NIVELAR E RECTIFICAR

Está praticamente terminada a tarefa mais morosa da intervenção de conservação e restauro dos tijolos vidrados do pórtico de entrada na Estufa fria, em Lisboa; faltam apenas nivelar e rectificar um ou dois preenchimentos. Ainda hoje está previsto o início da integração cromática, que em princípio vai ser rápida – assim se encontrem os tons pretendidos; mas, uma vez que se trata de restauro a frio, não me parece que seja muito complicado.

O SR. CASTRO

O Sr. Castro tem sido uma presença constante e atenta desde o início da intervenção de conservação e restauro dos azulejos do Pátio dos Canhões – o Sr. Castro é motorista de um dos carros pretos e sempre brilhantes que ali costumam estar estacionados e passa muito tempo à espera de ter de ir a algum lado. O Sr. Castro acompanhou todas as fases do trabalho ao longo destes seis meses: o levantamento dos azulejos; a montagem dos painéis no chão; as colagens; a dessalinização; o reassentamento nas paredes; os preenchimentos e agora, a integração cromática. O Sr. Castro é conversador e é também um amante e um curioso  destas coisas; ao que parece, percebe de materiais e gosta, ele próprio, de meter a mão na massa e assim sendo, vai falando das «epoxes» e da cal, vai tirando apontamentos e vai dando a sua opinião. O Sr. Castro é muito simpático e prestável; foi graças a ele que fomos visitar a Sala dos Gessos e foi ele que hoje já nos veio dizer que quer organizar um almoço de despedida para a semana que vem, agora que estamos a acabar a obra. O Sr. Castro é um castiço – obrigada por tudo, Sr. Castro, vamos ter saudades suas.

PAINEL A PAINEL

Depois de todos termos visto o boletim meteorológico ontem à noite, decidimos que hoje ninguém vinha para o Museu Militar; supostamente ia chover o dia todo – o que afinal acabou por não acontecer. Nestes últimos dias temos andado a trabalhar e a parar constantemente, o que, vendo bem as coisas, acaba por interferir não só no ritmo de trabalho, como no material que se desperdiça e principalmente, naquilo que se faz e que se arrisca a ter de fazer novamente.

De qualquer modo, a intervenção avança dentro do previsto; aos poucos as inúmeras manchas brancas dos preenchimentos vão desaparecendo e a integração cromática vai sendo dada por terminada – azulejo a azulejo, painel a painel, ala por ala. Já percebi que o prazo que eu tinha estipulado para terminar o trabalho não vai ser cumprido, mas, se o tempo ajudar, espero dá-lo por concluído em meados de Maio.

EQUIPA REFORÇADA

    

 

Não fosse a chuva de hoje, que nos obrigou a interromper o dia e estaríamos sete – contando comigo – a trabalhar nos painéis do Pátio dos Canhões, no Museu Militar. A equipa foi reforçada para esta etapa final que, se correr bem, tenciono que acabe daqui a um mês. Há muito trabalho pela frente e bastante moroso: entre inferiores e superiores, faltam preencher ainda alguns painéis e sobretudo, fazer a integração cromática em quase todos. De momento a equipa está dividida equitativamente entre tarefas – eu vou dando uma maõzinha onde for preciso e rectificando pequenos pormenores que foram deixados para trás -, mas para a semana mais duas pessoas transitarão para a pintura. E penso que assim todas as frentes estarão cobertas – até surgir uma estratégia melhor.

ÚLTIMA ETAPA

Entrámos ontem na última etapa da intervenção de conservação e restauro do conjunto azulejar do Pátio dos Canhões, no Museu Militar – a integração pictórica. São muitos os preenchimentos a integrar; o trabalho é moroso, mas já deu para reparar que, com apenas uma tonalização se devolve a integridade original aos azulejos e os painéis surgem restaurados. Ainda não há previsões para terminar a obra, mas com alguma calma,  método e reforço da equipa, espero conseguir que tudo esteja feito até finais de Abril – no fim desta semana já se deve ter uma estimativa de quanto mais tempo ainda iremos precisar.

PREENCHIMENTOS

Segue a bom ritmo o trabalho no Museu Militar: após uma pausa de três meses, continuam-se agora a fazer e rectificar preenchimentos. Na fachada Norte, o painel da Batalha do Ameixial – cujo estado de conservação era deplorável – tem neste momento quase todas as falhas de vidrado e as fracturas preenchidas, depois de ter sido levantado integralmente, sofrido uma dessalinização e novamente assente na parede com argamassa tradicional à base de cal e areia. Após este tempo de pausa, não há vestígios de sais, o que me deixa mais tranquila com a dessalinização que foi feita.

Como parece que não vai chover tão cedo – ao contrário do resto do país, neste caso dá bastante jeito – decidi adiantar o início da integração cromática em duas semanas e começá-la já na próxima segunda-feira. A ala Sul está toda pronta e a Oeste quase, o que significa que as tarefas se podem ir fazendo em paralelo e assim ganhamos tempo. É melhor jogar pelo seguro e avançar aqui o mais possível agora, antes que arranque o trabalho no nº5 e a pressão se comece a instalar.

REINÍCIO

Reiniciámos hoje o trabalho de conservação e restauro dos azulejos do Pátio dos Canhões, no Museu Militar, que foi interrompido por ser inverno e supostamente estar a chover muito – o que afinal não aconteceu; mas nada o fazia prever em novembro do ano passado, quando tivémos de parar por essa mesma razão. De facto, nem só a chuva atrapalha quando se trata de uma intervenção no exterior durante o inverno – o frio e humidade em nada ajudam quando se quer que a massa de preenchimentos seque, ou retocar com pigmentos aglutinados em cola. E ali sim, faz muito frio de manhã e o nevoeiro é bastante comum; os azulejos estão gelados e a chacota visível pelas falhas de vidrado está completamente molhada. De acordo com a fiscalização do trabalho, tínhamos decidido parar até inícios de Abril, mas uma vez que continua sem chover e já se vai sentindo um calorzinho durante o dia, decidi a semana passada que o melhor seria recomeçarmos já o trabalho, uma vez que ainda há muitos preenchimentos para se fazerem, principalmente nos painéis da fachada norte, que era a mais problemática – e assim já se vai adiantando qualquer coisa até que o tempo aqueça de vez e se possa começar com a integração cromática. Isto é, se não chover durante toda a primavera.

ELE HÁ DIAS…

Apesar da obra ainda não ter terminado, começaram a chegar os móveis ao 88: camas, colchões, sofás, espelhos, quadros, candeeiros. E com eles, chegou também a decoradora – simpática e despachada; perguntou-me logo se eu tinha tirado o curso na Ricardo Espírito Santo, claro e queixou-se do pó. Era a minha deixa para lhe perguntar porque é que estava um espaldar de cama colado com silicone a um  painel de azulejos, que tanto trabalhinho tinha dado e redado a tratar e que agora está tapado integralmente, mas não tive coragem. Convenhamos que a cama, apesar de parecer em plástico, é de madeira lacada e o painel… bom, não se pode dizer que esteja todo tapado, sempre se vê um bocadinho; eu também já estou a ser mázinha! Enfim, «é um trabalho de paciência!», disse-me ainda a senhora, enquanto me observava a pintar alguns preenchimentos de falhas de vidrado, ao que eu respondi «ele há dias…».

EM STAND BY…

Temos os dois trabalhos parados, por motivos bastante diferentes.

No Museu Militar, os azulejos e as réplicas foram já todos reassentes e agora, com as paredes pintadas, o Pátio dos Canhões já parece outro, sem que se vejam grandes lacunas – aparentemente, o trabalho está terminado. Os painéis estão limpos, as superfícies de junta estão fechadas e os preenchimentos, exeptuando os da fachada Norte, estão todos feitos. Falta, no entanto, a integração cromática, a qual é muito complicada fazer-se com o frio que tem estado e o grau de humidade ali existente, principalmente de manhã – temos de nos lembrar que o rio é mesmo ali ao lado e chega a inundar uma das salas mais baixas do Museu. Estamos a pensar usar pigmentos aglutinados em cola; cola essa que reage muito mal com o frio e a humidade, facto pelo qual e de acordo com a fiscalização de obra, se decidiu parar até ao início da Primavera, quando o tempo começar a aquecer um pouco mais. De modo que… arrumámos o estaleiro, metemos tudo na carrinha e trouxemos as coisas todas de volta aqui para a oficina.

No 88… as réplicas estão feitas; os painéis estão todos de volta às paredes; as juntas todas betumadas; as escadas prontas com azulejos «inventados» dos que sobraram – visto que os dali tinham sido roubados quase na sua totalidade; os rodapés colocados e recolocados inúmeras vezes, os azulejos limpos e relimpos e relimpos e re…; os preenchimentos feitos e pintados, apesar de toda a poeirada e porcaria que já devem ter em cima. O que é que falta ainda? Na verdade, pouco; muito pouco, quatro ou cinco painéis do primeiro piso que ainda estão por preencher e pintar e uma tranche que supostamente teria de ser paga nesta altura – após o assentamento – e que teima em não vir, apesar de ter sido aceite nas minhas condições de pagamento.

BOLINHOS

Tenho comido um bolinho quase todos os dias, sempre que saio do 88. Podia ser pior e dar-me para beber, mas ainda não; por enquanto fico-me pelos doces. O assentamento dos painéis está todo pronto, exceptuando, claro, aqueles casos em que ainda não se decidiu o que fazer com as paredes, se são em alvenaria ou em Pladur ou em Aquapanel ou ainda se eram de uma forma, mas agora vão ser de outra. Há também os casos em que as paredes prontas têm de recuar vinte centímetros e aqueles em que elas já estavam acabadas mas que afinal têm de levar duas ou três tomadas – porque ali vai ser uma cozinha – e se voltam a abrir roços e levantam-se outra vez alguns azulejos para se passarem os fios eléctricos e também aqueles em que se chega à conclusão que naquele sítio, afinal, se pode abdicar da parede; mas assim, aqueles painéis já não ficam bem ali e o melhor será passá-los para outro lado, ou rodá-los para a horizontal, o que resulta muito melhor. A poeirada continua em alta e a confusão de gente também, mas no meio disto, continuamos a fazer preenchimentos e integração cromática onde podemos e a dar por terminados uma série de painéis, os quais vão sendo encontrados cobertos de entulho ou materiais vários das outras equipas, apesar dos vários alertas que já fizemos para os protegerem e nos quais não tencionamos voltar a tocar. Nesta altura estamos todos cansados e fartos de ali estar; já só queremos despachar o trabalho o mais rápido possível e sair dali para fora. Resta-nos o «está a ficar bom!» do engenheiro chefe, ao qual ainda acrescentou se eu lhe conseguia baixar o preço unitário das réplicas.