Faz hoje uma semana que começámos a intervenção de conservação e restauro dos azulejos do Pátio dos Canhões, no Museu Militar. Apesar de ainda ser cedo para balanços, o trabalho corre a bom ritmo: as quatro fachadas foram identificadas por Norte, Sul, Este, Oeste e os registos gráficos dos painéis inferiores estão já todos prontos – cerca de 15 por cada uma. Eu tenho andado entretida a fazer quebra-cabeças com os azulejos soltos que caíram ou foram retirados in-extremis e que me foram entregues em caixas com pouca ou nenhuma marcação; numa tentativa de montar as zonas que faltam nos painéis da fachada Norte, a que apresenta mais problemas de conservação e consequentemente também grandes lacunas azulejares. A coisa não é fácil, mas aos poucos lá vai e neste momento já estão montadas três grandes zonas. E amanhã passo àquilo que eu chamo de cacaria…
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ORÇAMENTO
Mais um orçamento para fazer! Desta vez, este pequeno painel de azulejos, que se encontra no Entroncamento. Não gosto de fazer orçamentos por fotografia; a experiência diz-me que é arriscar muito, mas depois de ter falado com o Ivo, chegámos à conclusão que não há necessidade de eu lá ir – sempre é um dinheiro que se poupa. Os azulejos já foram levantados da parede e agora o que se pretende é uma intervenção de conservação e restauro museulógica e montagem do painel em suporte móvel de acrílico, o que, segundo as nossas contas, será trabalho para um mês. E pronto, agora vai ser o costume: pensar, fazer o orçamento e ficar à espera, à espera…
AGORA SIM
Conforme o previsto, está concluída a primeira fase de levantamento e tratamento dos painéis de azulejos do 88, incluíndo a série de trabalhos extra, que se fizeram nos sete dias estipulados. Mais uma vez tenho a agradecer à minha equipa de colaboradores, que vestiu a camisola e se empenhou na obra como se se tratasse de um trabalho de todos e não apenas meu – graças a eles os prazos foram cumpridos. O estaleiro está arrumado, o material e a ferramenta estão guardados e hoje à tarde vamos fazer uma campanha de cargas e descargas aqui para a oficina. Agora é esperar pelo arranque da segunda fase, para reassentamento dos azulejos nas paredes e posterior restauro; a qual, segundo me foi dito, deverá começar lá para finais de Agosto.
O QUE SOBRA
Fechámos ontem a última caixa dos painéis de azulejos retirados do 88. Estou satisfeita! 82 voltam, 54 permanecem no seu lugar, devidamente protegidos da brigada de destruição que arranca chão, paredes e madeiras e toda a restante memória daquele prédio pombalino – lembraram-se dos azulejos, vá lá! Dos restantes 46 painéis que ficam de fora reorganizámos todo o conjunto que irá voltar para as paredes: colmatámos lacunas; encontrámos cinco tipos de cercaduras onde outros as misturaram; retirámos inúmeras unidades que definitivamente não eram dali; substituímos azulejos em extremo mau estado de conservação devido principalmente às sucessivas empreitadas que foram acontecendo naquele prédio e que em nada os respeitaram – antes muito pelo contrário. E agora trata-se de encaixotar todos aqueles que sobraram e que vão ser inventariados e acondicionados num armazém, ao pé de mais não sei quantos caixotes com azulejos, todos à espera de ver o que é que lhes acontece. Foi isso que começámos a fazer hoje e é o que vamos fazer amanhã.
SÓ UM
Continuamos a encaixotar painéis de azulejos lá no 88; limpos de argamassas e vidrados, colados e reorganizados, prontos para mais tarde voltarem para a parede. Dos 82 painéis que vão voltar, amanhã fechamos mais três e fica só a faltar um! Estou muito satisfeita com este trabalho e principalmente com a minha equipa, que se tem revelado com bom espírito de entreajuda, para além de ser responsável e trabalhar bem. Hoje recebemos todos bastantes elogios (e não é a primeira vez!) tanto da empresa que nos contratou como dos donos do prédio – acho que eles não estão habituados a que se cumpram os prazos…
FINALMENTE!
Entrámos na recta final da primeira fase da intervenção de conservação e restauro dos painéis de azulejos lá do 88. Na sexta-feira passada terminámos – finalmente! – a remoção de tintas sobre os vidrados; este foi o último painel a ser limpo, um dos maiores e mais trabalhosos, por sinal. Podem-se observar quatro fiadas que não são originais do painel; por algum motivo o mesmo teve de ser acrescentado, talvez para ser inserido na sala onde estava no terceiro andar. De qualquer modo, não há registos nenhuns sobre a origem de todo este conjunto azulejar, nem sobre as intervenções que foram sendo feitas ao longo dos tempos…
AZULEJOS DE RODAPÉ
Continuamos a encaixotar painéis de azulejos prontos para saírem lá do 88. O trabalho segue a bom ritmo e os levantamentos estão terminados; agora é só uma questão de tratar dos azulejos – limpar as argamassas, limpar os vidrados e colar fracturas. Optámos por deixar para o fim os azulejos de rodapé, que na maior parte dos casos e em todos os pisos se encontravam metidos cerca de dois centímetros dentro do soalho, o que dificultou a sua remoção da parede, para além de muitos já estarem fracturados. Curiosamente, neste prédio as cores dos azulejos de rodapé variam bastante do que é normal, sendo as mais comuns o azul e o manganês e não parece ter havido nenhuma lógica para a sua utilização, pois estão um pouco misturadas pelas várias salas de cada andar. Vamos encaixotá-los todos juntos, à parte e por cores.
MESA DE COLAGENS
Apesar da minha experiência de quase 20 anos a restaurar azulejos, há sempre algumas coisas que conseguem escapar. Quando fiz o orçamento para este trabalho no 88 e respectivo planeamento de tarefas e tempos previstos para cada fase, cometi alguns erros crassos que já tinha obrigação de saber. Senão, vejamos: incluí-me na equipa de levantamento dos azulejos, a qual planeei decorrer em simultâneo com a equipa de limpeza e tratamento dos mesmos e na qual também me inseri; subestimei a tarefa de limpeza de tintas dos vidrados, que está a dar água pela barba e que apesar do seu bom andamento, demora muito mais do que o previsto; não me lembrei que alguém (eu própria) tinha de tratar de toda a logística do trabalho como a compra de materiais e toda a organização de papeladas, contabilização de painéis e tudo o mais inerente ao decorrer da obra; finalmente, devia ter-me lembrado que alguém deveria estar exclusivamente a fazer colagens de fracturas e falhas de vidrado, tarefa que tenho sido eu a fazer ultimamente para que se possam despachar painéis completos dali para fora. O mais engraçado é que, no meio disto tudo, ainda pensei que iria ter dois dias livres por semana para ficar aqui na oficina a tratar da minha produção cerâmica… O que vale é que a minha equipa de trabalho é bastante expedita e felizmente lembrei-me de dar margens de tempo para o cumprimento desta fase. Portanto, está tudo bem.
NÃO VOLTAM
A intervenção de conservação e restauro dos cerca de 7750 azulejos que fazem parte do conjunto azulejar dos cinco andares lá do 88, prevê acontecer três coisas distintas: 6368 são para levantar das paredes; 1382 são para manter nas paredes e fazer um tratamento in situ e 5032 são para assentar de novo nas paredes, mas em locais diferentes e até em pisos diferentes dos de onde estavam colocados originalmente. Isto quer dizer que vão haver 1336 azulejos, distribuídos por vários painéis, que não vão voltar para as paredes e apurar quais eles eram foi coisa que ainda deu algum trabalho e me obrigou a olhar com atenção para as plantas de reassentamento de todo o edifício e contabilizar todos os painéis que estão previstos voltar para cada andar, assim como todos os que se irão manter no local, para conseguir, por exclusão de partes, apurar aqueles que ficam de fora. Tudo isto foi feito num serão lá em casa, logo na primeira semana de trabalho em que estive sózinha e apesar do cansaço do dia, parece que ainda não me enganei em nada e tudo tem estado a bater certo até agora.
PÁTIO DOS CANHÕES
Como se já não tivesse pouco em que pensar, fui contactada a semana passada para fazer um orçamento para uma intervenção de conservação e restauro de todo o conjunto azulejar do Pátio dos Canhões, no Museu Militar, ali ao pé de Santa Apolónia. E como sempre, querem um orçamento com urgência… São só cerca de 12800 azulejos para intervir, dos quais uns 5000 têm de ser levantados das paredes e o resto tratados in situ, tudo distribuído nem sei ao certo por quanto painéis. Todo o conjunto azulejar está em péssimo estado de conservação e já prevejo trabalho para cinco ou seis meses. Não há fome que não dê em fartura!…








