ESTADO LASTIMÁVEL

Estava redondamente enganada quando pensei que delegando alguns trabalhos para os meus colegas, ficando a meu cargo a coordenação e algumas tarefas mais do meu agrado – que também já mereço; ao fim de quase vinte anos a fazer conservação e restauro de azulejos! -, dizia eu, que pensava que iria ficar com tempo livre para dar largas à criatividade e dedicar mais tempo à minha produção cerâmica, que ultimamente tem estado mais parada do que o Mar Morto. Mas pronto; enganei-me redondamente e, em abono da verdade, nem cerâmica, nem este espaço de escrita que eu tanto prezo e que também já foi mais dinamizado e nem sequer as tais tarefas de restauro que me agradam mais meter a mão na massa: a papelada e o escritório, salvo raras excepções, têm-me ocupado o tempo todo.

Relatórios, orçamentos, contas, IVAs, fichas de inventário, computador, telefonemas. Durante todo o dia e ao serão também. Agora tenho de fazer mais um orçamento para o Museu Militar – os azulejos da escadaria de acesso ao gabinete do Sr. Director estão num estado lastimável e há muito tempo que precisam de uma intervenção. Eu é que não consigo pensar nisso agora; vai ter de esperar mais uns dias, pelo menos os suficientes para eu tirar umas férias e (tentar) limpar a cabeça.

Para já, amanhã vou começar a tratar da fachada do prédio em Sta. Catarina. Com andaime, sapatos de biqueira de aço, máscara e capacete.

ESTUFA FRIA

Está terminada a intervenção de conservação e restauro dos tijolos vidrados existentes no pórtico de entrada da Estufa Fria, em Lisboa. Apesar da satisfação de mais um trabalho terminado, é com alguma pena que se deixa um lugar assim – tão agradável, tão tranquilo e com um cheiro tão bom. Obrigada às minhas colegas Margarida e Sofia, que se empenharam mais uma vez e ajudaram a entregar o trabalho dentro do prazo; sem elas eu não teria conseguido.

No seguimento da nossa intervenção, entra a equipa de conservação e restauro de pedra e depois, se tudo correr bem, é esperar que a Estufa Fria reabra finalmente ao público, agora que as obras de reestruturação da cobertura, que se encontrava em risco de colapso, parecem estar também numa fase bastante avançada.

E quando abrir, aconselho vivamente toda a gente a ir lá fazer uma visitinha.

NIVELAR E RECTIFICAR

Está praticamente terminada a tarefa mais morosa da intervenção de conservação e restauro dos tijolos vidrados do pórtico de entrada na Estufa fria, em Lisboa; faltam apenas nivelar e rectificar um ou dois preenchimentos. Ainda hoje está previsto o início da integração cromática, que em princípio vai ser rápida – assim se encontrem os tons pretendidos; mas, uma vez que se trata de restauro a frio, não me parece que seja muito complicado.

4º DIA DE TRABALHO

4º dia de trabalho na Estufa Fria.

Foram feitas as consolidações e as fixações dos vidrados em destacamento e as juntas estão todas rectificadas. O registo gráfico também já está feito – os tijolos apresentam zonas em muito mau estado de conservação, principalmente aquelas que se encontram mais expostas a oscilações térmicas; existem muitas falhas de vidrado e algumas lacunas volumétricas, com alguma profundidade, que já estão a ser preenchidas. A intervenção está a correr bem – excepto quando falta a água, o que tem acontecido – mas a este ritmo e com alguma calma vamos conseguir acabá-la antes do prazo previsto.

TIJOLOS VIDRADOS

Foi-me adjudicada a proposta de intervenção de conservação e restauro dos tijolos vidrados existentes no pórtico de entrada da Estufa Fria – um projecto do Keil do Amaral. Como sempre, tratou-se de mais um orçamento feito há algum tempo, que caiu no esquecimento (no meu, pelo menos), sem resposta nem acuso de recepção. Até agora; que, de repente, a urgência é ter o trabalho terminado ontem. Começamos na próxima quinta-feira.

PAINEL TOPONÍMICO

Fui contactada para fazer o restauro deste pequeno painel toponímico em azulejos, pertencente a uma casa particular em Cascais. É lindo! Foi-me entregue neste estado de conservação; nem está assim tão mau, tendo em conta que não faço ideia de quem é que o terá levantado e uma vez que as argamassas dos tardozes são de média dureza – muito provavelmente já se encontrava em destacamento da parede. Para além de três ou quatro azulejos fracturados, uma pequena lacuna, meia dúzia de falhas de vidrado e algumas fissuras para consolidar, o painel não apresenta mais patologias. Nada que não se vá fazendo em paralelo com as experiências de cor para o nº 11 de Sta. Catarina  e o relatório da intervenção no Museu Militar.

CONCLUÍDO!

                      

Está concluída a intervenção de conservação e restauro dos cerca de 12800 azulejos pertencentes ao conjunto azulejar do Pátio dos Canhões no Museu Militar, em Lisboa – fiz hoje a entrega oficial. Obrigada a todos os meus colegas que ao longo destes sete meses fizeram parte da equipa: o núcleo duro – a Inês e a Margarida -, e todos os outros que, nalguma fase, também meteram a mão na massa – o Diogo, o Joaquim, o Ivo, o Loubet, a Rafaela, a Sofia, o Nuno e a Paula. Sem eles eu ficaria por lá, provavelmente, até ao fim dos meus dias…

O SR. CASTRO

O Sr. Castro tem sido uma presença constante e atenta desde o início da intervenção de conservação e restauro dos azulejos do Pátio dos Canhões – o Sr. Castro é motorista de um dos carros pretos e sempre brilhantes que ali costumam estar estacionados e passa muito tempo à espera de ter de ir a algum lado. O Sr. Castro acompanhou todas as fases do trabalho ao longo destes seis meses: o levantamento dos azulejos; a montagem dos painéis no chão; as colagens; a dessalinização; o reassentamento nas paredes; os preenchimentos e agora, a integração cromática. O Sr. Castro é conversador e é também um amante e um curioso  destas coisas; ao que parece, percebe de materiais e gosta, ele próprio, de meter a mão na massa e assim sendo, vai falando das «epoxes» e da cal, vai tirando apontamentos e vai dando a sua opinião. O Sr. Castro é muito simpático e prestável; foi graças a ele que fomos visitar a Sala dos Gessos e foi ele que hoje já nos veio dizer que quer organizar um almoço de despedida para a semana que vem, agora que estamos a acabar a obra. O Sr. Castro é um castiço – obrigada por tudo, Sr. Castro, vamos ter saudades suas.

REASSENTAMENTO

Comecei hoje a segunda fase da intervenção de conservação e restauro dos azulejos/placas cerâmicas pertencentes ao painel da autoria de Lino António, no Instituto de Medicina Tropical.

Os azulejos das três primeiras fiadas encontravam-se bastante fracturados e fissurados  e estavam em risco de destacamento da parede – que, por sua vez, apresentava muitos vestígios de humidade.  Durante a primeira fase da intervenção procedeu-se ao levantamento dos azulejos, limpeza de argamassas dos tardozes, consolidações e fixações pontuais de vidrados em risco de destacamento e colagem de fragmentos. Hoje, depois de um tempo de espera para tratamento da parede e das infiltrações do telhado, reassentámos os azulejos com argamassa tradicional, à base de cal e areia e daqui a uns dias voltamos lá para fechar as juntas e dar seguimento ao restauro de pequenas lacunas e falhas de vidrado.