CAPELA DO SENHOR DOS AFLITOS

Em 2002 eu e o Loubet fomos contactados pela delegação do IGESPAR de Évora para irmos fazer um trabalho na Capela do Senhor dos Aflitos, dentro do castelo de Campo Maior. Tratava-se de levantar da parede sete ou oito silhares de azulejos, de origem desconhecida e completamente trocados. Depois do levantamento, trouxemos os azulejos aqui para a oficina, removemos as argamassas dos tardozes, consolidámos falhas de vidrado e colámos fracturas e depois, com grande paciência, organizámos os puzzles, ainda conseguindo formar uma série de desenhos, apesar de terem ficado soltos uma série de azulejos com caras de anjos, concheados e bases de colunas, que não entravam em lado nenhum. O que nos tinha sido proposto, nessa fase, estava terminado e guardámos os azulejos em caixas devidamente identificadas por painéis e motivos soltos.

Entretanto, a pessoa que nos tinha contactado saiu do IGESPAR e na altura de entregar os azulejos, ninguém sabia bem com quem se deveria tratar do assunto e depois foi havendo várias mudanças no IGESPAR e nas Delegações Regionais, pelo que os azulejos aqui foram ficando, encaixotados e bem guardados num cantinho. Até que hoje, finalmente, veio alguém de Évora cá buscá-los. Ao que parece e, se tudo correr bem, porque não há dinheiro para nada e muito menos na cultura, a ideia é montá-los em suporte móvel de acrílico e talvez voltem para a capela de onde saíram. Espero bem que sim; a ver vamos.

RESULTADOS

Hoje vi os resultados da fornada que fiz já com as réplicas dos azulejos pertencentes ao painel nº1 da Igreja da Misericórdia. O vidrado branco, como sempre, é o que dá mais nas vistas, mas dentro do conjunto, integram-se bem, até porque esta zona vai estar colocada num local bastante acima do nível dos olhos. Tenho este painel quase pronto, só me faltam os marmoreados, que, por terem muito branco e aguadas azuis muito claras, ainda me vão dar algum trabalhinho… E vou começar a montar os painéis 4 e 5, os próximos a intervir, para ir já olhando para eles e ver o que é que me espera.

EXPERIÊNCIAS DE CÔR

Fiz algumas experiências de côr para pintar as réplicas da Igreja da Misericórdia em Tavira. O azul escuro, não sei bem porquê, ultimamente não fica tão escuro como eu quero, agora acrescentei-lhe um pouco de óxido da cobalto e vou baixar um pouco a temperatura de cozedura. E depois, há sempre a questão do vidrado branco, que, sendo sempre branco, pode ser também rosado, azulado ou acinzentado… É uma questão de fazer várias experiências de uma vez só, para rentabilizar as fornadas e a partir daí, por comparação, ir aperfeiçoando os tons. Enfim, um processo moroso, que tem de ser sempre feito. De qualquer modo, acho que já posso arriscar em pintar a maior parte dos azulejos para este painel; tirando os marmoreados, penso que todos os outros já se irão integrar bem no conjunto.

OLHOS EM BICO!

Estou com os olhos em bico! Hoje estive a vidrar e a pintar as novas peças. É o ultimo dia que tenho para ainda as enfornar e conseguir levá-las a tempo para a Feira Setecentista de Queluz depois de amanhã. Continuo com medo deste processo, não estou segura com os vidrados e muito menos com o branco, que por várias vezes já me saiu mal. O problema é que em cruas parecem sempre bem e só depois é que se vêem os resultados… E isto de estar a pintar coisinhas morosas à pressa não dá; se bem que pequenos defeitos de fabrico até darem graça às peças e terem também a ver com a época. Mas pronto, já estão terminadas! Umas mais inspiradas do que outras, claro, mas há gostos para tudo… – e é o que me vale!

ULTIMA FORNADA

Uf! Tirei agora mesmo as ultimas peças do forno, mesmo a tempo de ir para a Feira Medieval de Sintra. Saíram todas bem! Acho que já estou a melhorar com os vidrados… Doze placas relevadas, doze tacinhas e uma taça alta. E já não tenho mais barro! Nem mais nenhuma feira em vista, para já. Espero vender bastante, estou a precisar do dinheiro. Se não, pelo menos divulgo o meu trabalho, o que é sempre bom. E oiço opiniões… Já tenho tudo pronto, só falta carregar o carro e fazer-me à estrada. Hoje a feira abre às 18h, mas as coisas têm de estar montadas duas horas antes. Espero que não chova, o tempo está esquisito e em Sintra nunca se sabe…

SÉRIE FLORES

Quando há três meses comecei a pensar em dedicar-me à cerâmica, ainda não sabia bem o que é que ía fazer. Tinha já duas ou três placas relevadas que costumo vender na loja do Mosteiro dos Jerónimos e algumas ideias dentro desse género. Comprei barro e desatei a fazer peças a torto e a direito; foi um delírio, até porque o trabalho de restauro de azulejos não o permite, claro. Muita coisa foi posta de parte, umas por questões técnicas que ainda não domino, outras porque as peças não correspondiam às minhas expectativas. Nessa altura comecei a fazer estas placas, que, ao contrário das outras que eu tenho, já estavam pensadas para terem elementos vidrados. A ideia era fazer uma série de sete diferentes, que, ao ser vidrada de inúmeras cores, se pode desmultiplicar por uma muito maior. Fiz quatro e já não sei bem porquê, abandonei a ideia. E elas ali têm estado, há quase dois meses na prateleira, a ver o que é que lhes acontece. Hoje resolvi vidrá-las, ainda a tempo da Feira de Sintra. Finalmente dei-lhes o acabamento que tinha pensado e logo à noite, forno com elas. Se gostar do resultado, talvez depois faça as outras três que ainda faltam.

FORNADA DE VIDRADOS

Acabei de abrir o forno depois desta ultima fornada de vidrados. Primeiras impressões, ainda antes de ver as peças cá fora: os vidrados ficaram demasiado finos! Não há maneira de eu conseguir dar volta a isto! Acho que só com a experiência é que lá vai… Mas agora, paciência! É assim que vão ficar e logo vejo o que é que se aproveita.

RENDEU, RENDEU!

Estou contente com o meu dia de hoje! Vidrei todas as taças e tacinhas e ainda arrisquei vidrar também os solitários maiores… Fico nervosa com esta questão dos vidrados, penso sempre que as peças vão sair mal… Mas amanhã forno com elas! E pronto! Acho que já tenho um conjunto simpático para levar para a Feira Medieval de Elvas… se eu for, claro! A dúvida continua.