FRISO

          

Fui ontem buscar o outro azulejo Arte Nova – um friso – que ainda tenho de fazer para colmatar as lacunas existentes na parede do hall de entrada do nº 61. Será com certeza também proveniente da Fábrica de Loiça de Sacavém, mas depois de uma breve pesquisa, ainda não consegui encontrar nenhuma referência à sua existência – tenho de procurar mais.

Vou começar o processo todo de novo: retirar o desenho (o que não é fácil, uma vez que está pouco visível); moldar o relevo em gesso; tirar uma primeira prova e aperfeiçoar o que for preciso e, finalmente, tirar o número de réplicas pretendidas – neste caso, apenas três. Ah!, para não falar nas experiências de cor do vidrado. Começo a duvidar se me compensa este trabalho todo; mas pronto, gosto de o fazer e sempre fico com um molde já feito para o que der e vier.

ART NOUVEAU

Aqui há uns tempos – alguns, já – fui contactada no sentido de poder vir a ter de fazer umas réplicas destes azulejos da extinta Fábrica de Sacavém e que, segundo descobri no Catálogo de Preços Correntes da Real Fábrica de Louça de Sacavém – Azulejo; datado de Agosto de 1910, correspondem ao motivo 19-F, com a descrição «Azulejo com decoração Art Nouveau, com relevo e vidrado monocromático».

Na altura foi-me pedido um orçamento a contemplar o preço unitário de cada réplica com o mesmo tom, mas liso e eu, pelo sim, pelo não, entreguei também um orçamento onde especificava o preço unitário de cada réplica com o respectivo motivo relevado – caso quisessem. Quiseram. Cerca de 15 unidades, para as quais eu até já tinha aproveitado uma fornada para cozer também umas experiências de cor, esperando na altura adiantar trabalho e rentabilizar o forno.

TIJOLOS VIDRADOS

Foi-me adjudicada a proposta de intervenção de conservação e restauro dos tijolos vidrados existentes no pórtico de entrada da Estufa Fria – um projecto do Keil do Amaral. Como sempre, tratou-se de mais um orçamento feito há algum tempo, que caiu no esquecimento (no meu, pelo menos), sem resposta nem acuso de recepção. Até agora; que, de repente, a urgência é ter o trabalho terminado ontem. Começamos na próxima quinta-feira.

AZUL E BRANCO

Comecei finalmente a produzir as réplicas para o nº 11 a Sta. Catarina – para já, os frisos; 160 unidades, que tiveram de ser todos rectificados, uma vez que as medidas dos azulejos originais já não se fabricam. Depois de algumas experiências de cores – de vidrados e tintas de alto fogo – e aprovação por parte do dono da obra, comecei ontem a pintá-los. São muito simples, em azul e branco. Que é como estes irão ficar depois de cozidos.

SALA CAMBOURNAC

Terminámos hoje a intervenção de conservação e restauro do painel de azulejos/placas cerâmicas com a assinatura Lino António 1958; na Sala Cambournac do Instituto de Medicina Tropical, em Lisboa.

A intervenção foi realizada em duas fases: a primeira consistiu no faceamento,  levantamento de emergência das três primeiras fiadas verticais do painel – que estavam em risco de destacamento da parede, apresentando já fracturas múltiplas, pequenas lacunas volumétricas e algumas falhas de vidrado -, abertura de todas as superfícies de junta e restauro dos azulejos levantados. A segunda, após reparação das paredes e das suas causas de degradação, consistiu no reassentamento dos azulejos – com argamassas tradicionais à base de cal -, limpeza integral do painel, preenchimento de falhas de vidrado e reintegração cromática e pictórica.

As superfícies de junta irão continuar abertas até ao fim do verão e do tempo mais quente; com a quantidade de água que existia nas paredes e com as oscilações térmicas naquele local, é bem possível que ocorra a cristalização de sais solúveis que não queremos que saiam pelos vidrados.

TÉCNICA DA ESTAMPILHA

A técnica da estampilha foi, de longe, a mais utilizada pela maioria das fábricas de produção de azulejaria de fachada do início do século passado, por permitir a produção de azulejos polícromos, de grande efeito decorativo, de uma maneira fácil e rápida. Utilizava-se, para o efeito, uma matriz de papel encerado – a estampilha – onde se recortavam os motivos a reproduzir nos azulejos, previamente vidrados, sobre os quais se colocava. Era com a passagem duma trincha sobre este papel que neles se aplicava a decoração pretendida. Para cada azulejo eram necessárias tantas estampilhas quanto o número de cores ou a própria complexidade do desenho.

Hoje estive a abrir as estampilhas para fazer as réplicas dos azulejos do nº11 a Sta. Catarina. Depois de algumas experiências falhadas com outros materiais mais modernos e resistentes (e de uma bolha no dedo), acabei por utilizar aquele que, no fim de contas, sempre resultou – o papel encerado.

TINTAS DE ALTO FOGO

         

Comecei hoje a tratar de fazer experiências com tintas de alto fogo para pintar as réplicas dos azulejos de estampilha para a fachada do nº11, ali em Sta. Catarina. Pelas minhas contas não hão-de ser assim tantas – cerca de 65 azulejos de padrão e cerca de 140 frisos – e o mais trabalhoso será rectificar as chacotas com as medidas certas, que entretanto deixaram de se fabricar. Quantos às cores, quer-me cá parecer que, com um pouco de sorte, já tenho preparado um vidrado base, branco, muito idêntico ao dos originais e a tinta azul, se não me engano, também já está feita. Portanto, experiências, propriamente ditas, com receitas e tudo, só para o amarelo e para o verde. De qualquer modo ensaio tudo; assim como assim, enquanto não tiver dinheiro para comprar uma pequena mufla de experiências, esta que aqui está terá mesmo de fazer uma fornada meio vazia.

ALMOFARIZ

Na sexta-feira fui ao Palácio da Pena mostrar algumas das minhas (muitas) experiências de brancos que fiz para colmatar as lacunas de azulejos existentes no vão da janela neo-gótica da capela. Apesar de ter comigo duas pequenas amostras dos azulejos originais, os tons eram tão diferentes um do outro que a melhor solução foi lá ir, para ver in-situ e com o director do Palácio, qual era a que melhor se adaptava ao local – se é que alguma se adaptava. Foram escolhidos dois tons que já se assemelham muito aos do restante conjunto e a ideia é vidrar uma chacotas com um e outras com o outro, para garantir uma boa vibração tonal daquela zona, que se encontra cheia de luz.

Como estou lançada nisto de fazer experiências de brancos, resolvi pegar nas amostras escolhidas e, a partir dessas, já me ocorreram mais não sei quantas receitas que posso experimentar – podia ficar assim o resto da vida; as hipóteses desmultiplicam-se a olhos vistos.  Vou partir de um vidrado base que temos aqui na oficina, que nunca usamos e que agora se revelou ser o mais adequado para estas réplicas. O saco estava guardado há que tempos e o pó apanhou alguma humidade, havendo alguns torrões que têm de ser desfeitos no almofariz. É uma tarefa um pouco morosa, mas fico com a impressão de ser uma ceramista a sério, parecida com os senhores que vêm nas imagens dos livros de cerâmica que temos aqui na oficina.

REAL FÁBRICA DE LOUÇA DE SACAVÉM

Fui contactada para fazer um orçamento para manufactura de cerca de 30 réplicas destes azulejos Arte Nova, em pó de pedra, que, tal como eu supunha e acabei de confirmar, são provenientes da extinta Fábrica de Louça de Sacavém.  Depois de uma pequena investigação, descobri que, segundo o Catálogo de Preços Correntes da Real Fábrica de Louça de Sacavém – Azulejo, datado de Agosto de 1910, correspondem ao motivo 19-F, com a descrição «Azulejo com decoração Art Nouveau, com relevo e vidrado monocromático». É precisamente este vidrado monocromático que eu vou ter de replicar, uma vez que, com grande pena minha, me foram pedidos azulejos com as mesmas dimensões, mas lisos.

DE NOVO NA OFICINA

Enquanto deixo a minha equipa espalhada pelo 88, Museu Militar e Instituto de Medicina Tropical, estou agora de volta à oficina (que está caótica, por sinal…) para começar a fazer as réplicas para o 88. Há dois meses que ando a falar neste assunto, mas pronto; só agora é que finalmente se decidiram a mandar avançar com esta fase, como se se fizessem cerca de 130 azulejos – réplicas, ainda por cima – do dia para a noite: há que tirar todos os desenhos, comprar as chacotas adequadas, fazer experiências de vidrados e tintas, enfornar, desenfornar um dia depois, voltar a fazer ensaios… Enfim, «Isabel, dê prioridade a este assunto!» e lá vai ela, agora, à pressa, meter mãos-à-obra, quando se podia ter feito tudo muito mais tranquilamente…