a entrada de um edifício dos anos 50/60, em Lisboa. O autor é desconhecido – pelo menos para mim, que não encontrei nenhum vestígio da sua assinatura, nem nenhuma data de execução.

 

NA PAREDE!

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Está na parede o painel de azulejos que produzimos, da autoria da designer Ana Baliza e que assinala o centenário da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. O painel é baseado no logotipo da faculdade e representa um ano, com os doze meses e os respectivos dias de cada mês – a leitura é feita de cima para baixo. Estou muito satisfeita com o resultado; aqui na oficina ainda não o tínhamos visto todo montado – tem cerca de quatro metros de altura por um metro e meio de largura. Agora é fazer uma pintura em toda a parede e está pronto para a inauguração.

POEIRADA E ENTULHO

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Preparamo-nos para começar o assentamento do painel de azulejos que fizemos no fim do ano passado e que assinala o centenário da Faculdade de Ciências de Universidade de Lisboa. Para já, foi preciso abrir uma caixa em profundidade na parede, com cerca de quatro metros de altura por um metro e meio de largura, uma vez que a autora do painel quer que os azulejos fiquem à face desta – o que também me parece melhor. E depois de muita poeirada e algum entulho, está pronta.

ENTREGUE!

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Missão cumprida.

Apesar do prazo inicialmente previsto para a manufactura deste painel ter sido reduzido inesperadamente – de oito meses passámos a ter dois; apesar de estar muito frio e humidade e os 372 azulejos demorarem bastante mais a secar; apesar de se ter metido pelo meio do trabalho (na verdade não se meteu; já estava prevista e combinada muito antes), uma feira de Natal com produção para fazer; apesar de eu ter estado super-constipada com direito a febre e tudo; apesar do forno maior ter-se avariado e perder-se uma semana de cozedura de vidrados – só cabem oitenta azulejos de cada vez e sempre que se faz uma fornada só se consegue abrir o forno passados dois dias-, apesar de se ter metido – aqui sim – pelo meio, a conclusão de um trabalho de restauro que estava parado desde Setembro e agora de repente tinha de ser acabado até ao fim de 2012 (que mania!), sob ameaça de «abrir-se a carteira da Isabel Colher»; apesar do Natal e do fim de ano e das festas e da família; apesar disto tudo, conseguimos.

Fomos ontem, às 16,20h, entregar o painel de azulejos à Faculdade de Ciências de Lisboa, dentro do prazo estipulado – era até dia 31 de Dezembro, mas fomos logo avisadas que era possível não encontrarmos lá ninguém na segunda-feira e que o melhor seria ir dia 28, até às 16.30h. Saímos de lá com a declaração «Entregue» assinada.

E agora vou dormir um bocadinho.