1876

Tal como estava combinado, ontem entreguei as oitenta réplicas de azulejos de estampilha que fiz para o coreto do Jardim do Tarro,  em Portalegre, construído em 1876.

O prazo foi apertado e a luta contra o tempo não me permitiu fazer muitos mais testes de cores e fiquei a achar que o branco poderia ser talvez um bocadinho mais acinzentado; o azul escuro não está tão escuro e fundido como o dos azulejos originais e o brilho, pois…; estes azulejos são mais brilhantes, mas tive problemas com as tintas sobre os vidrados mate dos testes que experimentei e achei que era melhor não arriscar com a produção, assim tão em cima da hora, porque depois não havia tempo nem margem para voltar a repetir tudo – ainda para mais, com chacotas 13,5×13,5cm, que já não se fabricam e que já tinha deixado cortadas antes de ir para férias.

De qualquer modo, estou satisfeita; este padrão é muito bonito e apesar de tudo, os azulejos ficaram bem – agora fico a aguardar a fotografia in situ.

 

CORETO

Após uma merecida pausa de três semanas, para descansar e tentar meter a cabeça no lugar, estou de volta à oficina directamente para produzir 80 réplicas de azulejos de padrão para o coreto do Jardim do Tarro, em Portalegre, as quais prometi entregar até dia 6 de Setembro, no máximo. O tempo está a contar e não permite fazer muitas experiências de cores – vou ter de assumir rapidamente o que me parecer o mais semelhante possível; porque depois, entre vidrar as chacotas todas, pintar e cozer, de repente já lá estamos.

Confesso que ainda ficaria de bom grado mais uma semana sem vir cá – o que não é nada normal, apetece-me sempre vir para a oficina! – mas enfim, noblesse oblige.

 

PADRONAGEM INDUSTRIAL

Mais uma encomenda pronta e a riscar da lista dos mil e um afazeres que tenho tido entre mãos desde o início do ano e cujos prazos de entrega vou tentando cumprir ordeiramente e por ordem de chegada ou complexidade – desta feita, cerca de 90 réplicas de azulejos de fachada, de padronagem industrial, que curiosamente me foram encomendados para um revestimento de uma casa de banho e que, não é para me gabar, mas acho que ficaram muito bem.

 

MANGANÊS

Depois de alguns testes de cor, comecei finalmente a produzir as cerca de 100 réplicas de azulejos de padrão para a fachada de um edifício em Setúbal – e depois, os 100 frisos que acompanham a padronagem.

Tive alguns problemas com a obtenção do preto, que nunca ficava uma mancha tão escura como a dos azulejos originais – na verdade e ao contrário do que parece à primeira vista, a mancha não é preta, mas sim um roxo muito escuro feito com óxido de manganês o qual, em concentração elevada, chega a ter tonalidades negras.

A questão é que o óxido de manganês é bastante instável e altera facilmente de forno para forno; de fornada para fornada e até mesmo dentro de uma só fornada, dependendo da zona em que é colocado; portanto estou sempre bastante insegura quanto aos resultados que irei ter depois dos azulejos estarem cozidos. A ver vamos.

MAIS PADRONAGEM

 

Coisas que acontecem: depois de ter feito cerca de 1500 azulejos novos para revestirem integralmente uma fachada de um edifício na Ajuda, sobre a qual falei aqui, tive logo a seguir uma outra encomenda de mais 130 réplicas de outros azulejos de estampilha aparentemente iguais, para colmatarem as lacunas de outra fachada de outro edifício, este na Lapa.

Quando digo aparentemente iguais, refiro-me ao facto destes serem uma outra variante do mesmo tema; não só por serem em tons de verde, mas também por medirem 13x13cm (aquela medida que não dá jeito nenhum) contra os 14x14cm dos anteriores. Até o padrão, que todos diríamos ser igual, afinal é um pouco diferente.

Com isto quero dizer que as chacotas tiveram de ser cortadas todas uma a uma e as estampilhas feitas de novo de acordo com as estas medidas e este motivo – o que soube bem, pois assim pareceu-me que afinal estava a trabalhar num projecto diferente do anterior. E estava.

 

 

 

ESTAMPILHAS

2015-10-07 11.29.16

Tenho andado sem mãos a medir nestes últimos dias: para além das réplicas dos azulejos de padronagem do séc XVII que tenho estado a pintar para Monserrate, pediram-me também, na mesma encomenda, 60 réplicas de azulejos de estampilha para colmatar as lacunas existentes na sala de jantar do Palácio da Pena.

São mesmo engraçados estes azulejos de figura avulsa, fornecidos pela Fábrica Roseira em 1867: medem 8,5cm x 8,5cm e têm uma estrela pintada, ora verde, ora rosa – eu tenho de fazer 30 de cada. A sala de jantar do Palácio está revestida integralmente com eles, paredes e tecto e, posso estar enganada, mas quer-me bem parecer que o D. Fernando II se inspirou nos azulejos relevados seiscentistas existentes nas capelas manuelinas dos jardins do Palácio, originais do antigo convento – os quais eu também fiz umas réplicas há um ano e que na altura falei aqui. Não fazem lembrar?