POLÍCROMOS

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Continuam-me a chegar pedidos para fazer orçamentos de intervenções de conservação e restauro de azulejos – não percebo o que é que aconteceu de repente. Na verdade, fazer orçamentos não significa ter trabalho, a maior parte das vezes perde-se tempo em vão e depois a esperança – primeiro, a de receber apenas a resposta «Obrigado.» e mais tarde, a de conseguir o próprio trabalho.

Hoje fui ver (com olhos de ver, porque já conhecia) o conjunto azulejar do Mercado da Ribeira, em Lisboa. Aguardemos o que vai acontecer.

PARRAS E UVAS

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Estive a tirar algumas provas desta placa relevada que fiz, há uns bons anos, em barro refractário – a primeira de todas, aquela que me fez começar a dedicar-me mais à cerâmica, como complemento aos trabalhos (ou à falta deles) de conservação e restauro de azulejos. Na altura a ideia era tentar vendê-la na loja do Mosteiro dos Jerónimos, o que veio a acontecer com outras peças que tenho dentro do mesmo género, baseadas nos seus claustros e que dão a ideia de baixos-relevos em pedra; mas esta nunca foi aceite pelo então IGESPAR, por não ser baseada em nenhum dos monumentos sob a sua égide.

De modo que cá ficaram guardadas uma série delas, em stock, à espera de eu me decidir sobre o que faria com elas.

Decidi-me agora, assim de repente. Há uma ou duas semanas – fez-se-me luz. E 10 unidades estão já encaminhadas para uma loja muito especial, que as aceitou ter à venda, à experiência e com a qual têm tudo a ver. Estou muito satisfeita!

ORÇAMENTOS

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 Tem sido muito particular, este ano de 2013. Ainda não tive nenhum trabalho desde Janeiro e as duas facturas que passei, lá para Março, referiam-se ainda a projectos do ano passado, que foram concluídos neste primeiro trimestre. Na minha pasta «Orçamentos 2013» – que eu cá sou organizada – encontra-se apenas um; datado de Junho, para a manufactura de um painel em cerâmica para o Faial, do qual entretanto nunca mais tive notícias e quer-me bem parecer que já ficou em águas de bacalhau.

Contrariamente ao que é habitual nestes longos períodos – que é estar angustiada – tenho aproveitado o tempo todo para investir nos meus projectos pessoais em cerâmica e também aqui na oficina; tenho trabalhado imenso nas minhas peças, tenho feito muitas leituras e remodelei o espaço todo aqui dentro. Tem sido um ano muito produtivo; como eu costumo dizer, um ano só para semear.

Não sei o que é que se passou agora, mas desde que começou Setembro, as coisas começaram a mudar, a mexer. De repente tive três pedidos de orçamentos para fazer, tanto de conservação e restauro de azulejos como de manufactura de réplicas; dos quais dois foram daqueles para entregar quase no dia seguinte, cheios de cálculos e coisas para pensar – trabalhos para alguns meses, com uma grande equipa. De modo que nestes últimos dias tenho andado às voltas com a papelada, as contas e o nó na barriga.

Na prática está tudo igual – fazer orçamentos não é ter os trabalhos; é só uma trabalheira muitas vezes sem retorno, nem sequer um «recebemos, obrigada». Mas já é qualquer coisa a acontecer. E se tudo acontecer, vai ser tudo ao mesmo tempo, como é costume. E aí, estarei bem tramada.

36

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Estão entregues os pequenos azulejos que pintei sob encomenda para uma festa comemorativa de 50 anos de um casamento. 36 unidades; as que eu tinha disponíveis já enchacotadas – visto que o prazo era muito curto – e que chegam para os convidados da festa. Depois, tenho ainda de fazer mais 15, com outra calma. Fiquei contente com o resultado – não houve nenhuma baixa.

E agora, focar-me de novo nas minhas coisinhas.

ENCOMENDA

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De volta à oficina, depois de três semanas em plena natureza, sem ligação à net nem rede de telemóvel – o que é sempre bom. O pior é o regresso e os primeiros dias aqui, como de costume quando não tenho trabalho obrigatório, são passados a fazer de barata tonta; a reorganizar ideias, a ver onde é que parei e o que é que hei-de fazer. Retomar o ritmo, pronto; custa-me.

Felizmente que, ao abrir o e-mail aqui da Tardoz, depois das tais três semanas de resposta automática activada, a dizer qualquer coisa como estou fora e incontactável, volto dia 26, obrigada, vejo com agrado que tenho mensagens novas, entre as quais uma pequena encomenda para pintar umas plaquinhas em barro, com um pormenor de um desenho retirado de um convite para uma festa que assinalará os 50 anos de um casamento.

Apesar do prazo já não ser muito – têm de ser entregues para a próxima semana – e a tarefa ser repetitiva, aceitei a encomenda. Pelo menos, servem para eu entrar nos eixos. E depois se verá.

VIDRADOS DE CHUMBO

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Aproveitando os azulejos que ficaram mais empenados resolvi fazer alguns testes de cores com vidrados de baixo fogo, para ver como saíam. Quando fiz estes exemplares, estava apenas a pensar em usá-los como mostruário de azulejos Arte Nova que a Tardoz poderia produzir sob encomenda, para revestimentos parietais; mas uma amiga perguntou-me por que é que não os tento vender avulso – o que, confesso, nem me tinha ocorrido. Mas agora, vendo bem, por que não? Até acho que podem ter saída…

AZULEJARIA CONTEMPORÂNEA

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Começo a ver os primeiros resultados dos azulejos da nova produção que tenho andado a fazer desde Janeiro – com algumas pausas, claro. O percurso feito até agora já serviu para tirar algumas conclusões; alguns moldes têm de ser aperfeiçoados e muito provavelmente irei abandonar a faiança. Chateia-me ligeiramente só aos poucos ter dado por isto, mas por outro lado, mais uma vez percebo que é preciso seguir por um caminho para vermos que nos enganámos – o que de outra forma não seria possível. Para já estou satisfeita q.b. com os resultados, mas a coisa pode ainda melhorar.  E ainda vou mais do que a tempo.

AVISO

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Ontem veio cá um rapaz da vizinhança bater à porta da oficina, a perguntar se pintávamos azulejos. Queria um azulejo com 10x10cm, ou talvez 20x20cm, ou o melhor, se calhar, seria até 15x15cm, a dizer «cuidado com o cão perigoso e depois, em baixo, raça pit bull; tenho que dizer a raça, é obrigatório» para meter lá no jardim, ou à porta de casa – não percebi bem. Eu disse-lhe que sim, com certeza, é o meu trabalho.

– E quando é que está pronto?

-Penso que na quinta já deve estar pronto, eu hoje vou fazer uma fornada de vidrados e aproveito para meter o seu azulejo. Bom, o melhor é apontar para sexta.

-Ok, então passo por cá na sexta. Adeus.

– Adeus.

Hoje pintei-lhe o azulejo; nem lhe perguntei se queria alguma cor em especial, portanto ficou a azul e branco, o clássico. Na verdade não aproveitei a tal fornada, que cozia a uma temperatura um pouco mais alta e depois a tinta de alto fogo desapareceria – e eu quero que a coisa fique bem, sempre é uma encomenda, praticamente o primeiro trabalho deste ano. E na sexta vai estar pronto.

CAMINHO

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Finalmente estão secas as primeiras provas da nova produção azulejar que comecei a fazer este ano. O tempo passa mais depressa do que eu gostaria e às vezes queria que o trabalho aqui da oficina andasse ao mesmo ritmo que ele, embora repita constantemente para mim mesma – e a experiência faz-mo sempre ver – que depressa e bem não há quem. Fazendo o balanço deste ano, agora que estamos em Junho e tendo em conta que ainda não fui contratada para prestar nenhum serviço desde Janeiro e também que tenho trabalhado imenso em duas produções cerâmicas distintas e lido imenso e feito imensas experiências e aprendido bastante; posso dizer que estou satisfeita.

Já consigo ver alguns caminhos; ideias não me faltam, assim vá a coisa devagar.

SECOS

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Voltei à minha produção de azulejaria contemporânea , que entretanto ficou parada há uns tempos – antes de eu ir duas semanas para Marrocos e ainda antes de ter começado a fazer novas peças em barro refractário para a loja «A roda da fortuna», em Évora e ainda as experiências de vidrados de alta e baixa temperatura e de pastas coradas e engobes e também os azulejos para a mãe da minha amiga Júlia.

Ia no 8º ou 9º protótipo, não me lembro bem; mas sei que estava muito entusiasmada com a produção – a qual estava a ser chamada de 2013, à falta de nome melhor -, quando decidi fazer uma pausa na criação artística e começar a tirar várias provas de cada exemplar. Neste momento tenho ainda pouca coisa e nada acabada: uns três ou quatro de uns quantos, nenhuns de outros e alguns empenados, que vão já fora, resultado de uma secagem desatenta – para não dizer sem atenção nenhuma; para ali ficaram a secar como queriam enquanto eu estive fora.

Vou tirar pelo menos 16 exemplares de cada um, quero formar pequenos conjuntos para fotografar para o catálogo – e acho que chegam; não me apetece ficar com a oficina cheia de material armazenado. E depois recomeço a fazer os protótipos novos.