Preparo-me para fazer uma fornada de vidrados de alto fogo, a 1260º. Aproveitando a deixa de ter de cozer a peça que me encomendaram, vão na mesma fornada algumas taças setecentistas – finalmente! – e também os vasos para ervas aromáticas, que tenho curiosidade em ver como ficam. Resultados depois de amanhã.
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VIDRADOS DE CHUMBO
Aproveitando os azulejos que ficaram mais empenados resolvi fazer alguns testes de cores com vidrados de baixo fogo, para ver como saíam. Quando fiz estes exemplares, estava apenas a pensar em usá-los como mostruário de azulejos Arte Nova que a Tardoz poderia produzir sob encomenda, para revestimentos parietais; mas uma amiga perguntou-me por que é que não os tento vender avulso – o que, confesso, nem me tinha ocorrido. Mas agora, vendo bem, por que não? Até acho que podem ter saída…
PASTAS CORADAS
Como se já não bastasse a saga que tenho tido com as experiências de vidrados, para efeitos e fins muito diferentes, lembrei-me agora de começar a fazer também testes para pastas coradas e engobes vítreos de alto fogo, que é o que me interessa. Mais receitas, quer isto dizer. Tenho em vista um objectivo muito específico; uma pequena/grande questãozinha técnica que me tem atrapalhado bastante desde que comecei a fazer as peças setecentistas e cuja resolução faz toda a diferença – pelo menos, a diferença entre continuar a fazer essas peças ou a abandoná-las de uma vez por todas; o que seria uma pena pois aposto mesmo nelas e tenho mais uma série de ideias para umas outras que teriam de ser feitas da mesma maneira. Portanto e, nesse sentido, ando agora a ler uns três livros técnicos em inglês e um outro em espanhol, os quais comprei há mais de vinte anos e que pouco foram folheados – pronto, sempre foi um investimento de futuro. O pior é que não consigo desligar; quanto mais informação tenho, mais penso nisto; sonho com isto. Milhares de receitas na cabeça, alto fogo, alto fogo; matérias primas, faiança, azulejos, fragmentos de azulejos, vidrados, engobes e fundentes. Já lá vai o tempo em que comecei a fazer umas placas relevadas simples, em barro refractário, cozidas a alta temperatura e baseadas nos baixos-relevos dos monumentos românicos e góticos. Imitavam pedra; eram tão simples. Foi assim que tudo começou.
À MEDIDA
ALTO-FOGO/BAIXO-FOGO
Continuo com a minha saga de fazer experiências de cor para obter vidrados – de baixo e de alto fogo; uns para um tipo de peças, outros para outro. Na verdade, os que mais me interessam são os de alto fogo, uma vez que se aplicam ao barro refractário com que quero trabalhar; mas, aproveitando que hoje vou fazer uma cozedura de vidrados de baixo fogo, vão também alguns testes junto, sempre se aproveita a mesma fornada. Basicamente são as mesmas receitas, mas aplicadas a dois tipos de vidrados base com composições diferentes. Sempre quero ver no que dá.
ENTUSIASMADA
Já percebi que a minha relação com estas coisas da cerâmica é muito instável – tenho dias de grande entusiasmo e outros de desalento. E pronto, de uma vez por todas, não há dias «sem nada para fazer». Há sempre que fazer e os dias sem nada para fazer são para fazer aquilo tudo que não se faz nos dias com coisas para fazer – para evitar correrias e stresses quando de repente acontece alguma coisa; porque nisto da cerâmica, como em tudo, aliás, depressa e bem, não há quem.
Ontem tive um dia desmoralizante: a fornada que tinha feito correu mal e os vidrados dos azulejos que lá estavam ficaram uma vergonha – ainda estou para saber porquê, nas amostras tinham ficado bem. A partir daí só fiz disparates – mais – e acabei por perder um tempo que neste momento não me convinha nada. Saí da oficina a pensar «por que raio é que me meti nisto» e «assim não vale a pena, caramba».
Hoje o dia rendeu bastante: preparei umas trinta receitas de vidrados de alto fogo – dentro em pouco vou cozer as minhas taças, a 1250º, e quero aproveitar a mesma fornada – e fiz dois vidrados novos, para as taças setecentistas, que depois vidrei. E claro, pensei nas imensas ideias novas de tudo o que tenho para fazer.
Estou entusiasmada.
ÓXIDO DE COBRE
Com o pretexto de encontrar um vidrado de baixo fogo verde para vidrar um azulejo de uma encomenda, resolvi fazer umas experiências de cores partindo de três vidrados, transparentes, com composições diferentes. O princípio era o mais básico para quem começa com estas andanças da cerâmica: pegar em cada um desses vidrados base e acrescentar óxido de cobre a cada um deles, em percentagens diferentes. Assim fiz e fiquei com três receitas diferentes e com três copinhos com três vidrados diferentes; que não seriam usados para mais nada, arriscando-se a irem todos para o lixo – que nesta coisa das receitas de vidrados temos sempre de contemplar o factor desperdício.
Uma vez que eu sou pouco dada a desperdícios e, aproveitando também o facto de ter de fazer uma fornada apenas para aquelas experiências de cor, resolvi juntar a cada copo um bocadinho de óxido de cobalto – só para ver o que é que dava. E depois, já agora, uma pitada de óxido de estanho. E de zinco. E para finalizar, misturei as receitas todas umas com as outras.
Foram estes os resultados. Uns aproveitam-se e são para repetir; outros são para esquecer e outros ainda são a base para novas receitas. Adoro isto!
FORNADAS!
De volta à oficina, depois da super-constipação com direito a febre apanhada no Mercado de Natal que fiz a semana passada. Para piorar ainda mais o cenário, o forno grande, onde estávamos a cozer os azulejos para o painel da FCUL, estragou-se a semana passada, ao fim de dez anos a funcionar como deve ser – já estava no seu direito, claro; mas não foi na melhor altura, quando temos o trabalho para entregar até dia 31. Mas enfim; por sorte temos o forno mais pequeno, no qual estamos a adiantar e a enfornar as chacotas (no dobro do tempo…) para as conseguirmos deixar já vidradas e depois, quando o grande estiver arranjado (espero que ainda hoje…), é só vir cá à oficina fazer fornadas de vidrados, dia-sim, dia-não, quase de empreitada. Com um pouco de sorte e mesmo à justa, com Natal e tudo pelo meio, vamos conseguir fazer as quatro fornadas que faltam até ao prazo estabelecido. E talvez ainda mais uma de emergência, para as baixas que apareçam entretanto.
170
Muito a medo, fizemos anteontem a primeira fornada de chacotas dos azulejos em faiança do painel da Faculdade de Ciências de Lisboa. Digo muito a medo porque não tínhamos a certeza se elas já estariam bem secas, apesar de terem passado mais de duas semanas (três?) desde que as primeiras a serem feitas foram postas ao ar aqui na oficina – mas tem estado muito frio e muita humidade e a secagem, nada. De qualquer modo o tempo está a contar; o painel tem de ser entregue até dia 31 de Dezembro e resolvemos arriscar. A fornada foi muuuuuito leeeeenta e correu bem: abrimos o forno hoje e já temos cerca de 170 chacotas, quase metade da totalidade do painel. E destas, uma boa parte foi vidrada esta tarde e metida novamente no forno para uma fornada de vidrados que irá arrancar hoje às dez da noite. Se tudo correr bem, na sexta-feira teremos os primeiros 80 azulejos do painel prontos.
CARREGADINHO
Hoje enchi totalmente o forno grande com a primeira remessa de peças que andei a fazer quase toda esta semana para o Mercado de Natal de Alvalade – a fornada de vidrados está programada para arrancar à meia-noite, que é para aproveitar as vantagens do bi-horário. Ainda tenho mais peças para terminar, mas agora muito menos do que as que já estão enfornadas (confesso que estou a ficar farta de anjinhos, estrelinhas e árvores de Natal) e de qualquer modo as tarefas mais morosas estão terminadas. Amanhã, apesar de ser sábado, venho para a oficina trabalhar; queria despachar todas as fornadas antes de quarta-feira, data em que eu mais a Margarida prevemos começar a cozer as primeiras chacotas do painel da FCUL e aí os dois fornos vão começar a estar sempre ocupados. Mas abrir o forno e ver como é que estas ficaram, agora, só na segunda-feira.









