BARRAS, PALMITOS E CERCADURAS

Esta semana entreguei todas as réplicas dos azulejos que fiz para a fachada de um edifício antigo, futuro hotel, no centro de Lisboa – no total, foram quase 300 unidades que irão colmatar as lacunas existentes na parede, divididas entre padronagens, esponjados, frisos, cercaduras, barras, palmitos, albarradas e ainda com tonalidades, dimensões e técnicas diferentes.

Ficaram bem, aqui na oficina. Tenho a certeza que lá, na parede, ainda vão estar melhor – vejo depois, quando por ali passar.

PINTURA

Tenho andado ocupada com a manufactura de réplicas de azulejos para a fachada de um prédio bem conhecido no centro de Lisboa – que em breve dará lugar a mais um hotel na Baixa Lisboeta.

Tratam-se de azulejos de diferentes dimensões e técnicas e épocas e cores e tons; com motivos repartidos entre padronagens, barras, cercaduras e figurativos – no total, catorze tipologias diferentes, as quais têm de ser feitas de acordo com as quantidades que faltam a cada uma; ora três, ora sete, ora vinte e duas do lado esquerdo, ora dezasseis do lado direito; esta já está acabada, aquele não ficou bem; vou ter de repetir.

Aos poucos a coisa avança, com alguma calma e atenção, mas a bom ritmo. No total são um pouco mais de duzentos e cinquenta.

MASCOTES

Há muitos anos – muitos, acho que mais de quinze; muito antes de eu ter a mesa de lastras e quando ainda me dedicava quase a 100% à conservação e restauro de azulejos -, foi-me pedido um orçamento para azulejos manuais laranjas e vermelhos, com 10x10cm cada, com o requisito de serem bastante toscos e irregulares. Como na altura tinha muito pouca noção dos tempos e dos custos da manufactura deste tipo de azulejos, resolvi fazer um metro quadrado de chacotas para me ajudar com as contas.

O trabalho nunca foi para a frente e as quase cem chacotas ficaram aqui na oficina, guardadas num armário, a ocupar espaço – nunca lhes dei grande uso; não se adaptavam aos trabalhos que eu ia tendo mas fazia-me impressão deitá-las fora. E assim sendo, carreguei com elas várias vezes de um lado para o outro; volta e meia lá ia usando uma ou outra para testes de cores ou amostras de vidrados, mas nunca lhes consegui ver grande utilidade.

Até agora – finalmente consegui dar-lhes uso.

 

 

 

 

 

REGATA

Ainda na mesma maré: acabei de entregar esta pequena colecção de 25 azulejinhos manuais, de 7x7cm cada, com barcos à vela prestes a levantar âncora e zarpar rumo à Nova Zelândia – uma pequena encomenda que me fizeram a semana passada e que terminei já, antes que os trabalhos maiores que se avizinham me ocupem o tempo todo.

 

 

 

 

TESTES DE COR

De volta à oficina e às mãos na massa depois de uma estada fora para banhos e limpeza da cabeça.

Para já, a rentrée coincide com um novo projecto – manufactura de réplicas deste azulejo de padrão e respectivos frisos, cerca de 200 unidades no total que irão colmatar as lacunas existentes na fachada de um edifício em Setúbal. As estampilhas já estão cortadas e os primeiros testes de cor, acabados de pintar, vão hoje para o forno.

MAIS PADRONAGEM

 

Coisas que acontecem: depois de ter feito cerca de 1500 azulejos novos para revestirem integralmente uma fachada de um edifício na Ajuda, sobre a qual falei aqui, tive logo a seguir uma outra encomenda de mais 130 réplicas de outros azulejos de estampilha aparentemente iguais, para colmatarem as lacunas de outra fachada de outro edifício, este na Lapa.

Quando digo aparentemente iguais, refiro-me ao facto destes serem uma outra variante do mesmo tema; não só por serem em tons de verde, mas também por medirem 13x13cm (aquela medida que não dá jeito nenhum) contra os 14x14cm dos anteriores. Até o padrão, que todos diríamos ser igual, afinal é um pouco diferente.

Com isto quero dizer que as chacotas tiveram de ser cortadas todas uma a uma e as estampilhas feitas de novo de acordo com as estas medidas e este motivo – o que soube bem, pois assim pareceu-me que afinal estava a trabalhar num projecto diferente do anterior. E estava.

 

 

 

AOS QUADRADINHOS

Não sei bem como, mas de repente – e aproveitando a deixa de começar a criar os meus próprios azulejos para decoração de cozinha, que já falei aqui -, desatei a fazer pequenos azulejos manuais baseados em pictogramas, símbolos e abreviaturas conhecidos e usados comumente um pouco por todo o lado.

A ideia, para já, é fazer uma série de pequenos conjuntos de 4 azulejos que relatem algo, que transmitam alguma ideia; que contem uma história – um pouco à laia de banda desenhada; neste caso e literalmente, à laia de histórias aos quadradinhos.

E agora confesso que ando obcecada com isto e não consigo deixar de ter ideias e de as produzir e quanto mais as produzo, mais ideias tenho e quanto mais ideias tenho, mais quero produzi-las.

Conclusão: muitos anos a pintar anjinhos, folhas de acanto e volutas dão nisto.

 

ESTAMPILHA

Aqui há uns tempos fui desafiada para criar pequenos conjuntos de 4 azulejinhos manuais, pintados, com 7x7cm cada, para servirem de decoração de cozinha. Lembrei-me imediatamente daqueles pequeninos que faço, baseados na azulejaria tradicional portuguesa – que são tããão giros! – e quando os mencionei, disseram-me que sim, que “podiam ser esses e também outros, quaisquer outros que eu quisesse criar”.

Neste ponto confesso que bloqueei – mais de vinte anos a trabalhar em conservação e restauro de azulejos, dentre os quais os últimos seis ou sete foram dedicados a pintar réplicas para monumentos e edifícios, dão nisto. “Outros quaisquer, que eu quisesse criar… ” Como assim? Mas que mais é que se pode pintar em azulejo que não seja baseado na azulejaria tradicional portuguesa? Impossível, NÃO HÁ NADA!!! Ok, ok, bem sei que já criei uma série de azulejos diferentes – que se podem espreitar aqui – mas enfim, era outra coisa; eram azulejos relevados, não eram azulejos pintados.

Depois, aos poucos, lá fui raciocinando, claro; cozinha… cozinha…; o que é que tem a ver com cozinha?, o que é que pode ter a ver com cozinha?; e as ideias começaram a surgir; primeiro devagar, depois mais depressa  e depois em catadupa; sempre com a cabeça a mil e o entusiasmo de produzir, produzir!, de modo a quase ter de ser arrancada aqui da oficina.

E pronto; aqui estão eles; os primeiros resultados – azulejos manuais, pequeninos, pintados com estampilha.

E agora já tenho mais ideias novas.

 

 

 

 

 

 

 

AZUL E AMARELO

Estão entregues as 80 réplicas de azulejos do séc. XVII que fiz para a Igreja Matriz da Louriceira – feitas em tempo record e totalmente à mão; saíram quase directamente do forno para as paredes. Foram pintados cinco motivos diferentes, em número variado e não tive tempo de montar o padrão aqui na oficina, nem de fazer um ou outro ajuste que se calhar mereceriam; mas pela experiência que já tenho, acredito que vão ficar bem na parede, integradas no meio dos azulejos originais – fico curiosa por ver os resultados.

SÉC. XVII

Tenho andado ocupada com uma encomenda que me foi feita há cerca de um mês. Trata-se da manufactura de cerca de 80 réplicas de azulejos do séc. XVII, que irão colmatar as lacunas existentes no revestimento azulejar, do tipo tapete, de uma pequena igreja fora de Lisboa.

Apesar de alguma urgência na encomenda, as chacotas foram todas feitas à mão – os azulejos medem 14,4×14,4cm cada -, e apesar da minha preocupação com os tempos de secagem, a meu favor jogou não só o facto do tempo andar quentito, como também o dos azulejos originais serem bastante empenados e assim foi só estender as lastras, cortar os azulejos com a dimensão pretendida,  espalhá-los em ganapos por toda a oficina e deixá-los secar ao ar – o que aconteceu mais ou menos numa semana, coisa impensável no inverno, pelo menos aqui na oficina. E depois, não fosse o diabo tecê-las, enchacotei muito leeeeentameeeente durante os primeiros 200º e não tive nenhuma quebra.

Esta semana comecei a pintura, vinte azulejos por dia, mais ou menos; que não consigo fazer trabalho repetitivo por muito tempo e preciso de conjugar com outras coisas que tenho em mãos. Deixo os azulejos vidrados e limpos de véspera, pinto os motivos pedidos de cada tipologia necessária – são cinco diferentes, em número variável – meto nas gazetes e vidro e limpo o vidrado de mais vinte azulejos para o dia seguinte.

A semana que vem estão todos prontos para serem entregues; assim corra tudo bem com as fornadas.