Estão prontos a entregar os azulejos que a Marie-Eve me pediu para pintar com os desenhos que a Chiara, a neta dela fez e que eu já tinha falado aqui há cerca de uma semana – são os azulejos mais divertidos que já pintei.
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ESBOÇO
Comecei a trabalhar no desenho para uma nova encomenda que tive aqui há umas duas ou três semanas – um painel de azulejos para a parede de um lagar, numa pequena adega privada.
O painel tem de ser feito com chacotas manuais e o motivo foi mais ou menos deixado ao meu critério, mas podia ser “qualquer coisa como um Baco e uvas, muitos cachos de uvas”, pintado a azul e branco.
Estive a pensar e acho que vou usar também manganés – fica bem nos cachos de uvas.
PINTURA EM SÉRIE
Como pintar um a um, 270 azulejinhos com um motivo floral:
- Encher um ganapo com 50 azulejinhos e colocá-lo em cima da bancada de trabalho;
- Preparar o estregido, tintas, pincéis e tento;
- Transferir o desenho com a boneca de carvão para 10 azulejinhos;
- Arranjar uma cadeira confortável com rodas;
- Dispor os azulejinhos em linha ao longo do taipal;
- Pôr os óculos;
- Pegar no pincel de contorno;
- Começar pela ponta esquerda ou direita da linha, a gosto;
- Começar por pintar a eito todos os caules da mesma cor até chegar ao fim da linha – neste caso, com o azul forte;
- Mudar para o pincel de enchimento;
- Mudar o frasco de tinta e tirar o primeiro da vista, para não dar azo a enganos;
- Começar a pintar todas as pétalas da mesma cor, até chegar ao fim da linha – neste caso, com a aguada;
- Lavar o pincel de enchimento;
- Trocar novamente para o primeiro frasco de tinta e tirar o segundo da vista, para não dar azo a enganos;
- Pintar as bolinhas todas da mesma cor até chegar ao fim da linha – neste caso, com o azul forte novamente;
- Tirar os óculos;
- Retirar toda a linha de azulejos do taipal – com cuidado para não tropeçar no tento nem na cadeira que entretanto estão no meio do caminho – e colocá-los novamente no ganapo;
- Respirar fundo;
- Recomeçar tudo de novo com mais dez azulejinhos.
Dicas úteis:
- Dar por encerrada a pintura quando terminar esse ganapo – mesmo que ainda tenha mais três ou quatro cheios com 50 azulejinhos cada;
- Não tentar começar a pintar mais depressa;
- Não olhar para o relógio;
- Não ver quantos ainda tem para fazer.
Boa sorte e mãos à obra! 😉
270
Há cerca de duas semanas recebi um e-mail vindo de Espanha, a perguntar-me se eu estava interessada em fazer 270 azulejinhos, com 7,5 x 7,5cm cada, para serem oferecidos aos convidados de um casamento em Cáceres e se era possível serem entregues até ao final deste mês – foi a noiva quem me contactou, claro.
O tema do casamento é “azulejos e picotas” – as cerejas típicas da Extremadura espanhola – e a ideia seria pintar cada azulejo com um motivo floral e o nome de cada convidado a azul e branco e ainda o nome de cada mesa a vermelho.
Foi a primeira vez que tive um pedido deste género; nunca tinha tido nenhuma encomenda para um casamento e nem é propriamente o que mais me entusiasma, mas as mesas tinham nomes tão engraçados, como “Cabezoneria”, “Complicidad”, “Positivismo” ou “Lucha” e a noiva estava tão empolgada, que aceitei fazer o trabalho.
Após dois dias de pintura (e os olhos em bico), os primeiros 120 azulejos estão agora prestes a ir para o forno.
1ª OFICINA DE PINTURA DE AZULEJOS
Sábado passado foi assim: houve a primeira oficina de pintura de azulejos com crianças, aqui na Tardoz – especial Dia do Pai.
Aqui na oficina as crianças puderam mexer na mesa de lastras e ver de perto como se fazem azulejos manuais, “à maneira antiga, que os de agora são fininhos e todos direitinhos”, espreitaram os fornos, que cozem a 1000º – ufa! – viram como é o vidrado antes de ser aplicado na chacota e, de bónus, ainda modelaram um bocadinho com barro.
E depois fizeram um desenho com a cara – ou o corpo inteiro – do pai, para depois não se enganarem durante a pintura do azulejo, que isto de trabalhar com pincéis não é assim tão fácil como parece e pintar sobre vidrado crú tem muito que se lhe diga. Para não faltar nada, quando acabaram, cada uma meteu o seu azulejo na gazete, que já estava preparada dentro do forno – para depois ir a cozer aos tais 1000º.
No fim, antes de se ir embora, a Mariana disse-me que não gostou – adorou!
E eu também! 🙂
(Obrigada às mães que foram umas compinchas!)
ORÇAMENTOS
Mais uma vez fui contactada por causa do conjunto azulejar do Padrão do Sr. Roubado, existente aqui mesmo às portas de Lisboa, a caminho de Odivelas.
Pelas minhas contas esta será a terceira vez que faço um orçamento para intervir nestes azulejos – se não me engano, a primeira foi há uns bons dez anos e na altura a câmara municipal pediu-me um orçamento para uma intervenção de conservação e restauro in situ de todo o conjunto azulejar, que já então se encontrava em mau estado de conservação. Depois, nada; – nem sequer uma única resposta de “obrigado” – e a coisa caiu no esquecimento, pelo menos no meu. Anos mais tarde, volta a câmara municipal a pedir-me outro orçamento; desta vez para a manufactura integral de réplicas de todo o conjunto azulejar, que continuava em muito mau estado de conservação e a piorar dia após dia. Depois, nada; – nem sequer uma palavrinha a agradecer – e a coisa ficou esquecida, pelo menos, na minha cabeça. Anos mais tarde, há cerca de um mês, recebo um novo pedido de orçamento; desta vez através de uma empresa de conservação e restauro a quem é pedido um preço para levantar todo o conjunto azulejar da parede, que se encontra em péssimo estado de conservação e também para a manufactura e substituição integral por réplicas de todos os azulejos.
O orçamento foi entregue a semana passada, espero que aos três seja de vez – para mim ou para qualquer outra pessoa; para já o importante é preservar aquele conjunto único de 12 painéis de azulejos do séc XVIII, que contam a história do furto do Santíssimo Sacramento do Mosteiro de Odivelas, em 1671 e que se encontra em tão mau estado de conservação.
ASCENDENTES
Ainda em maré de exploração de árvores genealógicas: descobri que as há de descendentes e de ascendentes; tenho feito as primeiras, mas as segundas são as mais comuns; no tronco está o sujeito e pelos ramos desmultiplicam-se os seus antepassados.
Posto isto e, à experiência, resolvi pintar um azulejo avulso com uma destas – para oferecer ao Miguel Maria, que tem agora seis meses e pode pendurá-la no seu quarto.
DUAS GERAÇÕES
ÁRVORE GENEALÓGICA
ESBOÇO
Comecei um novo projecto esta semana; desta vez uma encomenda que tive de um pequeno painel de 4×3 azulejos com uma árvore genealógica para uma família numerosa – 22 pessoas no total.
Há algum tempo que ando a pensar no que fazer, mas não me consigo decidir – ok, uma árvore, sim; mas como e de que tipo e como encaixar nela três gerações de pessoas de uma forma lógica de modo a que o painel fique harmonioso e dentro das medidas dadas. Só há coisa de dois ou três dias, após alguns desenhos falhados, é que consegui começar a ter uma ideia mais concreta. Para já, o esboço quase final – ainda tenho de rever algumas coisas.









