Acabei o protótipo do novo azulejo que estou a fazer e ainda comecei outro. Tal como previsto – já me conheço -, a minha cabeça está a funcionar a mil e tenho alguma dificuldade em fazer uma selecção do que realmente interessa – infelizmente, só fazendo um exemplar é que consigo perceber. Amanhã vou tirar o molde e depois fazer os acabamentos.
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PROTÓTIPO
Comecei hoje o protótipo de um azulejo de padrão, o primeiro de vários que quero fazer e que, há falta de melhor, para já; estão arquivados numa pasta que se chama «produção 2013». Tenho muitas ideias, ainda bastante desorganizadas, mas, como sempre, quando começo a mexer com os materiais, elas vão-se encaixando e encarrilando ordeiramente.
O problema, mais logo, vai ser conseguir dormir; com a cabeça a funcionar a mil.
A-12
Terminámos hoje a manufactura das chacotas manuais para o painel de azulejos do calendário que estamos a fazer para a Faculdade de Ciências de Lisboa. No último, o A12, correspondente ao dia 31 de Dezembro, esgrafitámos no tardoz o nome da oficina que os produziu – a Tardoz – e os símbolos de quem os executou – Isabel Colher e Margarida Melo Fernandes. Uma gracinha que será encontrada se alguma vez o painel vier a ser levantado da parede.
CINCO
MOTIVOS RELEVADOS
Acabei de gravar o molde para as réplicas dos frisos de azulejos Arte Nova que tenho de fazer – ainda não tirei nenhuma prova para rectificar o que for preciso (já se vai notando a humidade aqui na oficina e a placa de gesso, que fiz na sexta-feira, ainda não está bem seca). Tive alguma dificuldade a fazer os motivos relevados: o vidrado do azulejo original que aqui tenho a servir de modelo, apesar de transparente, é tão espesso que acaba por cobri-los e custa-me a ver o que é que está ali representado. Mas parece-me que é isto.
FRISO
Fui ontem buscar o outro azulejo Arte Nova – um friso – que ainda tenho de fazer para colmatar as lacunas existentes na parede do hall de entrada do nº 61. Será com certeza também proveniente da Fábrica de Loiça de Sacavém, mas depois de uma breve pesquisa, ainda não consegui encontrar nenhuma referência à sua existência – tenho de procurar mais.
Vou começar o processo todo de novo: retirar o desenho (o que não é fácil, uma vez que está pouco visível); moldar o relevo em gesso; tirar uma primeira prova e aperfeiçoar o que for preciso e, finalmente, tirar o número de réplicas pretendidas – neste caso, apenas três. Ah!, para não falar nas experiências de cor do vidrado. Começo a duvidar se me compensa este trabalho todo; mas pronto, gosto de o fazer e sempre fico com um molde já feito para o que der e vier.
1ª PROVA
Acabei de tirar a primeira prova do molde que tenho estado a fazer para as réplicas de azulejos Arte Nova. O objectivo é perceber o que é que tem de ser aperfeiçoado – verificar relevos e aprofundá-los, se necessário (o contrário já não é possível; quer dizer, é, mas não vai ser agora a altura de falar nisso), corrigir espessuras de linhas e alisar superfícies. Que é o que vou fazer agora e depois dou esta fase por terminada.
GRAVAR
Comecei hoje a fazer o molde em gesso para a manufactura de réplicas dos azulejos Arte Nova que me encomendaram (e já percebi o quão ingénua fui com os preços que pedi; mas enfim, está-se sempre a aprender…). Estive indecisa se havia de gravar directamente os baixos-relevos no gesso – o que gosto de fazer – ou se modelar primeiro uma réplica em barro vermelho e depois tirar o molde do mesmo – o que também gosto de fazer. Decidi-me pela primeira hipótese, mas rapidamente desisti: o trabalho é moroso e delicado, a vista já vai faltando, raciocinar constantemente em negativo é difícil e o risco de me enganar ou partir alguma aresta é elevado – o que é chato, principalmente se já estivermos quase com o molde concluído. Resolvi então passar ao plano B – fazer um protótipo em barro: gosto de modelar e apesar de moroso, sempre se controla melhor o processo de manufactura. Foi nesta altura que me deparei com um problema que temos (tenho) aqui na oficina e que continua a alastrar: não se faz (não faço) a manutenção do barro quando este não anda a ser preciso e depois deparamo-nos (deparo-me) com uns pedregulhos duros de argila branca, vermelha e outras tipologias que estão ali arrumados debaixo do taipal há uns anos e que ocupam imenso espaço e que não servem absolutamente para nada enquanto ninguém (eu) se der ao trabalho de meter aquilo tudo de molho e tiver mãozinhas, pachorra e coragem (que não tenho; nenhuma das enunciadas) para amassar aquilo tudo de novo.
Comecei hoje a fazer o molde em gesso para a manufactura de réplicas dos azulejos Arte Nova que me encomendaram. E está a correr bem.
ART NOUVEAU
Aqui há uns tempos – alguns, já – fui contactada no sentido de poder vir a ter de fazer umas réplicas destes azulejos da extinta Fábrica de Sacavém e que, segundo descobri no Catálogo de Preços Correntes da Real Fábrica de Louça de Sacavém – Azulejo; datado de Agosto de 1910, correspondem ao motivo 19-F, com a descrição «Azulejo com decoração Art Nouveau, com relevo e vidrado monocromático».
Na altura foi-me pedido um orçamento a contemplar o preço unitário de cada réplica com o mesmo tom, mas liso e eu, pelo sim, pelo não, entreguei também um orçamento onde especificava o preço unitário de cada réplica com o respectivo motivo relevado – caso quisessem. Quiseram. Cerca de 15 unidades, para as quais eu até já tinha aproveitado uma fornada para cozer também umas experiências de cor, esperando na altura adiantar trabalho e rentabilizar o forno.
31
Há coisa de um mês – antes de ir duas semanas para fora, a banhos – comecei um novo trabalho, desta feita no 31 de uma rua central em Lisboa. Para primeira fase tratava-se de separar e inventariar o espólio azulejar que tinha sido levantado da parede há mais de três anos e do qual não havia registo – e que se encontrava empilhado aleatoriamente na cave do edifício. Para além de se tentar perceber o que é que ali estava, havia também a necessidade de se encontrar 26m2 de uma padronagem específica e respectiva cercadura para revestir a escadaria de entrada que, segundo uma fotografia antiga, lá estaria originalmente e que não se sabia se ainda existia ou quanto é que existia.
Ao fim de cinco dias de trabalho intensivo conseguimos separar e inventariar cerca de 3817 azulejos – fora os oito caixotes com fragmentos da mesma tipologia – separados por 13 tipos de padronagem; 9 tipos de cercaduras; 12 tipos de rodapés; 2 tons de azulejos brancos e ainda 3 conjuntos de azulejos da mesma tipologia possível de serem analisados numa outra ocasião.
Para meu contentamento encontrámos quase toda a totalidade da padronagem pretendida, que, após tratamento de conservação e restauro, poderá voltar para a parede e cumprir a função para a qual foi feita.










