LEVANTAMENTO DE AZULEJOS

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Na semana passada estive ocupada com um pequeno trabalho de levantamento dos silhares de azulejos das paredes Norte, Este e Sul da sacristia da Igreja de Nossa Senhora da Saúde, em Lisboa. Os silhares encontravam-se em mau estado de conservação, com muitos vestígios de intervenções anteriores: inúmeros azulejos não pertencentes nem àquele conjunto nem àquela época; superfícies de junta fechadas com cimento, azulejos assentes em cimento, claro está e ainda inúmeras falhas de vidrado e fracturas simples e múltiplas. Para agravar a situação, a forte presença de humidade nas paredes, que se faz sentir em toda a sala (não nos podemos esquecer que a antiga Ribeira de Arroios passa ali por baixo, a poucos metros de profundidade) e visível nas argamassas de assentamento principalmente da parede Este, que se encontravam encharcadas, tal como o corpo cerâmico dos azulejos aí existentes.

De qualquer modo, a intervenção pedida – o levantamento dos azulejos, originais do séc. XVIII – está concluída.

Os azulejos foram retirados da parede, os seus tardozes foram limpos superficialmente, na medida do possível – muitos apresentavam argamassas demasiado carbonatadas ou argamassas à base de cimento, o que em ambos os casos significa quase o mesmo; ou seja, um elevado grau de dureza -, as fracturas foram coladas provisoriamente, apenas para que os fragmentos não se percam e por fim os azulejos foram acondicionados em caixas de plástico até que a sacristia sofra todas as obras que precisa e se decida o que fazer com eles. Mas para já, estão a salvo.

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Como previsto, terminámos hoje a intervenção de conservação e restauro dos azulejos da escadaria principal do nº 31 da Rua Ivens, em Lisboa. Com a aprovação dos engenheiros e dos arquitectos responsáveis pela obra. Mais uma vez pude confirmar que a preservação dos azulejos antigos e originais é uma mais valia na reabilitação de um edifício – em muitos casos, talvez seja o único vestígio de autenticidade que se mantém.