BRANCO

Ando há alguns dias a adiantar já testes de cores variados, para duas ou três encomendas distintas que irei começar a executar daqui a um mês, quando voltar à oficina, depois de umas férias merecidas, sem pensar muito nisto – e nem em nada, para falar muito sinceramente. Gostaria de deixar esta parte já feita, porque depois tudo pode avançar mais rapidamente, mas às vezes sinto que estou esgotada e que o melhor seria parar já e depois voltar com a cabeça limpa, pronta a raciocinar e a ver as coisas com alguma clarividência, porque agora tenho tido algumas dificuldades.

Tenho andado à luta para conseguir engendrar um vidrado branco para fazer cerca de 250 réplicas de azulejos do séc XVIII, que, por serem brancos, parecem tão simples, mas a verdade é que já criei não sei quantas receitas para não sei quantas experiências de cores e nada – alguns resultados até têm bastante piada, pois não têm mesmo nada a haver com o procurado e é sempre uma surpresa abrir o forno.

Hoje, finalmente, ao fim de três dias consecutivos a fazer receitas novas, todas falhadas, tirei da mufla de experiências duas ou três amostras com tons muito semelhantes àquilo que pretendo, mas ainda não estou bem convencida. Tenho as minhas suspeitas de que preciso de um óxido que não há, nem nunca houve, aqui na oficina…

 

 

 

 

ROCAILLE

Entreguei a semana passada 32 réplicas de azulejos para colmatarem as lacunas integrais existentes em cinco silhares de uma das salas do Palácio Marquês de Tancos, em Lisboa.

A tarefa não foi totalmente fácil – os azulejos originais adjacentes às lacunas estavam todos nas paredes; os azulejos em falta tinham todos medidas diferentes, algumas muito estranhas como 15,3 x 14,2cm ou 13,5 x 13,8cm e as chacotas tiveram de ser cortadas à mão uma a uma para cada lugar; os desenhos foram copiados de cócoras no meio da poeirada e ajustados caso a caso para ver se as linhas de contorno e as manchas cromáticas batiam certas o mais possível com os desenhos de entorno e por fim, encontrar o tom de manganês igual ao original é uma chatice e pode dar cabo da cabeça de qualquer um.

Curiosamente, correu praticamente tudo bem à primeira – e os azulejos já estão na parede. Confesso que por esta não esperava, mas fico muito satisfeita.

 

BARRA

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Estão terminadas e entregues as réplicas dos azulejos que fiz para completar uma barra com volutas existente no cimo da fachada de um prédio antigo no centro de Lisboa. Fico a aguardar o seu assentamento e nova fotografia com eles já na parede.

 

FOLHAS DE ACANTO

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Comecei a trabalhar num novo projecto; uma pequena encomenda que me fizeram de cerca de 50 réplicas de azulejos do séc XVIII que irão colmatar os azulejos em falta numa barra existente no cimo da fachada de um prédio do centro de Lisboa.

A barra é formada por 4 azulejos diferentes com enrolamentos de acanto, e o número que eu tenho de fazer de cada tipologia varia – agora 11 unidades de um, depois 9 unidades de outro, este são 13, 12 daquele – o que se torna muito mais simpático quando se tem de produzir manualmente em série; o trabalho faz-se por etapas e parece que avança mais depressa.

AZUL E BRANCO

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Comecei hoje mais uma nova encomenda, desta vez cerca de vinte e cinco réplicas de azulejos do séc XVIII – coisa pouca, mas melhor do que nada. Para já, experiências de cor; vidrados base e tintas de alto fogo: três brancos diferentes e seis tipos de azul. Amanhã vão a cozer a 1000º e se nenhum servir, tenho de fazer tudo de novo.

TAÇAS SETECENTISTAS

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Estou a terminar as peças para a loja A roda da fortuna, em Évora e que ficaram a meio quando fui para Marrocos. Voltei a pegar na minha ideia antiga que fiz há dois, três anos?, para a feira setecentista de Queluz: criar peças únicas, baseadas na azulejaria portuguesa do séc. XVIII, mas que não sejam azulejos.

Na altura tive algumas questões técnicas que não consegui ultrapassar e agora também tenho; na verdade são ainda as mesmas – de lá para cá meteram-se uma série de trabalhos de conservação e restauro e toda a minha produção e experimentação cerâmica, que ia tão lançada, ficou parada. Agora, aos poucos, tudo recomeça e tenho várias frentes para acudir ao mesmo tempo, o que lá vou conseguindo.