Quase a completar quatro meses de intervenção no conjunto azulejar do Pátio dos Canhões, no Museu Militar, a obra continua a bom ritmo. Depois de uma breve paragem de dois ou três dias de temporal, em que toda a equipa foi fazer reforço lá no 88 (onde a água, por acaso, também entra), tivemos de puxar pela cabeça para conseguirmos continuar a trabalhar, agora que o inverno se avizinha e seguramente, mais dias de chuva também – já muito bom foi o verão ter-se prolongado até fins de Outubro. Estamos a entrar na recta final do trabalho; a integração cromática arrancou agora e não dá para parar a obra. Felizmente que a minha equipa é muito expedita e, enquanto eu aqui na oficina pesquisava na net alguma solução de tendas rápidas ou toldos protectores, os meus colegas articularam-se entre comprar manga plástica e construir uma estrutura em madeira, o que parece ter solucionado o problema e a um custo muito mais económico. Gente multi-facetada, é o que é. Mais uma vez, posso afirmar que tenho muita sorte…
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CORES
Comecei a trabalhar nas réplicas para integrarem o conjunto azulejar do 88. Como sempre, há pressa na entrega das mesmas, apesar de se lhes explicar que isto não se faz de um dia para o outro. Por acaso consegui comprar chacotas manuais, o que foi uma sorte, pois nem sempre há em stock o número suficiente que se precisa e já vai adiantar o processo. Agora, o costume; fazer experiências de cores, retirar desenhos, vidrar, limpar vidrados, picotar… Felizmente já tenho muitas cores onde me basear e é só fazer alguns acertos, mas entre enfornar e desenfornar, passa um dia.
BOLINHOS
Tenho comido um bolinho quase todos os dias, sempre que saio do 88. Podia ser pior e dar-me para beber, mas ainda não; por enquanto fico-me pelos doces. O assentamento dos painéis está todo pronto, exceptuando, claro, aqueles casos em que ainda não se decidiu o que fazer com as paredes, se são em alvenaria ou em Pladur ou em Aquapanel ou ainda se eram de uma forma, mas agora vão ser de outra. Há também os casos em que as paredes prontas têm de recuar vinte centímetros e aqueles em que elas já estavam acabadas mas que afinal têm de levar duas ou três tomadas – porque ali vai ser uma cozinha – e se voltam a abrir roços e levantam-se outra vez alguns azulejos para se passarem os fios eléctricos e também aqueles em que se chega à conclusão que naquele sítio, afinal, se pode abdicar da parede; mas assim, aqueles painéis já não ficam bem ali e o melhor será passá-los para outro lado, ou rodá-los para a horizontal, o que resulta muito melhor. A poeirada continua em alta e a confusão de gente também, mas no meio disto, continuamos a fazer preenchimentos e integração cromática onde podemos e a dar por terminados uma série de painéis, os quais vão sendo encontrados cobertos de entulho ou materiais vários das outras equipas, apesar dos vários alertas que já fizemos para os protegerem e nos quais não tencionamos voltar a tocar. Nesta altura estamos todos cansados e fartos de ali estar; já só queremos despachar o trabalho o mais rápido possível e sair dali para fora. Resta-nos o «está a ficar bom!» do engenheiro chefe, ao qual ainda acrescentou se eu lhe conseguia baixar o preço unitário das réplicas.
RESTAURADO!
Primeiro painel de azulejos acabado no 88! (Bom, bom; ainda falta proteger a integração cromática com cera microcristalina, mas amanhã de manhã, logo cedo pela fresquinha, vou aplicá-la sobre os preenchimentos e aí sim; pode-se proteger todo o painel com cartão antes que venham os barradores, ou os electricistas, ou os carpinteiros, ou os pedreiros, ou os pintores e nos sujem aquilo tudo de novo e a gente tenha do limpá-lo aí pela 4ª vez!…) E para ali não volto!
INSTITUTO DE MEDICINA TROPICAL
Começou hoje a intervenção de emergência no painel de azulejos da autoria de Lino António, no Instituto de Medicina Tropical, em Lisboa. Quando me ligaram, no fim da semana passada, a perguntar qual era a minha disponibilidade para iniciar o trabalho, respondi «imediata!», apesar de andar a distribuir o meu tempo entre o 88, o Museu Militar e a oficina; ou seja, não tinha disponibilidade nenhuma. Felizmente, tenho um colega chamado Loubet, que também faz parte da equipa maravilha e que tem estado de reserva, desde que chegou do Pinhão, pronto para entrar na fase da integração cromática lá no Pátio dos Canhões, a qual eu tencionava começar muito em breve – fase esta que agora vai ter de ser adiada mais umas duas semanas, uma vez que é ele quem vai tratar deste painel.
CONDUTIVÍMETRO
5º dia de dessalinização do painel Ni-2, no Museu Militar. Tal como se esperava, os azulejos estavam cheios de sais e o condutivímetro tem apresentado valores muito elevados – mais de 4000 micro Siemens; o que, para já, obriga a mudanças diárias de banhos. Curiosamente, as filas superiores apresentam valores muitíssimo mais elevados – chegaram aos 8000 micro Siemens – o que corrobora a ideia deste problema, aqui, ser causado principalmente pela infiltração de água vinda da caleira superior em mau estado e também pelo tubo interno dentro da parede, com a manilha partida, que descarregava água constantemente no tardoz dos azulejos; não ascendendo os sais por capilaridade, como tantas vezes acontece. A parede, entretanto, já foi picada até à sua estrutura; a manilha foi substituída; a caleira está arranjada e o novo reboco, à base de cal e areia lavada, já está feito. Agora é esperar que os valores da condutividade dos banhos baixem até serem considerados irrelevantes e os azulejos estão prontos para serem reassentes. O que vai demorar, seguramente, mais umas duas semanas.





