FÁBRICA DAS DEVESAS

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Foram-me entregues estes azulejos para eu fazer réplicas.

São datados de 1907 e no tardoz têm a marca da Fábrica das Devesas. São lindos; adoro! E também são pouco comuns – ou então, eu é que ainda não tinha visto nenhum; estes por exemplo, pertencem a um friso do cimo de uma fachada de um prédio em Lisboa, ali para os lados do Castelo.

Tenho de fazer 18 réplicas, 7 topos e 11 centros. E não faço ideia como.

CERÂMICA MURAL

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Sexta-feira passada chegou-me mais um pedido para fazer um orçamento; desta vez tratam-se de dois painéis cerâmicos compostos por lajes em tijoleira, com o interior vidrado e pintado e que ladeiam a entrada de um edifício dos anos 50/60, em Lisboa. O autor é desconhecido – pelo menos para mim, que não encontrei nenhum vestígio da sua assinatura, nem nenhuma data de execução.

 

PADRONAGEM POMBALINA

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Estamos finalmente a terminar a intervenção do nº 31, no Chiado, em Lisboa. O trabalho começou no verão passado e foi dividido por três fases: inventariação e separação de cerca de sete mil azulejos armazenados aleatoriamente na cave do edifício; selecção e montagem de paineis e posterior tratamento de conservação e restauro na oficina e, por fim, assentamento dos azulejos, preenchimentos e integração cromática in situ  – o que estamos a fazer agora. Amanhã damos o trabalho por concluído, depois da aplicação da cera microcristalina.

RUA DA ASSUNÇÃO, Nº 88 – TERMINADO!

Não fosse esta constipação que me está a deitar abaixo há dois dias e hoje tinha um motivo para ir comemorar: dois meses depois do previsto e alguns  €€€ fora do orçamento, acabei – finalmente! – a intervenção no 88! (Quando digo acabei, quero dizer que dei como acabado, porque ali ainda tudo pode acontecer). 7750 azulejos do séc. XIX, divididos em vários painéis de padronagem pombalina e figurativos D. Maria que foram levantados, reorganizados, restaurados e reassentados nos novos apartamentos dos cinco pisos do edifício pombalino da Rua da Assunção, nº 88, em Lisboa. Estou satisfeita; até o primeiro lance das escadas, que tinha sido quase todo roubado, resultou bem – improvisado com  azulejos soltos de padronagem e cercaduras que sobraram dos outros painéis. Agora é tratar de fazer o relatório da intervenção, entregá-lo e receber o que ainda falta. E depois, é fazer rapidamente a agulha para outro lado, tentando esquecer tudo isto. Mas não aquilo que aprendi – que ainda foi bastante.

ANO NOVO!

  

Não me posso queixar: entro em 2012 logo a fazer um orçamento. Para um trabalho pequeno, bem sei; mas sempre é um orçamento de conservação e restauro de azulejos e provavelmente será aceite. Trata-se de um hall de entrada de um prédio dos anos 30, com painéis de azulejos figurativos executados na extinta Fábrica Lusitânia – da qual apenas resta a chaminé, conservada no exterior do edifício da Culturgest, ali no Campo Pequeno. O trabalho é simples e não tem nada que saber; o mais complicado ainda há-de ser a manufactura de cerca de catorze ou quinze réplicas de azulejos, que desapareceram (claro está!) e cujas chacotas, em pó de pedra e com aquelas dimensões, já não se fabricam. Mas enfim, nada que não se faça e que não se consiga orçamentar.

REUNIÃO NO 88

Ontem fui a uma reunião no 88, para preparação e previsão do início da segunda fase do trabalho, a do assentamento dos azulejos. Cheguei à hora marcada, – que eu gosto de ser pontual – e  fui recebida pelo engenheiro sub-chefe, que me abriu a porta a falar ao telemóvel e me fez sinal para eu entrar. Ali fiquei, sentada à espera que ele tratasse dos seus assuntos e também do engenheiro chefe, que era quem queria falar comigo. Passado um bocado entrou o encarregado da obra, que vinha a falar ao telemóvel e que, depois de espreitar para a sala e me cumprimentar com um aceno de mão, tornou a sair, fechando a porta. Eu lá continuei sentadinha no mesmo lugar, a fingir que não estava a ouvir a conversa, até que algum tempo depois aparece finalmente o engenheiro-chefe, muito atarefado a tratar de imensas questões pelo telemóvel. A reunião foi decorrendo entre telefonemas para aqui e telefonemas para ali e a dada altura senti-me um bocado parva por insistir  em manter-me na área do restauro e não na das telecomunicações. Finalmente fomos dar uma volta pelo prédio, que está caótico, com imensas equipas a trabalharem ao mesmo tempo e o engenheiro-chefe disse-me para eu estar preparada para arrancar a meio da semana que vem, apesar de eu não perceber bem por onde e acho que ele também não.  Depois disto fui dispensada da reunião e saí de lá com muito mais questões do que quando entrei… Acho que lhes vou ligar.

O REI DAS PELES

Nos tempos áureos do 88 era lá que funcionava O Rei das Peles;  três pisos só por sua conta. Agora, há dois meses que o prédio está a ser demolido: picaram-se paredes até ao osso, arrancaram-se chãos e tectos, tiraram-se barrotes de madeira podre, enfim; só contentores de entulho já saíram dali uns cinquenta. Ainda assim e apesar da movimentação dos trolhas escada acima, escada abaixo, há  coisa de duas ou três semanas houve um casal que conseguiu subir por entre a poeirada, até ao segundo andar, para nos perguntar, com ar espantado «a loja está a funcionar?», ao que  deveríamos ter respondido, dentro das máscaras, capacetes e óculos de protecção, «claro que sim, o que é que deseja?».

TERMINADO

Dei hoje por terminada a primeira fase da intervenção de conservação e restauro do conjunto azulejar do 88. Cerca de 6300 azulejos, divididos por vários painéis em quatro andares, foram levantados das paredes, tratados e acondicionados provisoriamente em caixas de cartão devidamente identificadas; muito dentro do prazo previsto.  Agora, mais um dia ou dois para arrumar todo o estaleiro e levar tudo de volta para a oficina… e daqui a dois ou três meses tornar a trazer tudo de novo para dar início à segunda fase do trabalho e ao reassentamento dos azulejos na parede.

O QUE SOBRA

Fechámos ontem a última caixa dos painéis de azulejos retirados do 88. Estou satisfeita! 82 voltam, 54 permanecem no seu lugar, devidamente protegidos da brigada de destruição que arranca chão, paredes e madeiras e toda a restante memória daquele prédio pombalino – lembraram-se dos azulejos, vá lá! Dos restantes 46 painéis que ficam de fora reorganizámos todo o conjunto que irá voltar para as paredes: colmatámos lacunas; encontrámos cinco tipos de cercaduras onde outros as misturaram; retirámos inúmeras unidades que definitivamente não eram dali; substituímos azulejos em extremo mau estado de conservação devido principalmente às sucessivas empreitadas que foram acontecendo naquele prédio e que em nada os respeitaram –  antes muito pelo contrário. E agora trata-se de encaixotar todos aqueles que sobraram e que vão ser inventariados e acondicionados num armazém, ao pé de mais não sei quantos caixotes com azulejos, todos à espera de ver o que é que lhes acontece. Foi isso que começámos a fazer hoje e é o que vamos fazer amanhã.

AZULEJOS DE RODAPÉ

Continuamos a encaixotar painéis de azulejos prontos para saírem lá do 88. O trabalho segue a bom ritmo e os levantamentos estão terminados; agora é só uma questão de tratar dos azulejos – limpar as argamassas, limpar os vidrados e colar fracturas. Optámos por deixar para o fim os azulejos de rodapé, que na maior parte dos casos e em todos os pisos se encontravam metidos cerca de dois centímetros dentro do soalho, o que dificultou a sua remoção da parede, para além de muitos já estarem fracturados. Curiosamente, neste prédio as cores dos azulejos de rodapé variam bastante do que é normal, sendo as mais comuns o azul e o manganês e não parece ter havido nenhuma lógica para a sua utilização, pois estão um pouco misturadas pelas várias salas de cada andar. Vamos encaixotá-los todos juntos, à parte e por cores.