…VIDA NOVA?

Acabei de pintar as réplicas dos azulejos para a Igreja da Misericórdia, em Tavira! Já estão no forno, neste momento a 170ºC. Se tudo correr bem, entrego-as na próxima segunda-feira. As 60 previstas inicialmente, acabaram por se transformar em 110, não sei o que é que aconteceu, mas melhor para mim, visto que o orçamento foi dado em valores unitários – assim eu receba em breve, mas acredito que sim, até agora a In Situ nunca falhou. E agora sim, ano novo, vida nova; ou seja, sem trabalho! Mas isso, afinal, é a vida do costume… não percebo de onde é que vem este provérbio…

ANO NOVO?

Estou quase, quase a terminar as réplicas para a In Situ. Deixei as mais complicadas para o fim e a coisa não está fácil. Estou a tentar orientar-me por estes azulejos originais, totalmente fragmentados e com grandes lacunas, mas ando aqui um bocado às voltas sem saber bem o que fazer; tento seguir as linhas que muitas vezes não vão dar a lado nenhum e acabo por pintar alguma coisa que pareça fazer sentido, mas pouco convencida. A minha esperança é que isto, depois, integrado no conjunto…

31 DE DEZEMBRO DE 2010

31 de Dezembro de 2010.  Não posso dizer que este ano tenha sido dos mais famosos: três ou quatro trabalhitos pequenos no primeiro trimestre e mais dois ou três agora no final, o que deu mais ou menos uma média de seis meses de trabalho efectivo e outros seis a puxar pela cabeça a ver como é que me arranjava para ir pagando as despesas correntes lá de casa e aqui da oficina também. Mas nem tudo foi mau: a um tal de Jorge Inácio, dono da Mdf-Cr, uma empresa de restauro que não recomendo a ninguém, para quem trabalhei em Março, numa igreja em Cascais e cujo pagamento ainda continuo à espera, devo o facto de ter iniciado a minha produção cerâmica antes de optar por ir trabalhar para o Pingo Doce, já em desespero de causa e fartinha de certo tipo de restauradores, supostamente sérios, que para aí andam. Obrigada, Jorge! E quando puderes paga-me lá o que me deves, caramba; já lá vão nove meses e o dinheiro faz-me falta. Ainda não vivo da cerâmica, claro, mas gosto do processo criativo e tenho tido alguns elogios, o que me deixa sempre um bocado babada. E enfim, tive experiências novas; fui às feiras medievais; criei este blog (que tão bem me faz à sanidade mental durante as muitas horas que trabalho sózinha) e através dele, conheci pessoas novas e até vou entrar num documentário europeu.

Não posso dizer que este ano tenha sido propriamente bom. Mas também não foi mau de todo… Enfim, não foi bom, nem mau; antes pelo contrário.

PAINEL 16

Continuo a fazer as réplicas dos azulejos para a Igreja da Misericórdia, em Tavira. Fiquei de entregá-las todas no dia 3 de Janeiro, mas com Natal, fim-de-ano e férias escolares da minha filha à mistura, já avisei que não vou conseguir. Das dezoito do painel 11, bastante moroso, ficam por fazer ainda sete e do painel 17, que nem sequer cheguei a montar no chão, faltam as sete previstas. De qualquer modo, vou conseguir enviar para baixo quatro painéis concluídos, o que vai permitir à In Situ ter material suficiente para trabalhar durante a próxima semana. E isto quer dizer que tenho de ir enfornar já…

INÉDITO!

Hoje, quando estava a montar no chão o painel 16 para fazer as réplicas necessárias, tive esta surpresa: azulejos verdes e brancos! Tratei de ir logo abrir o documento que a Rita me enviou com as fotografias deste painel na parede e então, é mesmo verdade e inédito, pelo menos para mim; no meio do conjunto azul e branco, existem uns quantos verdes! Nunca tal tinha visto. Não são azulejos originais, claro; apesar de manuais e muito bem feitas, a pasta destas chacotas é bastante diferente e vê-se a olho nu. Agora, quando é que foram feitos e porque é que são a verde e branco, é que não consigo explicar… O Loubet, que entretanto passou por cá de fugida e tratou logo de perguntar «que é isto!?», avançou com a teoria da ética do restauro, ou seja, pode-se e deve-se diferenciar as réplicas dos originais. E ando eu aqui sempre aflita a tentar aproximar os tons o mais possível…

 

3ª FASE

Quando, na semana passada entreguei todas as réplicas à In Situ, pensei que o trabalho estava terminado, uma vez que me tinham dito que eu teria de fazer cerca de sessenta e afinal, com tudo concluído, até foram setenta. Qual não foi o meu espanto, ao entregar tudo devidamente encaixotado por painel, eles me devolvem em troca mais dois caixotes com mais não sei quantos painéis com réplicas ainda para fazer; ao que parece, ainda mais umas trinta. Segundo a Rita, esta é a terceira e última fase, mas a mim ninguém me tinha dito nada, ou então é a minha senilidade que se adensa cada vez mais (o que é bastante possível). Mas tudo bem, claro!, eu quero é trabalhar e como o orçamento foi dado por preços unitários, sempre recebo mais uns €€€ que não estava à espera! É Natal, é Natal…

BÉBÉS

Está a chegar o Natal e mais uma vez a questão dos presentes. Todos os anos é a mesma coisa, tento contornar o assunto e oferecer peças feitas por mim, de modo a minimizar os gastos, que isto não está para grandes despesas. O problema é que a família já está entupida em azulejos, taças e pratinhos em cerâmica, alguns dos quais comprados por eles mesmo para me ajudarem em tempos de maior aflição; de tal maneira que já não sou capaz de lhes dar mais nada deste género e lá tenho de abrir os cordões à bolsa. Este ano apareceram algumas bébés amigas e como ainda não têm nada meu, cá vai disto: um pequeno azulejo com o nome delas para meterem no quarto; ao pé da cama, ou na porta, ou onde os pais delas quiserem, que elas ainda são mínimas para decidirem alguma coisa que seja. E quando chegarem à adolescência logo se vê o que é que lhe fazem…

ENTREGUES!

Estão entregues! Não são iguaizinhos aos originais, mas é o que diz a Inês, a minha colega que mos encomendou: são réplicas! Eu ainda ponderei repeti-los novamente, para tentar aproximar ainda mais as cores, mas pelo sim, pelo não, resolvi mostrá-los primeiro a ela, para ter uma segunda opinião e foi o melhor que fiz, pois ela achou que passavam muito bem; uma coisa é vê-los assim lado a lado, outra coisa é vê-los integrados no conjunto, o que é bem diferente e eu sei disso por experiência própria. Ainda por cima, chacotas desta espessura tão fina e com 14X14 cm não se encontram à venda nas lojas habituais, tive de ser eu a rectificar uma a uma, o que ainda me deu um certo trabalho, pois algumas partiram-se mal lhes meti o disco. Enfim, não fiquei totalmente convencida com os resultados, mas dou este assunto por encerrado; albarda-se o burro à vontade do dono…

NOVA TENTATIVA

Lá pintei novamente estes azulejos para integrarem uma casa-de-banho… Por um lado, agora é mais fácil acertar as cores, tendo por base os primeiros que saíram mal; por outro, agora estou bastante mais insegura no que diz respeito a esta questão. E depois, o facto de estar aqui na oficina a trabalhar sózinha também não ajuda, às vezes falta-me uma segunda opinião e acabo por andar aqui às voltas com perfeccionismos  desnecessários…