RESTAURADO!

Primeiro painel de azulejos acabado no 88! (Bom, bom; ainda falta proteger a integração cromática com cera microcristalina, mas amanhã de manhã, logo cedo pela fresquinha, vou aplicá-la sobre os preenchimentos e aí sim; pode-se proteger todo o painel com cartão antes que venham os barradores, ou os electricistas, ou os carpinteiros, ou os pedreiros, ou os pintores e nos sujem aquilo tudo de novo e a gente tenha do limpá-lo aí pela 4ª vez!…) E para ali não volto!

INSTITUTO DE MEDICINA TROPICAL

Começou hoje a intervenção de emergência no painel de azulejos da autoria de Lino António, no Instituto de Medicina Tropical, em Lisboa. Quando me ligaram, no fim da semana passada, a perguntar qual era a minha disponibilidade para iniciar o trabalho, respondi «imediata!», apesar de andar a distribuir o meu tempo entre o 88, o Museu Militar e a oficina; ou seja, não tinha disponibilidade nenhuma. Felizmente, tenho um colega chamado Loubet, que também faz parte da equipa maravilha e que tem estado de reserva, desde que chegou do Pinhão, pronto para entrar na fase da integração cromática lá no Pátio dos Canhões, a qual eu tencionava  começar muito em breve – fase esta que agora vai ter de ser adiada mais umas duas semanas, uma vez que é ele quem vai tratar deste painel.

CONDUTIVÍMETRO

5º dia de dessalinização do painel Ni-2, no Museu Militar. Tal como se esperava, os azulejos estavam cheios de sais e o condutivímetro tem apresentado valores muito elevados – mais de 4000 micro Siemens; o que, para já, obriga a mudanças diárias de banhos. Curiosamente, as filas superiores apresentam valores muitíssimo mais elevados – chegaram aos 8000 micro Siemens – o que corrobora a ideia deste problema, aqui, ser causado principalmente pela infiltração de água vinda da caleira superior em mau estado e também pelo tubo interno dentro da parede, com a manilha partida, que descarregava água constantemente no tardoz dos azulejos; não ascendendo os sais por capilaridade, como tantas vezes acontece. A parede, entretanto, já foi picada até à sua estrutura; a manilha foi substituída; a caleira está arranjada e o novo reboco, à base de cal e areia lavada, já está feito. Agora é esperar que os valores da condutividade dos banhos baixem até serem considerados irrelevantes e os azulejos estão prontos para serem reassentes. O que vai demorar, seguramente, mais umas duas semanas.

BABADA

Ontem arranjei um tempinho para ir ao Mosteiro de Alcobaça ver a Exposição Nacional de Cerâmica Contemporânea, sob o tema «A estética da paixão / A paixão pela estética», na qual participo com uma peça. Fui com a familia, em excursão, claro; todos babados e em conjunto, sempre se trata da minha primeira exposição e mais um bocado, para além de ter faltado à inauguração, nem sequer lá conseguia ir. Ver a minha peça exposta  era apenas um dos meus objectivos, estava também curiosa em ver as soluções apresentadas por outros artistas ceramistas – outros, eheh! – para o mesmo tema e confesso que havia um pouco de tudo: trabalhos que gostei muito e outros que nem tanto. Enfim; o normal numa exposição colectiva, acho. Fiquei contente por participar e principalmente por ter sido seleccionada, mas não foi assim uma grande emoção quando vi o meu nome no cartaz dos artistas, ou no catálogo do Igespar – parece até que já sou batida neste tipo de coisas. O que me animaria agora, mesmo mesmo, era vender a dita peça, que muito trabalhinho e gozo me deu a fazer, mas que me irá ocupar um espaço precioso aqui na oficina (mas o melhor será tirar o cavalinho da chuva e começar já a arranjar uma prateleira para ela, que a época em que vivemos não está para estas coisas…)

PAINÉIS SUPERIORES

Começámos em força o tratamento dos painéis superiores do Pátio dos Canhões, no Museu Militar – começar em força é só uma maneira de dizer, uma vez que não é fácil movimentar o andaime por entre os inúmeros canhões ali colocados, nem fazê-lo chegar perto dos azulejos, contornando os candeeiros e muito menos colocá-lo de modo a que duas pessoas possam trabalhar ao mesmo tempo lá em cima. De qualquer modo e uma vez que os painéis inferiores estão mais avançados, começámos agora em força com os superiores: verificação do estado de adesão dos azulejos às paredes, levantamentos pontuais, consolidação de falhas de vidrado e rectificação de juntas. Felizmente estes painéis encontram-se em muito melhor estado de conservação do que os inferiores, portanto parece-me que a coisa, entre sombra e sol, vai andar depressa…

NA PAREDE

Continua o assentamento dos azulejos no 88, a dez dias do prazo para terminar a obra. Continua a confusão geral em todas as equipas e, agora em stress, ainda mais. Eu, pelo meu lado, decidi estar e manter-me zen; primeiro porque deleguei o Ivo para o acompanhamento geral dos trabalhos; segundo porque chatear-me não resolve nada; antes pelo contrário, só me dá dores de cabeça e mau dormir à noite. Neste momento já vamos no terceiro piso, mas ainda faltam duas ou três paredes nos de cima, que ainda nem sequer estão feitas – mas atenção que a obra acaba daqui a dez dias. Hoje o engº chefe veio comunicar-me/mandar-me que eu amanhã, feriado, vou meter uns cinco ou seis ladrilhadores, (uma vez que, segundo ele, sendo brasileiros, não precisam cá de feriados, que isso é coisa para nós, tugas) para o trabalho avançar imenso e na quinta-feira irmos para o segundo piso. Disse-lhe que sim, claro, com certeza; que é a estratégia que adoptei para lidar com ele e depois faço o que a realidade impõe, – já para não dizer o que me dá na real gana, – ou seja pedir para irem dois ladrilhadores, uma vez que não há mais frente de trabalho nenhuma e bem sorte temos de eles não quererem efectivamente gozar o feriado. De qualquer modo e, apesar de tudo, estou satisfeita com o trabalho e os azulejos de novo na parede vêm comprovar o que já se suspeitava; ou seja, que a partir de agora, são a grande mais-valia daquele edifício.

SAIS CRISTALIZADOS

Depois de vários anos assente numa parede com infiltrações de água vindas de uma caleira superior em muito mau estado e também de um tubo interno, cuja manilha em grés, se encontrava partida sabe-se lá há quanto tempo, era natural que o painel Ni-2 se encontrasse em muito mau estado de conservação. O facto dessa parede estar, ainda por cima, rebocada com argamassas à base de cimento e revestida a tinta plástica também não ajudou e claro que as juntas fechadas e os preenchimentos feitos com massas de elevado grau de dureza também não. Os sais solúveis existentes no corpo cerâmico cristalizaram aos primeiros raios de sol e não tiveram outro remédio senão sair pelas falhas e fissuras dos vidrados dos azulejos ainda na parede; por incrível que pareça, o elo mais fraco para eles saírem, uma vez que todo o painel se encontrava hermeticamente fechado, dando origem a novas falhas e destacamento de mais vidrados. Agora, depois de levantado todo o painel, é vê-los a aparecer nos tardozes e nas superfícies laterais dos azulejos – sempre se evitam danos nas superfícies vidradas. Para a semana, o painel entra integralmente em dessalinização e a partir daí podemos contar com umas três ou quatro com os azulejos dentro de água, medições de condutividade e mudança regular de banhos. Assim mais ou menos como pôr o bacalhau de molho.

ENTRETANTO, NO MUSEU MILITAR.

Entretanto, no Museu Militar, a intervenção nos azulejos do Pátio dos Canhões continua a bom ritmo e mais ou menos dentro do previsto: na fachada Norte, a mais problemática, levantaram-se da parede menos azulejos do que eu estava à espera; em compensação, nas outras todas e principalmente na Oeste, levantaram-se muitos mais do que aqueles que eu tinha pensado. Ou seja, vendo bem as coisas, talvez tenha ficado ela por ela dentro do que estava planeado; na verdade, talvez tenha até derrapado um pouco em relação às minhas previsões, mas graças à minha equipa maravilha (e agora com um elemento a menos), penso que, ao fim de dois meses, estamos ainda muito à vontade com o prazo proposto. De resto, tudo vai: os tardozes estão limpos de argamassas; as colagens estão todas despachadas; o biocida aplicado; foram encontrados inúmeros azulejos e fragmentos em falta, o que veio colmatar muitas lacunas; os registos gráficos estão todos feitos; o assentamento de alguns painéis já começou e muitas superfícies de junta abertas estão já fechadas. Para os próximos dias e para que a coisa siga no bom caminho, temos de contabilizar já o número exacto de réplicas a efectuar; começar o processo de dessalinização do painel Ni2 e fazer os primeiros preenchimentos de pequenas lacunas e falhas de vidrado, que são mais que muitas, nos painéis que já estão mais adiantados. Enfim, ainda há muito pela frente, mas parece-me que está tudo controlado. Assim o bom tempo se mantenha…

EXPOSIÇÃO

Inserida nas Jornadas Europeias do Património, inaugurou no dia 24 de Setembro, a Exposição Nacional de Cerâmica Contemporânea, «A estética da paixão», no Mosteiro de Alcobaça e onde está a minha peça «Paixão que consome», feita em barro refractário e porcelana. Até dia 23 de Outubro, espero ter um tempinho para lá ir…