TIPOS DE BARRO

Aqui há uns tempos fui contactada por um arquitecto que me descobriu na net e pelos vistos gostou do meu trabalho, no sentido de me encomendar a manufactura de uma série de peças cerâmicas para uma obra que ele tem em mãos. Trata-se de executar o revestimento para um chão e parte das paredes de uma casa-de-banho, segundo um projecto dele próprio, baseado nos azulejos enxaquetados e com variantes quer a nível das dimensões de cada peça, quer a nível da coloração própria de cada tipo de barro. Eu estou interessada, claro; para além de ser uma encomenda de trabalho, parece-me um projecto bem giro para participar. Vou agora fazer umas pequenas amostras com barro vermelho, terracota, barro branco e barro preto, para já ter um ponto de partida para lhe mostrar.

MÃOS NA MASSA

Hoje lá resolvi meter as mãos na massa, ou melhor, na lama. Com o frio que está aqui na oficina, foi precisa alguma coragem para fazê-lo e nem as luvas de borracha me ajudaram; aquilo estava gelado e doeram-me os ossos do braço inteiro, mas lá consegui ir amassando o melhor que pude, o que, pelo menos, sempre deu para aquecer um bocado. Não sei bem se a coisa está a resultar, ao fim de quatro dias dentro de água, pensei que os pedaços de barro seco já estivessem totalmente desfeitos, mas enganei-me e ainda encontrei bastantes grumos, o que não me parece bom sinal… Segundo o meu colega Ivo, o melhor é deixar ficar mais um tempo e depois tornar a amassar. Vou experimentar, a ver no que dá… (o que eu não daria para ter uma fieira! Mas pela maneira como estão as coisas, ainda vou ter muito que penar…)

RECICLAGEM

Ando a puxar pela cabeça para ver como é que hei-de ganhar alguns €€€. De há uns dias para cá tenho andado a pensar numas peças novas em cerâmica, pequenas, totalmente diferentes do que tenho feito até agora. Ainda nada de concreto, só ideias que têm andado aqui a deambular pela minha cabeça e que quero pôr em prática, pelo menos experimentar. Como já não tenho dinheiro para investir em mais material, muito menos para experiências, resolvi reciclar uma série de barro branco que estava parado há anos ali no contentor da reciclagem de barro branco. Parti tudo em pedaços pequenos e juntei água até cobrir e agora vou ter de esperar até que amoleça de novo. E depois é ter bracinhos para amassar aquilo tudo…

BARRO REFRACTÁRIO

A semana passada fui comprar barro. Como sou organizadinha, tinha de parte algum dinheiro que me ficou da última feira que fiz, em Julho do ano passado, já a pensar em investi-lo na compra de mais material cerâmico. Não deu para muito; o IVA aumentou entretanto, mas ainda assim consegui comprar oito pacotes, sempre são 100Kg de barro refractário que já dão para qualquer coisa. Vou voltar à minha produção cerâmica, quero fazer mais peças das que já tinha feito e tenho umas ideias novas. E a ver se, de uma vez por todas, me meto nas minhas tamanquinhas e vou bater a umas portas de lojas que tenho em vista…

FAIANÇA

Acabei finalmente de restaurar este candeeiro em faiança, o ultimo assunto pendente ainda do ano passado. Estive a retocar a integração cromática dos preenchimentos, mas como não trouxe os óculos, estou um bocado com os olhos em bico e parece-me terminado. Pelo sim, pelo não, é melhor depois olhar para ele outra vez e ver se está tudo bem antes de o entregar, mas para já parece-me que sim. E pronto! A partir de agora tenho todo o tempo do mundo para não saber o que é que hei-de fazer…

CHAMINÉ

Ontem fiz uma fornada de alta temperatura para uma colega que me pediu para cá vir cozer uma série de peças de porcelana. Como aqui na oficina temos um contador de electricidade bi-horário, programei o forno para arrancar às 22h, mas como a fornada que ela pretendia demorava cerca de dez horas até chegar aos 1250ºC, esta manhã, quando cheguei, por volta das nove e meia, já ele estava em fase de arrefecimento, mas ainda a 1225ºC. Abri a chaminé e por uns momentos deixei-me ficar ali por perto, a aproveitar o quentinho enquanto pensava o que é que poderia fazer hoje.

HUMIDADE

Hoje a cidade acordou coberta de nevoeiro. Aqui em Marvila está como eu gosto: não se vê nada para o outro lado da rua. A escuridão, aqui na oficina, é enorme e a humidade nem se fala, lá tive de acender o catalítico para ver se não gelava. Voltei agora de Mem Martins e, curiosamente – o tal microclima -, em Sintra o céu estava azul e de certeza que a temperatura era mais alta, pois cheguei a ter calor com o meu cachecol ao pescoço. Depois, à vinda para Lisboa, a IC19 foi entrando pelo nevoeiro, que se adensou cada vez mais à medida que eu me aproximava do rio. Faz frio lá fora e enquanto bebo o meu cházinho da tarde, antes de ir descarregar o carro, reparo que as janelas estão completamente molhadas.

CAPELA DO SENHOR DOS AFLITOS

Em 2002 eu e o Loubet fomos contactados pela delegação do IGESPAR de Évora para irmos fazer um trabalho na Capela do Senhor dos Aflitos, dentro do castelo de Campo Maior. Tratava-se de levantar da parede sete ou oito silhares de azulejos, de origem desconhecida e completamente trocados. Depois do levantamento, trouxemos os azulejos aqui para a oficina, removemos as argamassas dos tardozes, consolidámos falhas de vidrado e colámos fracturas e depois, com grande paciência, organizámos os puzzles, ainda conseguindo formar uma série de desenhos, apesar de terem ficado soltos uma série de azulejos com caras de anjos, concheados e bases de colunas, que não entravam em lado nenhum. O que nos tinha sido proposto, nessa fase, estava terminado e guardámos os azulejos em caixas devidamente identificadas por painéis e motivos soltos.

Entretanto, a pessoa que nos tinha contactado saiu do IGESPAR e na altura de entregar os azulejos, ninguém sabia bem com quem se deveria tratar do assunto e depois foi havendo várias mudanças no IGESPAR e nas Delegações Regionais, pelo que os azulejos aqui foram ficando, encaixotados e bem guardados num cantinho. Até que hoje, finalmente, veio alguém de Évora cá buscá-los. Ao que parece e, se tudo correr bem, porque não há dinheiro para nada e muito menos na cultura, a ideia é montá-los em suporte móvel de acrílico e talvez voltem para a capela de onde saíram. Espero bem que sim; a ver vamos.

ESPELHO

Apesar de ter aqui na oficina uma série de coisas que posso ir fazendo, ainda ando um bocado às aranhas com aquilo que realmente vou fazer. Tenho dificuldade em organizar o meu tempo quando ele é demais; os dias acabam por ir passando e parece que não faço nada. Quando estou muito ocupada, curiosamente, consigo encaixar um monte de coisas para fazer nos bocadinhos que tenho vagos, embora aí me farte de reclamar que não tenho tempo para nada. Bom, enquanto tento encarrilar para algum lado, vou aproveitar para colar este espelho em madeira e cabedal que uma amiga me pediu para colar. Eu bem lhe disse que esta não era a minha área, mas ela acha que farei sempre melhor do que ela, que é de biologia e canta bem, mas parece que tem pouco jeitinho de mãos…

FAXINA

Para encerrar de vez com o ano passado e antes de pensar o que é que vou fazer a partir de agora, hoje, para variar, decidi ser uma mulher faxinante: depois de ver que as réplicas que fiz saíram todas bem do forno, encaixotei todos os painéis de azulejos que ainda estavam por aqui estendidos no chão; apanhei todos os papelinhos com marcações que eu tinha feito para me orientar; aspirei o taipal e a bancada de trabalho; varri o chão todo da oficina , incluindo escritório e casa-de-banho; limpei a máquina de corte de azulejos (super-Practyl) e deitei fora toda aquela pequena tralha que não serve para nada, antes que o Loubet a visse. Antes de me ir embora ainda vou lavar o chão, para quando voltar na segunda-feira ganhar inspiração para fazer alguma coisa ao ver isto tudo limpinho.