Fiz estas primeiras experiências de cores para as réplicas destes azulejos de uma casa-de-banho que uma colega me encomendou; tirei-as agora mesmo do forno e já deu para ver que não resultaram: os tons estão demasiado fortes em relação aos originais. Vou ter de repetir. Nesta questão do acerto de cores gosto sempre de pintar azulejos inteiros; apesar de dar mais trabalho, consigo sempre ter uma noção diferente do que se pintar apenas placas de experiências com pequenas amostras de côr. Enfim, o primeiro resultado foi este e, apesar de haver margem quanto às tonalidades, não está bem…
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MANGANÊS
Ando às voltas com estas réplicas de azulejos marmoreados a manganês! Já há muito tempo que cheguei à conclusão que esta é das cores mais chatas de se fazerem: por mais escura que pareça em crú, acaba sempre por aclarar imenso e sair cor-de-rosa! E ainda por cima, a mesma tinta, exactamente a mesma!, varia de fornada para fornada, mesmo que estas sejam iguaizinhas… Provavelmente o defeito será meu, que ainda não atinei com isto. Bom, vou repetir estes azulejos pela segunda vez, os primeiros saíram muito claros do forno e agora optei por juntar um pouco de óxido de manganês à tinta de alto fogo, vamos ver no que dá. Ufa!… Não ganho só para chacotas…
GELADA…
Preparo-me para continuar a pintar réplicas para os painéis da Igreja da Misericórdia, em Tavira, desta vez cerca de mais trinta. Hoje de manhã fui tentar trocar as chacotas de 15×15 cm que vieram por engano, em vez das de 14×14 cm, mas não havia! Disseram-me que talvez amanhã já as tenham, o que eu espero bem, para não me atrasar aqui com o trabalho… De qualquer forma, fui procurar bem aqui na oficina e lá descobri uma caixa com umas vinte, com a mesma espessura, o que já dá para avançar qualquer coisa. Estive agora a vidrá-las e, para além do nariz e dos pés, fiquei também com as mãos geladas! Isto promete…
DOIS MIL E DEZ
Acabei de acondicionar em caixotes os primeiros três painéis de azulejos com as réplicas terminadas; estão prontos, podem seguir para a parede. A In Situ defende que as réplicas se devem diferenciar dos azulejos originais, daí terem optado por utilizarem-se chacotas industriais em vez de manuais. O importante é que, a uma certa distância, se integrem bem no conjunto e ao perto se perceba que são réplicas; que foram feitas agora, durante esta intervenção de restauro e que não têm duzentos e tal anos. E eu concordo.
1, 4 e 5.
Acabei agora de pintar as réplicas que ainda me faltavam do painel 1 e ainda todas as dos painéis 4 e 5, que não eram muitas. Combinei entregar o máximo que conseguisse na próxima sexta-feira, para o trabalho poder avançar lá na igreja e para isso tenho de cozê-las esta noite, de modo a rentabilizar o bi-horário e poder abrir o forno calmamente na sexta de manhã, quando já estiver frio. É pena esta fornada ir a meio-gás, ainda me faltam fazer mais três painéis; mas para esta leva já não tenho tempo (nem espaço!), para montar mais nenhum no chão e repetir todo o processo de tirar desenhos, picotar e voltar a pintar. Por isso… paciência, vai assim mesmo.
PRACTYL
Todo o equipamento que temos na nossa oficina foi sendo comprado aos poucos e à medida das necessidades, muitas vezes inserido nos orçamentos dos próprios trabalhos. A última aquisição, já há algum tempo, foi comprada pelos meus colegas por causa de um trabalho na Guarda e é bem útil para estas andanças da azulejaria: uma máquina de cortar azulejos, ou, como diz nas instruções, uma cortadora de azulejos. A marca, PRACTYL, não diz muito e não deve ser do mais profissional que existe, mas para nós deve chegar, que não precisamos de estar horas seguidas a trabalhar com ela. Para já, bem jeito me deu a cortar à medida as chacotas para as réplicas dos painéis da In Situ; tem um rigor qb e como funciona com água, evita encher isto tudo de poeirada, que chega já bem o pó que aqui temos sempre cativo.
RESULTADOS
Hoje vi os resultados da fornada que fiz já com as réplicas dos azulejos pertencentes ao painel nº1 da Igreja da Misericórdia. O vidrado branco, como sempre, é o que dá mais nas vistas, mas dentro do conjunto, integram-se bem, até porque esta zona vai estar colocada num local bastante acima do nível dos olhos. Tenho este painel quase pronto, só me faltam os marmoreados, que, por terem muito branco e aguadas azuis muito claras, ainda me vão dar algum trabalhinho… E vou começar a montar os painéis 4 e 5, os próximos a intervir, para ir já olhando para eles e ver o que é que me espera.
AZUL?
Hoje pintei 11 réplicas para o painel nº1 que a In Situ me entregou, as mais complicadas, por sinal. Faltam-me ainda fazer 13, mas despacho-as amanhã. Tive de tirar os desenhos pelos simétricos e às vezes a coisa não é fácil; não tenho cá o painel todo e tenho de fazer com que as sombras fiquem todas do lado contrário. De qualquer modo e, como quase sempre, assim em crús, parecem-me bem. Vamos lá ver depois de cozidos…
PICOTADOS
Acabei de tirar todos os desenhos para fazer as réplicas para a Igreja da Misericórdia, em Tavira. Já cá tenho sete ou oito painéis, mas para já concentro-me no nº1; é melhor ir por partes e com algum método, senão às tantas já não sei a quantas ando e acabo por fazer azulejos repetidos ou pior, acabam por me escapar alguns. A Rita, da In Situ, que é quem está à frente do trabalho lá no Algarve, é bastante organizadinha e, a meu pedido, enviou-me toda a documentação que eu preciso, nomeadamente listagem de referências de réplicas por cada painel, fotografias e os azulejos em torno de cada um que tem de ser feito, para continuidade de linhas e manchas cromáticas. E agora vou picotar os desenhos, que é sempre uma coisa que me deixa os olhos em bico…
RÉPLICAS PARA A IN SITU
Fui contactada pela In Situ para fazer as réplicas dos azulejos dos painéis da Igreja da Misericórdia, em Tavira, no seguimento de outras que eu já lhes tinha feito há mais de um ano. São uma série de painéis e este é o número 1. Para já, tenho de fazer os desenhos que faltam e experiências de cor. Só para este painel, são cerca de 26 réplicas…
Novidade: meti algumas das minhas peças à venda numa loja na Rua de Belém, a Original, mesmo ao lado dos Pastéis. À consignação, claro… Os preços ficam mais caros do que eu venderia numa feira, mas a verdade é que eu assim não tenho nenhum encargo com a coisa e aqui na oficina, paradas, é que não rendem nada. De modo que estou contente e a ver vamos.













