BOLINHOS

Tenho comido um bolinho quase todos os dias, sempre que saio do 88. Podia ser pior e dar-me para beber, mas ainda não; por enquanto fico-me pelos doces. O assentamento dos painéis está todo pronto, exceptuando, claro, aqueles casos em que ainda não se decidiu o que fazer com as paredes, se são em alvenaria ou em Pladur ou em Aquapanel ou ainda se eram de uma forma, mas agora vão ser de outra. Há também os casos em que as paredes prontas têm de recuar vinte centímetros e aqueles em que elas já estavam acabadas mas que afinal têm de levar duas ou três tomadas – porque ali vai ser uma cozinha – e se voltam a abrir roços e levantam-se outra vez alguns azulejos para se passarem os fios eléctricos e também aqueles em que se chega à conclusão que naquele sítio, afinal, se pode abdicar da parede; mas assim, aqueles painéis já não ficam bem ali e o melhor será passá-los para outro lado, ou rodá-los para a horizontal, o que resulta muito melhor. A poeirada continua em alta e a confusão de gente também, mas no meio disto, continuamos a fazer preenchimentos e integração cromática onde podemos e a dar por terminados uma série de painéis, os quais vão sendo encontrados cobertos de entulho ou materiais vários das outras equipas, apesar dos vários alertas que já fizemos para os protegerem e nos quais não tencionamos voltar a tocar. Nesta altura estamos todos cansados e fartos de ali estar; já só queremos despachar o trabalho o mais rápido possível e sair dali para fora. Resta-nos o «está a ficar bom!» do engenheiro chefe, ao qual ainda acrescentou se eu lhe conseguia baixar o preço unitário das réplicas.

URGENTE

Tirei agora do forno as duas réplicas dos azulejos que pintei anteontem para o Palácio Centeno. Não me parecem mal, mas só lá é que vou poder ver como é que ficam integradas… De qualquer modo, vão ter de ir assim mesmo como estão, estamos um bocado a correr contra o tempo, já que se trata de uma intervenção SOS.

QUINTA DE S. VICENTE

Na segunda-feira fui contactada por uma colega de pintura mural para ir ver um trabalho em Telheiras. Trata-se de uma capela particular, na antiga Quinta de S. Vicente, revestida a silhares de azulejos com albarradas e palmitos em azul e branco sobre rodapé duplo a manganês. Os estuques estão em muito mau estado de conservação e os azulejos foram completamente vandalizados, faltando «só» cerca de 270, uma vez que os outros estão bem aderentes à parede, sendo por isso mais difíceis de roubar. A ideia é fazermos um orçamento em conjunto, azulejo e pintura mural, para conservação e restauro de toda a capela. Pela minha parte, o grosso do trabalho será a manufactura de réplicas para colmatarem as lacunas, o qual, com o resto da intervenção, demorará cerca de dois meses e meio a fazer-se. Se o orçamento for aceite, imagino que o trabalho seja para breve. O que me dava um jeitaço!…

PALÁCIO CENTENO

Hoje fui chamada para uma intervenção SOS no Palácio Centeno, em Lisboa, actual Reitoria da Universidade Técnica. Dois dos azulejos dos silhares do átrio de entrada encontram-se praticamente sem vidrado, devido à enorme humidade das paredes, cuja presença de sais já é bastante visível e, mais tarde ou mais cedo, vai acabar por danificar o restante conjunto azulejar. Há dois anos fizemos lá uma intervenção de conservação e restauro dos azulejos, mas pelos vistos os problemas com a alvenaria mantêm-se e assim o trabalho acaba por ser um bocado inglório. A minha missão, agora, é tratar de fazer duas réplicas para substituir esses dois azulejos a tempo do lançamento de um livro no dia 14 deste mês…

…VIDA NOVA?

Acabei de pintar as réplicas dos azulejos para a Igreja da Misericórdia, em Tavira! Já estão no forno, neste momento a 170ºC. Se tudo correr bem, entrego-as na próxima segunda-feira. As 60 previstas inicialmente, acabaram por se transformar em 110, não sei o que é que aconteceu, mas melhor para mim, visto que o orçamento foi dado em valores unitários – assim eu receba em breve, mas acredito que sim, até agora a In Situ nunca falhou. E agora sim, ano novo, vida nova; ou seja, sem trabalho! Mas isso, afinal, é a vida do costume… não percebo de onde é que vem este provérbio…

ANO NOVO?

Estou quase, quase a terminar as réplicas para a In Situ. Deixei as mais complicadas para o fim e a coisa não está fácil. Estou a tentar orientar-me por estes azulejos originais, totalmente fragmentados e com grandes lacunas, mas ando aqui um bocado às voltas sem saber bem o que fazer; tento seguir as linhas que muitas vezes não vão dar a lado nenhum e acabo por pintar alguma coisa que pareça fazer sentido, mas pouco convencida. A minha esperança é que isto, depois, integrado no conjunto…

PAINEL 16

Continuo a fazer as réplicas dos azulejos para a Igreja da Misericórdia, em Tavira. Fiquei de entregá-las todas no dia 3 de Janeiro, mas com Natal, fim-de-ano e férias escolares da minha filha à mistura, já avisei que não vou conseguir. Das dezoito do painel 11, bastante moroso, ficam por fazer ainda sete e do painel 17, que nem sequer cheguei a montar no chão, faltam as sete previstas. De qualquer modo, vou conseguir enviar para baixo quatro painéis concluídos, o que vai permitir à In Situ ter material suficiente para trabalhar durante a próxima semana. E isto quer dizer que tenho de ir enfornar já…

INÉDITO!

Hoje, quando estava a montar no chão o painel 16 para fazer as réplicas necessárias, tive esta surpresa: azulejos verdes e brancos! Tratei de ir logo abrir o documento que a Rita me enviou com as fotografias deste painel na parede e então, é mesmo verdade e inédito, pelo menos para mim; no meio do conjunto azul e branco, existem uns quantos verdes! Nunca tal tinha visto. Não são azulejos originais, claro; apesar de manuais e muito bem feitas, a pasta destas chacotas é bastante diferente e vê-se a olho nu. Agora, quando é que foram feitos e porque é que são a verde e branco, é que não consigo explicar… O Loubet, que entretanto passou por cá de fugida e tratou logo de perguntar «que é isto!?», avançou com a teoria da ética do restauro, ou seja, pode-se e deve-se diferenciar as réplicas dos originais. E ando eu aqui sempre aflita a tentar aproximar os tons o mais possível…

 

3ª FASE

Quando, na semana passada entreguei todas as réplicas à In Situ, pensei que o trabalho estava terminado, uma vez que me tinham dito que eu teria de fazer cerca de sessenta e afinal, com tudo concluído, até foram setenta. Qual não foi o meu espanto, ao entregar tudo devidamente encaixotado por painel, eles me devolvem em troca mais dois caixotes com mais não sei quantos painéis com réplicas ainda para fazer; ao que parece, ainda mais umas trinta. Segundo a Rita, esta é a terceira e última fase, mas a mim ninguém me tinha dito nada, ou então é a minha senilidade que se adensa cada vez mais (o que é bastante possível). Mas tudo bem, claro!, eu quero é trabalhar e como o orçamento foi dado por preços unitários, sempre recebo mais uns €€€ que não estava à espera! É Natal, é Natal…

ENTREGUES!

Estão entregues! Não são iguaizinhos aos originais, mas é o que diz a Inês, a minha colega que mos encomendou: são réplicas! Eu ainda ponderei repeti-los novamente, para tentar aproximar ainda mais as cores, mas pelo sim, pelo não, resolvi mostrá-los primeiro a ela, para ter uma segunda opinião e foi o melhor que fiz, pois ela achou que passavam muito bem; uma coisa é vê-los assim lado a lado, outra coisa é vê-los integrados no conjunto, o que é bem diferente e eu sei disso por experiência própria. Ainda por cima, chacotas desta espessura tão fina e com 14X14 cm não se encontram à venda nas lojas habituais, tive de ser eu a rectificar uma a uma, o que ainda me deu um certo trabalho, pois algumas partiram-se mal lhes meti o disco. Enfim, não fiquei totalmente convencida com os resultados, mas dou este assunto por encerrado; albarda-se o burro à vontade do dono…