Já percebi que a minha relação com estas coisas da cerâmica é muito instável – tenho dias de grande entusiasmo e outros de desalento. E pronto, de uma vez por todas, não há dias «sem nada para fazer». Há sempre que fazer e os dias sem nada para fazer são para fazer aquilo tudo que não se faz nos dias com coisas para fazer – para evitar correrias e stresses quando de repente acontece alguma coisa; porque nisto da cerâmica, como em tudo, aliás, depressa e bem, não há quem.
Ontem tive um dia desmoralizante: a fornada que tinha feito correu mal e os vidrados dos azulejos que lá estavam ficaram uma vergonha – ainda estou para saber porquê, nas amostras tinham ficado bem. A partir daí só fiz disparates – mais – e acabei por perder um tempo que neste momento não me convinha nada. Saí da oficina a pensar «por que raio é que me meti nisto» e «assim não vale a pena, caramba».
Hoje o dia rendeu bastante: preparei umas trinta receitas de vidrados de alto fogo – dentro em pouco vou cozer as minhas taças, a 1250º, e quero aproveitar a mesma fornada – e fiz dois vidrados novos, para as taças setecentistas, que depois vidrei. E claro, pensei nas imensas ideias novas de tudo o que tenho para fazer.
Estou entusiasmada.













