Não sei se terei grandes benefícios por ter sido filmada para o Canal ARTE. Também não é coisa que pense muito, se o documentário passar é só lá para daqui a um ano e até lá tenho de fazer pela vidinha, que não vivo de rendimentos. Mas para já, para já, alguma coisa já beneficiei por ter conhecido a equipa do DocStation; foram eles quem me deram a dica deste painel de azulejos a precisar de restauro, num lugar bem conhecido de Lisboa e que também vai aparecer no mesmo filme: os Pastéis de Belém! Entrei em contacto com a gerência, muito simpática, por sinal e lá fui ver o seu estado de conservação (dos azulejos, não da gerência) na sexta-feira passada. Aproveitei para beber um café e comer um pastelinho, claro. Se o orçamento for aceite, o trabalho vai ter de ser feito a partir das onze da noite, o que terá as suas vantagens: para além de não ter magotes de gente a olhar para mim, vou conseguir manter equilibrado o meu nível de açúcar no sangue…
Etiqueta: Restauro
DE VOLTA À PAREDE
Quando na semana passada a equipa do Doc Station me filmou para o documentário que estão a fazer sobre Portugal, o Marcus, o realizador, perguntou-me se eu ficava contente quando via os azulejos a voltarem para a parede, ou se preferia fazer outras fases do trabalho e o resultado final não era assim tão importante para mim. Respondi-lhe que gostava bastante de fazer algumas tarefas inerentes ao processo de restaurar azulejos, que me agrada especialmente fazer colagens de fragmentos e também preenchimentos de lacunas e falhas de vidrado; mas que o objectivo final é sempre ver os azulejos voltarem para a parede, foi para isso que foram concebidos e que estava contente, claro. E claro, fico contente também e, principalmente, porque essa fase significa que é mais um trabalho a chegar ao fim… Aliás, dá para ver, não?
S. SILVESTRE
Só mais um dia de trabalho e acabamos a intervenção nos azulejos da igreja da Lousã. Do alto do seu trono, S. Silvestre, padroeiro da Vila, tem observado atentamente todo o processo de restauro e apesar do martírio da poeirada a que foi submetido, sem máscara nem nada, nunca se queixou e parece estar satisfeito por ver os azulejos de volta à parede. Um verdadeiro santo…
PREENCHIMENTOS
Estive a fazer e a acabar os preenchimentos de falhas de vidrado dos azulejos da Igreja Matriz da Lousã. Quero despachar isto o mais rápido possível e já estão todos prontos para a integração cromática. Ainda assim, dos cerca de 90 que foram levantados, só 36 é que precisaram de colagens e preenchimentos; tendo em conta que a maioria deles estava já fracturada na parede e o conjunto encontra-se assente com cimento cola, não foi mau de todo. Para a semana voltamos para a Lousã, já temos tudo combinado com o ladrilhador que os vai assentar de novo na parede e, se tudo correr bem, damos por terminada a intervenção. Confesso que estou ansiosa por voltar ao meu trabalho de cerâmica…
AZULEJOS EM RISCO DE DESTACAMENTO
Acabámos o levantamento dos azulejos em risco de destacamento do painel da Igreja da Lousã. Todos os que ficaram estão aderentes (e bem!) à parede. Nalguns casos, os azulejos estavam apenas presos pelas juntas e soltaram-se mal estas foram abertas. Noutros casos, os azulejos estavam já fracturados ao meio, estando uma metade solta e a outra completamente presa com cimento cola, o que se revelou um problema para conseguir retirá-la, mesmo abrindo as juntas, tendo em conta que a espessura dos azulejos é mínima. Depois do exemplo de uma que retirámos toda partida, decidimos arriscar colar as outras mesmo na parede; apesar das colagens poderem não ficar perfeitas, é preferível a ter de restaurar inúmeras fracturas e pequenas falhas de vidrado que, por mais faceado que esteja, acabam sempre por se perder.
CALÇADA MARQUÊS DE ABRANTES
Na sexta-feira passada fui ver este prédio na Calçada Marquês de Abrantes, em Lisboa. Fui contactada por uma empresa para uma sub-empreitada de conservação e restauro dos azulejos do edifício. Estive quase três dias para estruturar uma metodologia de trabalho e respectivos preços unitários e por metro quadrado, que deveria ser entregue até hoje, sem falta – o que já aconteceu.
A intervenção consistirá no levantamento de todos os azulejos interiores existentes nas chaminés das cozinhas e nos rodapés das escadas e manufactura de réplicas para posterior assentamento. Quanto às fachadas exteriores, quatro no total, teremos de verificar o estado de adesão dos azulejos nos quatro pisos e levantar os que estiverem em risco de destacamento. Depois, todo o conjunto será tratado in situ e serão também feitas as réplicas necessárias para colmatar lacunas e azulejos em muito mau estado de conservação.
Para o piso zero, que já não tem azulejos em duas das fachadas e as outras duas mantêm apenas poucos originais, está contemplado o revestimento com réplicas que lhe devolva a sua integridade original. Estamos a falar de quase cerca de oitenta metros quadrados, coisa pouca, portanto…
AZULEJOS FRACTURADOS
ALOJAMENTO
Já perdi a noção de quantos quartos é que já estive alojada ao longo destes anos todos a trabalhar em restauro de azulejos. Genial teria sido fotografá-los um a um desde o princípio, mas passou-me e agora já não faz sentido. Entre casas alugadas, pensões modestas, outras melhorzinhas, casas de conhecidos e um ou outro hotel, já dormi por várias terras de norte a sul do país e até no Brasil. Em Matosinhos fiquei dois meses alojada num quarto minúsculo, onde quase só cabia uma cama de solteiro; em Sto. Tirso, na saudosa Pensão Caroço, estive várias vezes num quarto em que se entrava directamente pela casa-de-banho e em Paço de Sousa fiquei a dormir na Aldeia da Casa do Gaiato, num quarto lindo cujas janelas de guilhotina abriam directamente para o campo e por onde se fazia sentir o aroma da terra trabalhada.
Desta vez fiquei numa residencial na Lousã, simpática; num quarto simpático no segundo andar. Não fosse a vista para as traseiras e nunca veria deste ângulo a igreja onde estamos a trabalhar… De tardoz para tardoz.
VIVENDAS E JARDINS!
Estou a fazer um segundo Relógio de Sol, este mais pequeno do que o primeiro. É um mostrador simples, que depois poderei completar com elementos variados, carimbos e relevos. A minha ideia, para já, é ainda fazer mais um, talvez mais clássico e ficar com um conjunto de três para ir tentar vender nalguns hortos. Sintra será um bom local e Sesimbra também. E claro, Lisboa. E Cascais, lembrei-me agora. Têm de ser lugares numa zona de vivendas com jardim e quanto maiores as vivendas e os jardins, melhor. Estou satisfeita com o meu trabalho, há quatro meses que não páro de produzir e continuo cheia de força e ideias.
Amanhã vamos para a Lousã, eu e o Loubet, começar o trabalho de restauro dos azulejos da Igreja Matriz. Vou ter de interromper a cerâmica por agora, mas preciso urgentemente que me entrem uns €€€ na conta. Lá se vai a criatividade por uns tempos, mas segundo me conheço, vou estar sempre a pensar nisto. E vendo bem, talvez até seja bom criar um certo afastamento daqui da oficina.
A PILHAS!
Acho que já aqui disse há uns tempos que sou pouco dada às novas tecnologias. Eu até gostaria, mas o tempo disponível para isso é pouco e, francamente, a pachorra para aprender, também. Não saco música da net, não faço downloads de filmes, nem sei zippar um documento. Ainda nem sequer aderi ao Facebook, nem tenho um leitor de MP3, o que é um feito nos dias que correm. Gosto de objectos e também das memórias de outros tempos, devo ter uma costela de Velho do Restelo, que com certeza se desenvolveu por via do restauro. Provavelmente só eu é que perco, claro; mas ainda não dei por nada.
Isto para dizer que, ultimamente e enquanto não resolvo esta questão da musica, a minha companhia aqui na oficina tem sido este rádio a pilhas, tipo aqueles de ouvir o relato da bola. A coisa não é brilhante, é verdade, muitas vezes é preferível que esteja desligado; mas entre um posto e outro, sempre se vão ouvindo uns fadinhos do Marceneiro ou sabe-se, por exemplo, que Portugal ganhou uma medalha de ouro no campeonato de patinagem artística no início deste mês, informação que nunca seria conhecida doutra forma. E convenhamos, ainda podia ser pior: sempre é um 2 BANDS!













