ANO NOVO

2016-01-06 16.04.24

Decisão de ano novo: procurar novas lojas para comercializar as minhas peças. E é para começar já, porque depois é sabido que as decisões de ano novo vão esmorecendo com o tempo.

E produzir, claro; comecei esta semana – finalmente! – a fazer uma série de relógios de sol em barro refractário; para já, oito novos modelos, latitude 38º N – que é o mesmo que dizer centro de Portugal.

E quatro já estão a secar – o que ainda vai ser demorado.

 

 

 

GEOMETRIA

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Decidi retomar o meu antigo projecto de construção de Relógios de Sol em barro refractário, começado talvez há uns três anos e abandonado pouco tempo depois – umas e outras coisas que se foram metendo pelo meio e também algumas dificuldades técnicas não só com o gnómon, mas também com o facto de na altura ter criado dois tipos de mostradores horizontais quando queria era mostradores verticais. Baralhei-me, pronto e na altura aquilo chateou-me.

Bom, retomei então o projecto; decidi ver as coisas pelo lado positivo: pelo menos já tenho dois modelos horizontais. E mais algumas ideias para os verticais. Continuo ainda a ter de resolver a questão do gnómon e a de compreender geometria.

BÚSSOLA

Comprei esta bússola aqui há duas semanas, estou muito contente. É linda! Segundo as instruções e o meu pai, até dá para medir azimutes, o que, pelo que percebi (não percebi nada!), são direcções horizontais medidas em graus. Como não andei nos escuteiros quando era miúda, nem pertenço à Federação Portuguesa de Orientação, só sei fazer o básico com ela, ou seja, colocá-la o mais na horizontal possível e ver para onde é que aponta o Norte Magnético, esperando que não haja linhas de alta tensão, fios telefónicos ou mesmo tachos de metal por perto, para não me baralhar o sentido dos pontos cardeais. A partir daqui é fácil saber onde está o Norte Geográfico e consequentemente, o Sul, o Este e o Oeste. E isto para quê? A pensar nos meus Relógios de Sol, claro! Ainda não tenho nenhum pronto, mas nunca se sabe se terei de ir montar algum e convém direccioná-lo a Sul, para que o relógio apanhe sol o maior número de horas possível.

Já agora e, aproveitando este objecto, espero também conseguir orientar de vez a minha vida…

SOLINHO

A minha cabeça não tem parado, por mais que eu tente. Tenho uns quantos azulejos da Igreja da Lousã para restaurar, mas têm tão pouco carisma que nem me apetece tocar-lhes. Falta-lhes peso, estrutura que se sinta. Tenho andado a pensar nos meus relógios de sol e ainda não descansei enquanto não acabei os moldes dos dois primeiros que fiz, peças maciças. Estou ansiosa por ir comprar barro refractário! Não resisti e modelei mais este pequeno solinho, que ainda não sei para o que é que vai servir, talvez para uma aplicação. Quero fazer mais umas quantas e também novos carimbos, para depois poder trabalhar sobre mostradores simples, ainda na mesma linha das placas em cerâmica relevadas que tenho andado a fazer.

VIVENDAS E JARDINS!

Estou a fazer um segundo Relógio de Sol, este mais pequeno do que o primeiro. É um mostrador simples, que depois poderei completar com elementos variados, carimbos e relevos. A minha ideia, para já, é ainda fazer mais um, talvez mais clássico e ficar com um conjunto de três para ir tentar vender nalguns hortos. Sintra será um bom local e Sesimbra também. E claro, Lisboa. E Cascais, lembrei-me agora. Têm de ser lugares numa zona de vivendas com jardim e quanto maiores as vivendas e os jardins, melhor. Estou satisfeita com o meu trabalho, há quatro meses que não páro de produzir e continuo cheia de força e ideias.

Amanhã vamos para a Lousã, eu e o Loubet, começar o trabalho de restauro dos azulejos da Igreja Matriz. Vou ter de interromper a cerâmica por agora, mas preciso urgentemente que me entrem uns €€€ na conta. Lá se vai a criatividade por uns tempos, mas segundo me conheço, vou estar sempre a pensar nisto. E vendo bem, talvez até seja bom criar um certo afastamento daqui da oficina.

RELÓGIO SOLAR

Estou muito contente: acabei hoje de modelar o protótipo do meu primeiro Relógio de Sol! E com algum rigor, as posições das horas estão alinhadas de acordo com as coordenadas geográficas de Lisboa! Estou cheia de ideias novas para mais uns quantos, isto é giro! Gosto bastante de fazer este tipo de peças, que assentam sobre uma base  geométrica e, foi preciso ter feito este primeiro com quase todas as linhas estruturais de construção do mostrador, para assimilar toda a informação e possivelmente começar a simplificar. Tudo se resume a quadrados, rectângulos e circunferências e depois é só jogar com todas as hipóteses. Ainda falta o gnómon, claro, correctamente alinhado com a latitude. Depois de pronto, é só colocar numa parede virada a sul.

LATITUDE, LONGITUDE

Há já algum tempo que ando a matutar em relógios solares. As minhas noções de astronomia ficaram quase pelo que aprendi na primária e também pela ultima visita que fiz ao Planetário, tinha eu, já nem sei; aí uns sete ou oito anos. A trigonometria, mais tarde, ainda me deu alguma água pela barba, apesar de eu lá me ter safado menos mal e o trânsito do Sol não me dizia nada até há bem pouco tempo. Acho que nunca tinha pensado muito sobre isto; até agora limitei-me em ser só uma curiosa que assiste aos eclipses solares, espreita por telescópios alheios, sabe quando são os solstícios e os equinócios e gosta especialmente de cromeleques.

Aproveitei o mês de Agosto em plena natureza para ler quase todo o livro sobre Relógios de Sol, supostamente esgotado nos CTT e que afinal o meu pai tinha em casa. Ainda abordei um outro, Sundials, que o meu tio Raul, um apaixonado por estas coisas, mandou vir de propósito para mim, mas é super-técnico e ainda por cima está em inglês, de modo que a coisa é mais difícil… Felizmente também existe a net e depois de uma quanta pesquisa e leitura para complementar o que entretanto aprendi, desenhei hoje o meu primeiro mostrador de um relógio solar, rigoroso qb para ser usado na região de Lisboa. Latitude 38.709º, Longitude 9.168º.