Estou bastante satisfeita: a semana passada foi-me adjudicado um trabalho de manufactura de réplicas de azulejos – lindos! – do séc. XVI, para uma Capela Manuelina; o que resta de um antigo convento em Sintra. Como sempre, o tempo não é muito e pedem-me urgência na entrega das réplicas; mas contra factos, não há argumentos: os azulejos maiores, 60 unidades de 15x15cm, têm 2cm de espessura, o que até não é muito se pensarmos que as cantoneiras, de 25cm de comprimento, têm 3. De modo que, só na secagem, prevejo umas três semanas pelo menos e isto esperando que o tempo se mantenha ameno. Para já, grande azáfama aqui na oficina, na produção de chacotas – as mais grossas que já fiz.
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1900
Consegui finalmente fazer uns azulejos Arte Nova que me agradem. Depois de duas tentativas falhadas – na primeira utilizei o barro errado e foi um fartote de chacotas empenadas e partidas durante a cozedura; na segunda, mudei para o barro correcto, mas foram os vidrados que me correram mal e foi um fartote de peças cheias de defeitos. Parece que agora, após um ano, algum entulho e uma quanta despesa, lá consegui atinar com a técnica da coisa.
Isto de se aprender com os erros é uma chatice, mas pronto; o trabalho compensa. Estou satisfeita e tenho peças novas que vou tentar vender não sei bem onde.
ARESTA-VIVA
Em Julho passado tive uma pequena encomenda de trinta réplicas de azulejos brancos para colmatarem algumas lacunas existentes numa parede de uma casa linda nas arribas frente a Lisboa. Aparentemente os azulejos são banais e para quem conheça a azularia portuguesa, esta patronagem mourisca em aresta-viva até é bastante vulgar; a questão é que parece já não se encontrar à venda no mercado chacotas industriais com 3mm de espessura e que meçam 14x14cm como as dos azulejos originais.
Tive de fazê-las à mão e depois de algumas experiências de cor, vidrei-as de branco.
PLACAS RELEVADAS
Retomei finalmente a minha produção de placas relevadas em barro refractário, que normalmente vendo na loja do Mosteiro dos Jerónimos e que me pediram há que tempos para entregar – há mais de seis meses – mas que ainda não tinha tido tempo para as fazer. Entretanto e como sempre, tenho ideias para novas, a ver quando consigo.
Estas ainda estão em fase de secagem, mas podem vê-las prontas aqui.
ASSENTAMENTO
“AZULEJOS”
Há uns meses – ainda no ano passado -, falei aqui de uma simpática visita que tivemos cá na oficina.
A semana passada recebi pelo correio um pacote com um livro muito bonito chamado “Azulejos”. Confesso que assim de repente e com este título com uma palavra que me é – nos é – tão familiar, fiquei surpreendida depois de abri-lo: o livro, afinal, está todo escrito em alemão, o que é óbvio e eu já deveria estar à espera; a Lena é uma menina alemã que anda numa escola na Alemanha e eu conheci-a por ela estar precisamente a desenvolver este tema no âmbito de um trabalho final de 12º ano. O que não estava era à espera assim disto, um livro encadernado, com a palavra “Azulejos” impressa na capa dura.
Soube agora que a Lena apresentou e defendeu finalmente o seu trabalho; que estava nervosa no início mas que depois se fartou de falar sobre o tema, que mostrou os azulejos pintados por ela e as tintas de alto fogo; que teve boa nota e que alguns professores ficaram com vontade de visitar Portugal por este mesmo motivo – nunca vieram e desconheciam a palavra “azulejo”.
Tão bom. Estou orgulhosa.
AZULEJOS NEO-CLÁSSICOS
Após cinco semanas tive finalmente autorização da médica para voltar a fazer esforços e a pegar em pesos com a mão esquerda – coisa que, na verdade, eu já tinha experimentado, ainda sem ordem.
Assim sendo, comecei hoje o levantamento dos azulejos em dois dos silhares neo-clássicos existentes na Academia Militar, em Lisboa. Apenas aqueles que se encontravam em risco de destacamento. Devagarinho e com calma.
Está a correr bem.
DE VOLTA, SEM NUNCA TER SAÍDO DAQUI.
Terminei finalmente um trabalho grande de manufactura de réplicas que me manteve ocupada desde o início deste ano até agora e sobre o qual falarei a seu tempo. Entre ser operada à mão esquerda – que afinal faz muito mais falta do que aquilo que eu imaginava – e a discrição que me foi pedida, andei um pouco arredada destas escritas, o que, de certa forma me chateou.
Comecei finalmente o restauro destes azulejos que me foram entregues há cerca de um mês e que ainda mal tinha tido tempo de olhar para eles. E são lindos – é pena só ter quatro, apetecia-me fazer réplicas para ver o efeito que o conjunto dava.
IMPERFEITOS
Terminei já há algum tempo as réplicas dos azulejos da Fábrica das Devesas que me pediram para fazer de modo a colmatar as lacunas de dez frisos de um prédio na Rua da Saudade, em Lisboa. Não fiquei propriamente satisfeita com os resultados: devido a situações várias, não tinha todo o tempo do mundo para me dedicar a este trabalho e tive de geri-lo entre inúmeras outras coisas para fazer, com a agravante de haver uma certa urgência na sua entrega, para assentamento – felizmente o mau tempo deu-me alguma margem de manobra, atrasando a obra.
O primeiro problema com que me deparei foram as estampilhas – demasiado pequenas e delicadas, tive de abrir mais do que as que estava à espera; enganei-me várias vezes, perdi tempo e material e cheguei a irritar-me com aquilo. Pergunto-me como é que eles as fariam na época, mas com certeza que seria da mesma maneira – muita paciência, uma tesourinha e boa vista. Depois, o azul. Os azulejos originais apresentavam um tom liso, sem marcas de trincha; parecia-me um decalque, ou qualquer coisa do género. Fiz algumas experiências de cor e tentei criar o mesmo efeito, com uma pequena esponja – o azul, aplicado um pouco mais espesso e mesmo com fundente, acabava por borbulhar e aplicado com a trincha, não tão forte, apresentava um efeito mais aguado e translúcido.
Depois o meu forno avariou, a meio de uma cozedura – podia acontecer em qualquer altura, mas não.
Soube que os azulejos originais, datados de 1910, não constam do catálogo de então, com a mesma data. Ao que parece, terão sido uma encomenda especial para este prédio e porquê aqui para esta zona – coração de Lisboa – é ainda mais intrigante, uma vez que as Devesas forneciam, não só, mas principalmente o norte do país. Segundo fui informada, os azulejos que ainda estão nas paredes, tais como os meus, também não pautam pela perfeição: apresentam chacotas de má qualidade, defeitos de fabrico no vidrado e defeitos de pintura, sobretudo nos azuis – “não há dois iguais”.
O que, apesar de não me alegrar, lá me tranquilizou.
D. MARIA
Fui contactada para ir ver uns painéis de azulejos que estão em risco de destacamento da parede, na Academia Militar, em Lisboa – na verdade, se não fosse a fita cola que lhes puseram de emergência, à laia de faceamento e muitos deles já teriam mesmo caído no chão. Trata-se de uma pequena sala interior, forrada com silhares de azulejos neoclássicos, também conhecidos por D. Maria. Estão em bastante bom estado de conservação, mas todos os que estão soltos têm de ser removidos e convém verificar-se o estado de adesão à parede de todos os outros.
Não sei o que é que se passa, mas de repente chovem-me pedidos de orçamentos – o que já é alguma diferença comparativamente com o ano passado.









