REASSENTAMENTO

Comecei hoje a segunda fase da intervenção de conservação e restauro dos azulejos/placas cerâmicas pertencentes ao painel da autoria de Lino António, no Instituto de Medicina Tropical.

Os azulejos das três primeiras fiadas encontravam-se bastante fracturados e fissurados  e estavam em risco de destacamento da parede – que, por sua vez, apresentava muitos vestígios de humidade.  Durante a primeira fase da intervenção procedeu-se ao levantamento dos azulejos, limpeza de argamassas dos tardozes, consolidações e fixações pontuais de vidrados em risco de destacamento e colagem de fragmentos. Hoje, depois de um tempo de espera para tratamento da parede e das infiltrações do telhado, reassentámos os azulejos com argamassa tradicional, à base de cal e areia e daqui a uns dias voltamos lá para fechar as juntas e dar seguimento ao restauro de pequenas lacunas e falhas de vidrado.

ÚLTIMA ETAPA

Entrámos ontem na última etapa da intervenção de conservação e restauro do conjunto azulejar do Pátio dos Canhões, no Museu Militar – a integração pictórica. São muitos os preenchimentos a integrar; o trabalho é moroso, mas já deu para reparar que, com apenas uma tonalização se devolve a integridade original aos azulejos e os painéis surgem restaurados. Ainda não há previsões para terminar a obra, mas com alguma calma,  método e reforço da equipa, espero conseguir que tudo esteja feito até finais de Abril – no fim desta semana já se deve ter uma estimativa de quanto mais tempo ainda iremos precisar.

PREENCHIMENTOS

Segue a bom ritmo o trabalho no Museu Militar: após uma pausa de três meses, continuam-se agora a fazer e rectificar preenchimentos. Na fachada Norte, o painel da Batalha do Ameixial – cujo estado de conservação era deplorável – tem neste momento quase todas as falhas de vidrado e as fracturas preenchidas, depois de ter sido levantado integralmente, sofrido uma dessalinização e novamente assente na parede com argamassa tradicional à base de cal e areia. Após este tempo de pausa, não há vestígios de sais, o que me deixa mais tranquila com a dessalinização que foi feita.

Como parece que não vai chover tão cedo – ao contrário do resto do país, neste caso dá bastante jeito – decidi adiantar o início da integração cromática em duas semanas e começá-la já na próxima segunda-feira. A ala Sul está toda pronta e a Oeste quase, o que significa que as tarefas se podem ir fazendo em paralelo e assim ganhamos tempo. É melhor jogar pelo seguro e avançar aqui o mais possível agora, antes que arranque o trabalho no nº5 e a pressão se comece a instalar.

RUA DA ASSUNÇÃO, Nº 88 – TERMINADO!

Não fosse esta constipação que me está a deitar abaixo há dois dias e hoje tinha um motivo para ir comemorar: dois meses depois do previsto e alguns  €€€ fora do orçamento, acabei – finalmente! – a intervenção no 88! (Quando digo acabei, quero dizer que dei como acabado, porque ali ainda tudo pode acontecer). 7750 azulejos do séc. XIX, divididos em vários painéis de padronagem pombalina e figurativos D. Maria que foram levantados, reorganizados, restaurados e reassentados nos novos apartamentos dos cinco pisos do edifício pombalino da Rua da Assunção, nº 88, em Lisboa. Estou satisfeita; até o primeiro lance das escadas, que tinha sido quase todo roubado, resultou bem – improvisado com  azulejos soltos de padronagem e cercaduras que sobraram dos outros painéis. Agora é tratar de fazer o relatório da intervenção, entregá-lo e receber o que ainda falta. E depois, é fazer rapidamente a agulha para outro lado, tentando esquecer tudo isto. Mas não aquilo que aprendi – que ainda foi bastante.

ELE HÁ DIAS…

Apesar da obra ainda não ter terminado, começaram a chegar os móveis ao 88: camas, colchões, sofás, espelhos, quadros, candeeiros. E com eles, chegou também a decoradora – simpática e despachada; perguntou-me logo se eu tinha tirado o curso na Ricardo Espírito Santo, claro e queixou-se do pó. Era a minha deixa para lhe perguntar porque é que estava um espaldar de cama colado com silicone a um  painel de azulejos, que tanto trabalhinho tinha dado e redado a tratar e que agora está tapado integralmente, mas não tive coragem. Convenhamos que a cama, apesar de parecer em plástico, é de madeira lacada e o painel… bom, não se pode dizer que esteja todo tapado, sempre se vê um bocadinho; eu também já estou a ser mázinha! Enfim, «é um trabalho de paciência!», disse-me ainda a senhora, enquanto me observava a pintar alguns preenchimentos de falhas de vidrado, ao que eu respondi «ele há dias…».

STA. ENGRÁCIA

Há mais de um mês que estou na recta final da intervenção de levantamento, tratamento e reassentamento dos painéis de azulejos do 88. Trata-se de uma recta muuuuuito looooonga; sempre que lá vou, para dar os retoques finais, perco ainda algum tempo a limpar novamente o que já estava limpo, ou a pôr uma massinha nalgum azulejo que tinha escapado – tal era a quantidade de coisas constantemente à frente dos painéis – ou ainda a ter de esperar que os electricistas ou os pintores ou os carpinteiros acabem de fazer o que têm de fazer antes de eu poder trabalhar. O mais engraçado é que me garantem sempre «Isabel, pode vir, já não está lá ninguém e queremos entregar a chave esta semana» e eu vou, decidida a acabar aquilo (falta-me sempre muito pouco para terminar) e no meio da poeirada vejo as mesmas equipas a refazerem o seu trabalho, ou a partirem algum tecto ou parede – ou algum azulejo. As senhoras da limpeza também lá andam, pelo menos desde antes do Natal, não sei bem a fazer o quê; coitadas, são mais umas que vão ter de refazer o seu trabalho não sei quantas vezes. Enfim, há que ver as coisas pelo lado positivo; pelo menos começo o ano com trabalho – apesar de ser sempre e ainda o mesmo trabalho e não ganhar nem mais um tusto por isso – o que, psicologicamente, resulta.

EM STAND BY…

Temos os dois trabalhos parados, por motivos bastante diferentes.

No Museu Militar, os azulejos e as réplicas foram já todos reassentes e agora, com as paredes pintadas, o Pátio dos Canhões já parece outro, sem que se vejam grandes lacunas – aparentemente, o trabalho está terminado. Os painéis estão limpos, as superfícies de junta estão fechadas e os preenchimentos, exeptuando os da fachada Norte, estão todos feitos. Falta, no entanto, a integração cromática, a qual é muito complicada fazer-se com o frio que tem estado e o grau de humidade ali existente, principalmente de manhã – temos de nos lembrar que o rio é mesmo ali ao lado e chega a inundar uma das salas mais baixas do Museu. Estamos a pensar usar pigmentos aglutinados em cola; cola essa que reage muito mal com o frio e a humidade, facto pelo qual e de acordo com a fiscalização de obra, se decidiu parar até ao início da Primavera, quando o tempo começar a aquecer um pouco mais. De modo que… arrumámos o estaleiro, metemos tudo na carrinha e trouxemos as coisas todas de volta aqui para a oficina.

No 88… as réplicas estão feitas; os painéis estão todos de volta às paredes; as juntas todas betumadas; as escadas prontas com azulejos «inventados» dos que sobraram – visto que os dali tinham sido roubados quase na sua totalidade; os rodapés colocados e recolocados inúmeras vezes, os azulejos limpos e relimpos e relimpos e re…; os preenchimentos feitos e pintados, apesar de toda a poeirada e porcaria que já devem ter em cima. O que é que falta ainda? Na verdade, pouco; muito pouco, quatro ou cinco painéis do primeiro piso que ainda estão por preencher e pintar e uma tranche que supostamente teria de ser paga nesta altura – após o assentamento – e que teima em não vir, apesar de ter sido aceite nas minhas condições de pagamento.

FACHADA NORTE

Estão de volta à parede todos os painéis de azulejos da fachada Norte, incluindo o Ni-2, que esteve quase cinco semanas em dessalinização e todas as réplicas que foram necessárias fazer. A vista geral do pátio é já muito diferente e nesta fase, com todos os azulejos limpos, juntas fechadas e praticamente todos os preenchimentos feitos, quase parece que o trabalho está terminado – apesar da descoberta de mais um tubo de água todo rachado e com falta de alguns bocados no interior da parede da fachada Este, o que obrigou ao levantamento de não sei mais quantos azulejos que já estavam quase dados por terminados. Mas tudo bem, estou satisfeita com esta intervenção e ao que parece, até à data, o Estado Maior do Exército também.

RESTAURADO!

Primeiro painel de azulejos acabado no 88! (Bom, bom; ainda falta proteger a integração cromática com cera microcristalina, mas amanhã de manhã, logo cedo pela fresquinha, vou aplicá-la sobre os preenchimentos e aí sim; pode-se proteger todo o painel com cartão antes que venham os barradores, ou os electricistas, ou os carpinteiros, ou os pedreiros, ou os pintores e nos sujem aquilo tudo de novo e a gente tenha do limpá-lo aí pela 4ª vez!…) E para ali não volto!

INSTITUTO DE MEDICINA TROPICAL

Começou hoje a intervenção de emergência no painel de azulejos da autoria de Lino António, no Instituto de Medicina Tropical, em Lisboa. Quando me ligaram, no fim da semana passada, a perguntar qual era a minha disponibilidade para iniciar o trabalho, respondi «imediata!», apesar de andar a distribuir o meu tempo entre o 88, o Museu Militar e a oficina; ou seja, não tinha disponibilidade nenhuma. Felizmente, tenho um colega chamado Loubet, que também faz parte da equipa maravilha e que tem estado de reserva, desde que chegou do Pinhão, pronto para entrar na fase da integração cromática lá no Pátio dos Canhões, a qual eu tencionava  começar muito em breve – fase esta que agora vai ter de ser adiada mais umas duas semanas, uma vez que é ele quem vai tratar deste painel.