ALGO COMPLETAMENTE DIFERENTE!

Alguma vez tinha de me acontecer: fazer aquilo que eu tinha dito para mim mesma que nunca iria fazer! – e estou a falar estritamente da minha produção cerâmica. Quando há uns tempos reciclei um bocado de barro branco, era já no sentido de fazer estas peças em faiança, completamente diferentes do meu trabalho até agora e que tenciono adaptar a alfinetes de peito, também conhecidos por pregadeiras ou, como diria a minha avó, broches. Confesso que não me apetecia muito cair nesta onda do berloque, mas a verdade é que os berloques vão-se sempre vendendo e portanto decidi também tentar a minha sorte. Tal como nas peças que fiz para a feira setecentista, das Séries «Fragmentos», mais uma vez a azulejaria tradicional portuguesa foi a minha fonte de inspiração e é visível que o meu lado de restauradora de azulejos se manifesta fortemente. Estas são as primeiras que pintei, ainda a título experimental, sempre quero ver se resultam…

PRODUTIVIDADE

Estou muito satisfeita, esta semana rendeu bem! Fiz e entreguei o orçamento da Quinta de S. Vicente; pintei as réplicas e fui assentá-las no Palácio Centeno, dentro do prazo S.O.S. que me pediram; enchacotei uma série de peças novas e tenho mais uma data delas preparadas para cozerem já hoje, a alta temperatura, juntamente com experiências de vidrado novas. Para além de já ter amostras de barros de diferentes tons e imensos picotados que recolhi na nossa pasta de desenhos para réplicas que foram sendo feitas ao longo destes anos todos de restauro e que tenciono usar nas peças para as séries «Fragmentos». Para compôr ainda mais o ramalhete, ontem, acabada de sair daqui da oficina, tive uma ideia brilhante na qual comecei a trabalhar logo hoje de manhã, visto que se trata de uma das coisas que mais gosto de fazer: modelar em barro. Eheh! Desta vez dois baixos-relevos baseados nos azulejos de figura-avulsa do séc. XVIII e que vão direitinhos para a série «É o mar que nos chama».

PAUSA

Estou contente. Decidi fazer uma pausa na manufactura das chacotas, antes de ficar maluquinha de todo. Passo muitas horas sózinha aqui na oficina, o que até nem me desagrada, – gosto de trabalhar em silêncio quando estou concentrada. Mas, de vez em quando, trocar umas impressões com alguém; tirar dúvidas sobre o meu trabalho, rir um bom bocado; faz-me bem e eu preciso. Assim e antes que este espaço se torne um diário delirante da minha imaginação, resolvi canalizar a minha criatividade para o bom caminho e parar de fazer sempre a mesma coisa de enfiada. Até porque não há pressa. Se eu fizer dez chacotas por dia, no fim desta semana terei todas as que preciso. E consigo avançar com a cerâmica. Portanto… Estou com ideias para peças novas, mas antes de mais e para que não me esqueça, fiz já mais três placas relevadas para a Série Horto, para concluir o conjunto de sete que eu tinha pensado. Estas são os protótipos, em barro vermelho, para execução de moldes.

Todos os dias arranjo uma desculpa para não ir bater a portas de lojas. Com este pretexto, hoje estive também a actualizar a minha página de cerâmica, que agora já tem também as fotos das peças que eu levei para a Feira Setecentista e às quais chamei Série Fragmentos.