EMBALAGENS

20151022_163815

A semana passada recebi as caixas de cartão que encomendei para embalar e tentar começar a vender os azulejos avulso produzidos aqui na oficina.

Para já, para já e à espera de dias melhores – leia-se mais €€€ -, mandei fazer uma caixa de tamanho único que vai servir para quase todos os tipos de azulejos que tenho; impossível ter várias à medida de cada um, até porque eles variam bastante na dimensão e espessura e cada encomenda de caixas requer, no mínimo, a compra de 500 unidades.

Cada embalagem será executada manualmente – de acordo com  todo o trabalho feito aqui na oficina – e terá uma ficha técnica na parte de trás a explicar o seu conteúdo: tipo de azulejo, origem, dimensões, técnica de fabrico e materiais.

Estou satisfeita, espero que resulte.

PADRONAGEM AZUL E AMARELA.

2015-10-14 09.48.58

Acabei ontem de pintar as 150 réplicas de azulejos de padronagem 4×4 do séc. XVII que fiz para colmatarem as lacunas existentes no tanque grande dos jardins do Palácio de Monserrate, em Sintra – os últimos 40 cozeram esta noite e estão ainda no forno.

Para atalhar o processo de manufactura – foi-me pedida urgência na entrega, os trabalhos de restauro estão já a decorrer -, utilizei chacotas manuais de compra e depois cada azulejo foi vidrado e pintado à mão, utilizando diferentes tonalidades de vidrado branco e de pigmentos azul e amarelo. Como os originais.

VERDES E VERMELHAS

2015-10-12 09.33.49

Hoje desenfornei as réplicas dos azulejos de estampilha com estrelas verdes e vermelhas que fiz para a sala de jantar do Palácio da Pena – e, ao contrário do que receava, saíram todos bem, o que é sempre um alívio.

Estão prontas a ser entregues e é este o aspecto que vão ter na parede, entre os azulejos originais.

Sala de jantar

ESTAMPILHAS

2015-10-07 11.29.16

Tenho andado sem mãos a medir nestes últimos dias: para além das réplicas dos azulejos de padronagem do séc XVII que tenho estado a pintar para Monserrate, pediram-me também, na mesma encomenda, 60 réplicas de azulejos de estampilha para colmatar as lacunas existentes na sala de jantar do Palácio da Pena.

São mesmo engraçados estes azulejos de figura avulsa, fornecidos pela Fábrica Roseira em 1867: medem 8,5cm x 8,5cm e têm uma estrela pintada, ora verde, ora rosa – eu tenho de fazer 30 de cada. A sala de jantar do Palácio está revestida integralmente com eles, paredes e tecto e, posso estar enganada, mas quer-me bem parecer que o D. Fernando II se inspirou nos azulejos relevados seiscentistas existentes nas capelas manuelinas dos jardins do Palácio, originais do antigo convento – os quais eu também fiz umas réplicas há um ano e que na altura falei aqui. Não fazem lembrar?

OS CAVALOS A CORRER, AS MENINAS A APRENDER.

2015-09-28 12.28.43

Está pronto e entregue o painel dos cavalos que estive a fazer há cerca de duas semanas para a tal parede com um bebedouro para cavalos.

Nunca tinha pintado um painel deste género – nem gosto especialmente de fazê-lo – e depois deste terminado, aprendi algumas coisas:

  • Nunca começar a pintar um painel sem ter um projecto/maquete completamente pensado e desenhado;
  • Ampliar sempre o desenho para as proporções desejadas e picotar os estregidos com os tamanhos reais – é uma seca, mas dá jeito e faz sentido;
  • Se a dimensão do painel for maior do que a do taipal, não vale a pena tentar montá-lo lá todo de uma vez a ver se, por milagre, afinal sempre cabe (porque, claro, os pontos anteriores não foram tidos em atenção);
  • O painel não cabe no taipal, pronto; pinta-se por partes – nunca começar pelas fiadas de baixo primeiro do que as de cima, nem pelas da direita antes do que as da esquerda e muito menos pelas do meio e depois o resto que falta no fim;
  • Não improvisar/inventar/criar/pintar nada directamente nos azulejos sem que antes tenha sido bem pensado – depois dá asneira e remediar não é fácil (novamente aqueles pontos);
  • Não andar a montar e a desmontar constantemente azulejos com o vidrado crú no taipal – perde-se muito mais tempo do que se se pintasse por partes organizadas e há sempre uns pedaços de vidrado que saltam;
  • Não pensar que se demora só três ou quatro dias a fazer o painel e depois é o dobro.

No domingo entreguei-o ao cliente, que me disse “está lindo”. Agora espero pela fotografia com ele aplicado na parede, que foi para isso que o fiz.

 

AGUADAS, MÉDIOS E FORTES.

2015-09-23 14.46.44

Terminei a pintura do painel com cavalos que me ocupou estas duas últimas semanas – confesso que demorei mais tempo do que aquele que tinha previsto. Isto de pintar assim um painel de raiz, todo a azul e branco, não é nada fácil e a certa altura já estava toda baralhada com as diferentes tonalidades das aguadas, dos médios e dos fortes e já não tinha a certeza se deveria dar o assunto por encerrado, ou se, por outro lado, ainda estaria longe do final.

Na verdade ainda não tenho essa certeza. Mas agora os azulejos estão no forno e depois de amanhã já vou saber.

2/3

20150918_172839

Estou aproximadamente a 1/3 do fim da pintura do painel de azulejos que me encomendaram para decorar uma parede exterior com um bebedouro para cavalos.

Habituada – e formatada- como estou a fazer réplicas para obras de restauro de azulejos, confesso que este desenho livre me está a dar um pouco de água pela barba e a demorar mais tempo do que aquilo que eu previa: custa-me descolar da azulejaria tradicional portuguesa; não costumo desenhar; não sou uma pintora de painéis de azulejos; não tenho por onde me basear e não sei fazer paisagens nem cavalos, muito menos a azul e branco.

Como há sempre uma primeira vez para tudo, recorro às noções de desenho que me ficaram da escola e de um ou outro curso que fiz depois dela e ainda da leitura assídua de banda desenhada e também à teoria que o meu avô Ernesto me ensinou sobre pintura com aguarelas, que se pode assemelhar à pintura de azulejos a azul e branco – pintar sempre dos tons mais claros para os mais escuros.

E assim avanço lentamente, a pouco e pouco. Apesar de me terem dito que o painel poderia ser rústico, não me apetece que fique nenhum mamarracho.

NOVO PROJECTO

20150914_100859

Estou a começar um novo projecto.

Foi-me encomendado um painel de azulejos para uma quinta particular com cavalos e a ideia é o painel ser colocado na parede por cima do bebedouro onde eles vão beber água. Requisitos:

  • O painel tem de ter cavalos, claro – mas sem serem montados;
  • A torneira do bebedouro deve ficar dentro do painel;
  • O símbolo da quinta deve aparecer em cima.
  • O painel deve ser pintado a azul e branco e as chacotas devem ser manuais.

Tudo o mais – desenho e dimensões – fica ao meu critério.

Parece-me que começo agora a perceber o sentido da frase “A angústia da folha em branco”…

VISTA DE LISBOA, 1940

2015-07-30 12.30.23

Fui hoje entregar os azulejos que me faltavam ainda fazer para o Miradouro de Santa Luzia, desta vez dez réplicas figurativas para o painel da Vista de Lisboa, da autoria de Joaquim Martins Barata, datado de 1940.

Se fazer réplicas para integrarem lacunas em painéis figurativos nunca é muito simples, neste caso a coisa foi ainda um pouco mais complicada uma vez que todos os entornos dos azulejos em falta que eu precisava se encontravam na parede, demasiado difíceis para serem levantados sem colocar em causa o seu estado de conservação. E assim, para além do acerto de cores e tonalidades de vidrados e tintas, tive de completar desenhos, linhas e manchas cromáticas e pintar as réplicas em falta de acordo com o traço, marcação e tipo de pincelada original através das fotografias que tirei no local – um pouco por aproximação e erro, à distância.

Hoje fui ao miradouro entregar e comparar os azulejos que fiz com os restantes na parede. Assim de repente parecem-me bastante bem integrados; talvez tenha de repetir um ou dois que ficaram um pouco mais claros do que os originais – espero eu, mas aguardo o parecer da fiscalização da obra.

Vim de lá bastante tranquila, mais do que esperava.