DEPÓSITO/RESERVATÓRIO/CONTENTOR

Há coisa de um mês fui a uma visita guiada à horta da Faculdade de Ciências de Lisboa e confesso que desde aí tenho andado obcecada com a ideia de manufacturar pequenos vasos, marcadores para plantas, medidores de humidade da terra e qualquer coisa que rentabilize a rega, não só no dia-a-dia, mas principalmente naquelas alturas em que uma pessoa está fora de casa.

Ainda em fase experimental – muito experimental -, tirei hoje do forno este pequeno contentor em terracota, baseado numa técnica de rega ancestral, com mais de 4000 anos, que permite manter o solo sempre irrigado, limitando o consumo de água de uma forma sustentável.

Inspirada pelas antigas Ollas – maravilhosas! – a ideia é enterrar este cone dentro do solo, apenas com a boca de fora, e enchê-lo com água. Ao ser porosa, a terracota vai libertando a água para a terra de uma forma constante e sem excesso, de acordo com o seu grau de humidade e com a necessidade das plantas. Ao regar assim e em profundidade, perto das raízes, consegue-se também poupar uma boa parte da água que muitas vezes se evapora quando a rega é feita à superfície.

Para já estou muito contente com este resultado; agora falta ainda testar uma série de aspectos, como tamanhos e respectivas capacidades de água, encontrar cortiça boa para fazer de rolha e definir um nome para isto.


 

12

Acabei a encomenda de 12 balaústres em terracota que me pediram para colmatar as lacunas de uma balaustrada de um pequeno jardim particular em Lisboa.

Não estão perfeitos, perfeitos; mas tendo em conta que foi a primeira vez que fiz réplicas de balaústres e trabalhei com lastras em vez de barbotina, até estou satisfeita com o resultado – e depois de pintados, juntamente com os originais, acho que nem se vai dar por eles.

 

CINCO

Devagar e com alguma calma, tenho andado a fazer os balaústres em terracota que me pediram para colmatar os doze que faltam numa balaustrada existente num pequeno jardim particular em Lisboa. Estou cada vez mais convencida que ando a trabalhar pelo processo mais moroso e difícil, mas a verdade é que desta forma isto também resulta – e cinco deles vão já esta noite a enchacotar.

BRANCO

Preciso de vidrar catorze chacotas manuais que fiz para integrarem um vão de janela com azulejos alicatados na capela do Palácio da Pena. Uma coisa simples; mais simples ainda,  aparentemente, quando se tratam de azulejos brancos. Pois é precisamente aqui que está o problema: o branco é uma das cores mais difíceis de se obter quando se trata de fazer réplicas. Há o branco azulado; o branco acinzentado; o branco rosado; o branco amarelado e uma séries de outros brancos; com mais grão ou com mais brilho ou mais acetinado. Comecei hoje a segunda leva de experiências de cor – tem de se começar por algum lado e só depois de se verem resultados é que se podem aperfeiçoar os tons – e, já que estou com a mão na massa, aproveito para que fiquem para mostruário, usando placas de experiências feitas para o efeito, em barro branco e em terracota, uma vez que a cor do barro interfere na cor do vidrado. 

TIPOS DE BARRO

Aqui há uns tempos fui contactada por um arquitecto que me descobriu na net e pelos vistos gostou do meu trabalho, no sentido de me encomendar a manufactura de uma série de peças cerâmicas para uma obra que ele tem em mãos. Trata-se de executar o revestimento para um chão e parte das paredes de uma casa-de-banho, segundo um projecto dele próprio, baseado nos azulejos enxaquetados e com variantes quer a nível das dimensões de cada peça, quer a nível da coloração própria de cada tipo de barro. Eu estou interessada, claro; para além de ser uma encomenda de trabalho, parece-me um projecto bem giro para participar. Vou agora fazer umas pequenas amostras com barro vermelho, terracota, barro branco e barro preto, para já ter um ponto de partida para lhe mostrar.

BARRO VERDE

Vou começar a fazer cerca de 150 chacotas manuais para um trabalho de restauro dos azulejos da Igreja da Ota. O trabalho começou quase há um ano e entretanto ficou parado, já há uma série de meses, para obras na nave central e também na cobertura da igreja. Comprei estes pacotes de terracota ainda antes do verão, para começar a fazer as chacotas, mas entretanto comecei a entusiasmar-me com as minhas peças e com as feiras e nunca mais peguei nisto. Não há ainda nenhuma previsão para recomeçar os trabalhos de assentamento dos azulejos que tirámos da parede, mas é melhor eu começar a tratar de fazer as réplicas o quanto antes, para poderem secar à vontade e eu ter tempo para fazer experiências de cor com calma. Se tudo correr como é habitual, o padre há-de telefonar de repente e diz-nos para ir logo no dia seguinte… e depois é o stress do costume. O barro já está a ficar verde e, se não me ponho a pau, eu também.