RUBUS CHAMAEMORUS

E quando tudo levava a crer que já tinha terminado a encomenda para a Universidade da Lapónia,  que já tinha falado aqui, eis que recebo ainda mais três imagens destas pequenas plantinhas resistentes ao frio, as quais pintei em mais três azulejos, aumentado o número total para 18 azulejos.

A última a ser pintada foi esta pequena plantinha silvestre, resistente ao frio, que pode crescer em latitudes tão elevadas como por exemplo 78ºN, de seu nome Rubus Chamaemorus, a qual produz uma pequena amora linda, cor-de-laranja; ao que parece, um fruto suculento muito saboroso, com o qual se pode fazer compotas, sumos, gelados, tartes e licores!

 

RELAXADA

Estou quase a acabar de pintar os quinze azulejos com várias ilustrações de plantas do Ártico, que me encomendaram da Finlândia.

Foram-me enviadas fotocópias a cores com os desenhos a reproduzir, os quais tiveram de ser redimensionados para o tamanho dos azulejos – 15x15cm, neste caso -; uns foram aumentados, outros reduzidos e no final cada ilustração é relativamente pequena e tem alguns detalhes que custam a entender.

Confirmei mais uma vez como é importante usar as ferramentas adequadas a cada tarefa que se faz e agora trabalho levemente com a pontinha de pincéis cada vez mais fininhos, que raramente uso; a paleta de cores é aguada q.b., os tons são aplicados por camadas, primeiro os mais claros, depois os mais escuros. Não estou habituada a pintar desenhos assim tão delicados; tento que pareçam o mais natural possível, mas tenho dificuldades – são os pincelinhos, são as cores, as tintas, a escala e o pormenor. No entanto, à medida que avanço de uns para os outros vou compreendendo cada vez melhor o que é que devo fazer e como é que devo fazer; depois relaxo e deixo a mão executar – se calhar, no final, deveria repetir os dois ou três azulejos que pintei no início, mas não sei se vou ter paciência para isso.

 

 

 

CASSIOPE TETRAGONA

Comecei ontem a trabalhar na encomenda de 15 azulejos com ilustrações de plantas nativas do Ártico, para enviar para a Finlândia no final deste mês.

As ilustrações têm muito detalhe e é tudo muito pequenino; para já tenho estado a fazer os estregidos, que me estão a dar mais trabalho do que aquele que esperava, pois convêm ter um picotado apertadinho, para ficarem com melhor definição – e já estou a com os olhos em bico.

Amanha de manhã, quando a luz é melhor aqui na oficina, começo a pintar a Cassiope Tetragona, uma planta anã, que pelos vistos gosta de frio e se encontra por todo o lado no alto Ártico e norte da Noruega.

LAPIN YLIOPISTO

Ainda estou espantada com as coisas que me acontecem! Alguém me descobriu na Finlândia e ontem recebi uma carta directamente da Lapin Yliopisto, na Lapónia – a universidade mais setentrional da União Europeia -, com 24 ilustrações de plantas que me pedem para pintar em azulejos. Será para a casa do Pai Natal?

1876

Tal como estava combinado, ontem entreguei as oitenta réplicas de azulejos de estampilha que fiz para o coreto do Jardim do Tarro,  em Portalegre, construído em 1876.

O prazo foi apertado e a luta contra o tempo não me permitiu fazer muitos mais testes de cores e fiquei a achar que o branco poderia ser talvez um bocadinho mais acinzentado; o azul escuro não está tão escuro e fundido como o dos azulejos originais e o brilho, pois…; estes azulejos são mais brilhantes, mas tive problemas com as tintas sobre os vidrados mate dos testes que experimentei e achei que era melhor não arriscar com a produção, assim tão em cima da hora, porque depois não havia tempo nem margem para voltar a repetir tudo – ainda para mais, com chacotas 13,5×13,5cm, que já não se fabricam e que já tinha deixado cortadas antes de ir para férias.

De qualquer modo, estou satisfeita; este padrão é muito bonito e apesar de tudo, os azulejos ficaram bem – agora fico a aguardar a fotografia in situ.

 

CORETO

Após uma merecida pausa de três semanas, para descansar e tentar meter a cabeça no lugar, estou de volta à oficina directamente para produzir 80 réplicas de azulejos de padrão para o coreto do Jardim do Tarro, em Portalegre, as quais prometi entregar até dia 6 de Setembro, no máximo. O tempo está a contar e não permite fazer muitas experiências de cores – vou ter de assumir rapidamente o que me parecer o mais semelhante possível; porque depois, entre vidrar as chacotas todas, pintar e cozer, de repente já lá estamos.

Confesso que ainda ficaria de bom grado mais uma semana sem vir cá – o que não é nada normal, apetece-me sempre vir para a oficina! – mas enfim, noblesse oblige.

 

BRANCO

Ando há alguns dias a adiantar já testes de cores variados, para duas ou três encomendas distintas que irei começar a executar daqui a um mês, quando voltar à oficina, depois de umas férias merecidas, sem pensar muito nisto – e nem em nada, para falar muito sinceramente. Gostaria de deixar esta parte já feita, porque depois tudo pode avançar mais rapidamente, mas às vezes sinto que estou esgotada e que o melhor seria parar já e depois voltar com a cabeça limpa, pronta a raciocinar e a ver as coisas com alguma clarividência, porque agora tenho tido algumas dificuldades.

Tenho andado à luta para conseguir engendrar um vidrado branco para fazer cerca de 250 réplicas de azulejos do séc XVIII, que, por serem brancos, parecem tão simples, mas a verdade é que já criei não sei quantas receitas para não sei quantas experiências de cores e nada – alguns resultados até têm bastante piada, pois não têm mesmo nada a haver com o procurado e é sempre uma surpresa abrir o forno.

Hoje, finalmente, ao fim de três dias consecutivos a fazer receitas novas, todas falhadas, tirei da mufla de experiências duas ou três amostras com tons muito semelhantes àquilo que pretendo, mas ainda não estou bem convencida. Tenho as minhas suspeitas de que preciso de um óxido que não há, nem nunca houve, aqui na oficina…

 

 

 

 

AZUL E BRANCO

Às vezes acontece-me isto. Pedem-me um orçamento para a manufactura de um painel de azulejos, com um determinado tipo de decoração e tamanho e até amostras de cor de possíveis vidrados em tons âmbar e depois, afinal, o painel vai ser maior do que aquilo que estava previsto, os vidrados transparentes desaparecem e a decoração pedida passa a ser aquela tradicional, figurativa, a azul e branco – aquela que eu não sei fazer e que normalmente recuso; não sou uma pintora de painéis de azulejos, há quem faça disso a sua vida e o faça muito melhor do que eu.

Mas às vezes acontece-me isto; e não sei bem como, nem de que maneira, mas dei por mim a pintar uma paisagem rural, a azul e branco, num painel de azulejos de quatro metros de comprimento, que ainda por cima não me cabe todo no taipal e que tem de ser pintado em quatro quartos, um de cada vez e que tenho a sensação de ir avançando com o trabalho sem ter bem a certeza do que é que estou a fazer e sempre com medo que saia tudo mal, mas enfim; eu avisei.

 

 

 

CRUA – SEGUNDA PARTE

E a semana acabou assim: estive a vidrar a peça inferior da réplica do friso cerâmico da Sala Árabe do Palácio Nacional de Sintra e que faz conjunto com esta que já mostrei aqui.

Coisas que hoje aprendi, depois de fazer mal:

  • é melhor vidrar primeiro as superfícies laterais e só depois, então, vidrar o fundo e os topos, fica um acabamento mais perfeito;
  • para vidrar com trincha parece-me melhor que o vidrado esteja um pouco mais líquido, mesmo arriscando ter de repetir as passagens três ou quatro vezes no mesmo sítio, em várias direcções;
  • com a pera de borracha convém que o vidrado esteja um pouco mais cremoso;
  • nada como trabalhar com as ferramentas adequadas a cada tarefa e ao fim que se pretende (esta já sabia, mas confirmei);
  • melhor trabalhar com luz natural – da parte da manhã, no caso aqui da oficina (esta também já sabia, mas fiz à tarde, com luz artificial);
  • já percebi porque é que esta técnica não teve grande desenvolvimento, dá imenso trabalho e demora-se um tempão para fazer um só azulejo, imagino que saíssem caríssimo!

Segue hoje para o forno, resultados só na segunda-feira.

 

CRUA

Acabei de vidrar a primeira amostra das réplicas de frisos em relevo que estou a fazer para o Palácio Nacional de Sintra.

Confesso que, de uma forma geral, estou sempre pouco confiante com a questão dos vidrados e em casos como este ainda mais, uma vez que os mesmos são aplicados com trincha, coisa a que não estou habituada e fico sempre um pouco angustiada com o trabalho, pois não consigo ter noção da espessura das camadas que apliquei, – se demasiado finas, se demasiado espessas. E em ambos os casos temos defeitos de vidrado depois da cozedura.

Enfim, vai ao forno esta noite; resultados, agora, só na segunda-feira. Vou passar o fim-de-semana a fazer figas.