ENTUSIASMADA

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Já percebi que a minha relação com estas coisas da cerâmica é muito instável – tenho dias de grande entusiasmo e outros de desalento. E pronto, de uma vez por todas, não há dias «sem nada para fazer». Há sempre que fazer e os dias sem nada para fazer são para fazer aquilo tudo que não se faz nos dias com coisas para fazer – para evitar correrias e stresses  quando de repente acontece alguma coisa; porque nisto da cerâmica, como em tudo, aliás, depressa e bem, não há quem.

Ontem tive um dia desmoralizante: a fornada que tinha feito correu mal e os vidrados dos azulejos que lá estavam ficaram uma vergonha – ainda estou para saber porquê, nas amostras tinham ficado bem. A partir daí só fiz disparates – mais – e acabei por perder um tempo que neste momento não me convinha nada. Saí da oficina a pensar «por que raio é que me meti nisto» e «assim não vale a pena, caramba».

Hoje o dia rendeu bastante: preparei umas trinta receitas de vidrados de alto fogo – dentro em pouco vou cozer as minhas taças, a 1250º, e quero aproveitar a mesma fornada – e fiz dois vidrados novos, para as taças setecentistas, que depois vidrei. E claro, pensei nas imensas ideias novas de tudo o que tenho para fazer.

Estou entusiasmada.

90 BOLINHAS

Tenho andado bastante atarefada com as várias peças que pretendo levar para a feirinha de Natal que vou fazer em meados de Dezembro – já tenho muitas, mas o problema é que quanto mais produzo, mais ideias tenho e mais peças faço; ou seja, isto assim corre o risco de nunca mais acabar e tenho de pôr um ponto final algures. Hoje vou começar a modelar as minhas tacinhas coloridas em barro refractário, que sempre tiveram algum sucesso. E acho que fico por aqui: não me posso esquecer de contar com os tempos da secagem, nem das jornadas a fazer os acabamentos finais e depois de enchacotá-las todas, ainda tenho de vidrá-las, pintá-las e fazer as segundas cozeduras. Mas sem stress; para já, para já, parece-me que está tudo controlado.

ALMOFARIZ

Na sexta-feira fui ao Palácio da Pena mostrar algumas das minhas (muitas) experiências de brancos que fiz para colmatar as lacunas de azulejos existentes no vão da janela neo-gótica da capela. Apesar de ter comigo duas pequenas amostras dos azulejos originais, os tons eram tão diferentes um do outro que a melhor solução foi lá ir, para ver in-situ e com o director do Palácio, qual era a que melhor se adaptava ao local – se é que alguma se adaptava. Foram escolhidos dois tons que já se assemelham muito aos do restante conjunto e a ideia é vidrar uma chacotas com um e outras com o outro, para garantir uma boa vibração tonal daquela zona, que se encontra cheia de luz.

Como estou lançada nisto de fazer experiências de brancos, resolvi pegar nas amostras escolhidas e, a partir dessas, já me ocorreram mais não sei quantas receitas que posso experimentar – podia ficar assim o resto da vida; as hipóteses desmultiplicam-se a olhos vistos.  Vou partir de um vidrado base que temos aqui na oficina, que nunca usamos e que agora se revelou ser o mais adequado para estas réplicas. O saco estava guardado há que tempos e o pó apanhou alguma humidade, havendo alguns torrões que têm de ser desfeitos no almofariz. É uma tarefa um pouco morosa, mas fico com a impressão de ser uma ceramista a sério, parecida com os senhores que vêm nas imagens dos livros de cerâmica que temos aqui na oficina.

TEMPO LIVRE

Esta semana não vou para o 88. Isto é, não vou trabalhar para lá, apesar de ainda não ter parado de tratar de assuntos que têm a ver com a obra de restauro dos azulejos e que ainda vão continuar: comprar e descarregar materiais, encomendar caixas de cartão, fazer seguros e marcar consultas de medicina do trabalho para toda a equipa (esta não estava à espera!), ir à segurança social, mandar mails, receber mails e telefonemas, telefonemas e mais telefonemas. No meio disto tudo, o mais engraçado foi ter pensado que iria ter este tempo livre aqui na oficina para fazer mais umas peças da minha pequena produção cerâmica e que estava tão lançada. Hoje lá consegui vidrar e pintar as novas placas relevadas que fiz para a série «É o mar que nos chama», que ainda estão em fase experimental, mas que estou ansiosa para ver como ficam.

COLORIDO

Acabei de vidrar as minhas placas de cerâmica relevadas da colecção «Pólen». Demorou mais do que imaginava, é um trabalho moroso e delicado que não dá para fazer à pressa e eu gosto de ser perfeitinha a trabalhar (olhó restauro…). Acabei de enforná-las,  mais uma série de tacinhas pequenas, coloridas. Espero esta semana conseguir levar tudo à Original, o bom tempo vem aí e os turistas também.  Lá na loja disseram-me que as cores chamam pessoas lá para dentro; eu cá não sei, não tenho experiência nenhuma, mas querem colorido? Então cá vai!

GELADA…

Preparo-me para continuar a pintar réplicas para os painéis da Igreja da Misericórdia, em Tavira, desta vez cerca de mais trinta. Hoje de manhã fui tentar trocar as chacotas de 15×15 cm que vieram por engano, em vez das de 14×14 cm, mas não havia! Disseram-me que talvez amanhã já as tenham, o que eu espero bem, para não me atrasar aqui com o trabalho… De qualquer forma, fui procurar bem aqui na oficina e lá descobri uma caixa com umas vinte, com a mesma espessura, o que já dá para avançar qualquer coisa. Estive agora a vidrá-las e, para além do nariz e dos pés, fiquei também com as mãos geladas! Isto promete…

OLHOS EM BICO!

Estou com os olhos em bico! Hoje estive a vidrar e a pintar as novas peças. É o ultimo dia que tenho para ainda as enfornar e conseguir levá-las a tempo para a Feira Setecentista de Queluz depois de amanhã. Continuo com medo deste processo, não estou segura com os vidrados e muito menos com o branco, que por várias vezes já me saiu mal. O problema é que em cruas parecem sempre bem e só depois é que se vêem os resultados… E isto de estar a pintar coisinhas morosas à pressa não dá; se bem que pequenos defeitos de fabrico até darem graça às peças e terem também a ver com a época. Mas pronto, já estão terminadas! Umas mais inspiradas do que outras, claro, mas há gostos para tudo… – e é o que me vale!

NÃO ERA BEM ISTO…

Acabei de abrir o forno, ainda a 100ºC. Deixei as minhas peças a cozerem no domingo à noite, parece que nenhuma se partiu, o que era o meu medo. De qualquer forma, deu já para perceber que este barro fica com um aspecto final diferente do outro que eu costumo trabalhar, tem uma cor diferente, mais avermelhada… E não era bem isto que eu queria…. É o que dá trabalhar à pressa, sem ter tempo para experiências. Por outro lado, tem a ver só com as minhas expectativas, quem não saiba… Bom, agora não há nada a fazer, a fornada foi igual às outras, com as mesmas temperaturas e o melhor é vidrá-las e pintá-las como tinha pensado e ver o que é que dá…

SÉRIE FLORES

Quando há três meses comecei a pensar em dedicar-me à cerâmica, ainda não sabia bem o que é que ía fazer. Tinha já duas ou três placas relevadas que costumo vender na loja do Mosteiro dos Jerónimos e algumas ideias dentro desse género. Comprei barro e desatei a fazer peças a torto e a direito; foi um delírio, até porque o trabalho de restauro de azulejos não o permite, claro. Muita coisa foi posta de parte, umas por questões técnicas que ainda não domino, outras porque as peças não correspondiam às minhas expectativas. Nessa altura comecei a fazer estas placas, que, ao contrário das outras que eu tenho, já estavam pensadas para terem elementos vidrados. A ideia era fazer uma série de sete diferentes, que, ao ser vidrada de inúmeras cores, se pode desmultiplicar por uma muito maior. Fiz quatro e já não sei bem porquê, abandonei a ideia. E elas ali têm estado, há quase dois meses na prateleira, a ver o que é que lhes acontece. Hoje resolvi vidrá-las, ainda a tempo da Feira de Sintra. Finalmente dei-lhes o acabamento que tinha pensado e logo à noite, forno com elas. Se gostar do resultado, talvez depois faça as outras três que ainda faltam.

VERMELHO?

O meu amigo Joaquim, a quem devo muito pelo fase inicial deste blog, acha que falta alguma cor no conjunto das minhas peças. Quando eu as concebi, já a pensar numa Feira Medieval, pensei logo numa série de cores que se integrassem nessa temática, verdes escuros, azuis escuros, violetas… Enfim, cores mais clássicas, com alguma sobriedade. No entanto fiquei a pensar nisso e rapidamente fiz mais uma série variada de taças, que vou agora vidrar de vermelho! Se forem hoje enfornadas, na segunda-feira já as tenho prontas, ainda muito a tempo de as levar para Elvas.

Et voilá! Ninguém diria que isto vai ser vermelho, certo?