Já está no forno a minha peça para a Exposição de Cerâmica, vai cozer esta noite. Tinha pensado fazer uma monocozedura; aplicava o óxido de cobalto com ela ainda crua e depois cozia tudo a alta temperatura de uma só vez, mas isto às vezes não corre bem como a gente quer, de modo que o melhor é fazer as coisas pelos tramites normais: enchacotá-la primeiro a 960º e então depois virá-la, dar-lhe o óxido e voltar a cozê-la; aí sim, a 1270º. Vou fazer uma fornada bastante lenta, talvez umas quatro horas só para chegar aos 200º, não vá o barro ainda não estar totalmente seco e assim prevenir algum azar… Bom e agora, figas, figas.
Etiqueta: Secagem
CONTAGEM DECRESCENTE
Continua a secar a minha peça em barro refractário e porcelana para a Exposição Nacional de Cerâmica Contemporânea. O que eu mais receava aconteceu – as pernas estão todas empenadas, o que me irrita ligeiramente… Tivesse tido mais tempo e este problema teria sido contornado, tinha bastado tapá-las com um pano húmido enquanto todo o resto secava; mas agora paciência, é no que dão as pressas e eu até já sabia. Tenho ainda mais uns dias antes de a enfornar e ainda não estou segura que ela esteja bem seca, apesar do barro já estar com uma tonalidade muito mais clara do que no início. O homem, lá dentro, está há duas semanas de cabeça para baixo, espero que ainda não lhe tenha acontecido nada (o máximo que lhe pode ter acontecido é ter perdido aquele sorriso de felicidade que tinha na cara – o que é normal com qualquer pessoa face a tanta adversidade); nem me arrisco a virar a peça para cima antes de a cozer, estou com medo de partir as pernas, que nesta fase estão bastante frágeis e só de pensar que ainda as tenho de lixar e dar os acabamentos finais, fico logo a tremer, o que não ajuda nada, claro. Bom, o tempo continua a contar e agora é levar isto até ao fim; sempre se aprende mais qualquer coisinha.
SECAGEM
Começou a fase de secagem da minha peça; consegui colar a figura humana lá dentro mesmo in-extremis para a poder virar de novo ao contrário e tirar a cofragem da parte de trás, o que já não foi fácil – o barro já estava a retrair e ameaçava rachar nalguns pontos, mas depois de algum stress lá consegui fazer tudo sem partir nada. Acho… Agora é ir controlando a secagem, que convém ser lenta e homogénea, para que as paredes não empenem. O tempo está a meu favor, a oficina não está muito quente e começo a desconfiar que até poderia estar um pouco menos húmida, se quero enfornar no máximo daqui a três semanas… Bom, é ir ficando atenta e ver o que é que acontece.
NERVOSO MIUDINHO

Continuo a fazer a minha peça em contra-relógio; falta praticamente um mês para entregar toda a documentação para ver se sou seleccionada para a Exposição Nacional de Cerâmica Contemporânea. Tenho de acabá-la o mais rapidamente possível se quero que a secagem se faça como deve ser – uns quinze dias pelo menos e depois faltam ainda as duas cozeduras previstas. De acordo com o tema, «A estética da paixão, a paixão pela estética» e com a minha memória conceptual e justificativa, comecei hoje a modelar a figura que vai estar lá dentro, espero terminá-la amanhã para a poder colar no fundo do remoinho. Começo a entrar ligeiramente na fase do nervoso miudinho, em que quero despachar tudo depressa mas para as coisas saírem bem, tudo tem de ser feito com calma e muito lentamente. Enfim, paciência, muita paciência…