Está terminado! Acabámos ontem o trabalho de conservação e restauro dos painéis de azulejos da Igreja da Lousã. Ainda houve uma pequena confusão com o padre, que nos acusou de termos enchido a igreja de pó (o que é verdade) e eu, ao contrário do que ele pensa, ainda estive para lhe dizer que estas coisas não se fazem por obra e graça do Espírito Santo, o que em muito nos facilitaria o trabalho (aliás, nesse caso, nem os azulejos estariam a cair da parede…). Mas enfim, lá me controlei e deixei o Loubet explicar-lhe tudo muito pacientemente com a sua calma habitual… No final acabou tudo em bem e ele ficou satisfeito com o trabalho. E agora, venham os €€€, que muita falta fazem!
DESDE 1837
Não sei se terei grandes benefícios por ter sido filmada para o Canal ARTE. Também não é coisa que pense muito, se o documentário passar é só lá para daqui a um ano e até lá tenho de fazer pela vidinha, que não vivo de rendimentos. Mas para já, para já, alguma coisa já beneficiei por ter conhecido a equipa do DocStation; foram eles quem me deram a dica deste painel de azulejos a precisar de restauro, num lugar bem conhecido de Lisboa e que também vai aparecer no mesmo filme: os Pastéis de Belém! Entrei em contacto com a gerência, muito simpática, por sinal e lá fui ver o seu estado de conservação (dos azulejos, não da gerência) na sexta-feira passada. Aproveitei para beber um café e comer um pastelinho, claro. Se o orçamento for aceite, o trabalho vai ter de ser feito a partir das onze da noite, o que terá as suas vantagens: para além de não ter magotes de gente a olhar para mim, vou conseguir manter equilibrado o meu nível de açúcar no sangue…
CASA AMARELA
Acabei agora mesmo de pintar este pequeno painel toponímico em azulejos que o meu tio me encomendou em Setembro, para colocar na entrada de uma casa, obviamente, com muito amarelo. «Não há pressa nenhuma», foi o que ele me disse e, pegando nestas palavras, deixei o tempo passar, entretida com outras coisas. Aproveitei esta semana de pausa entre ter de acabar o trabalho da Lousã e recomeçar as minhas peças de cerâmica, senão nunca mais o fazia… (E se tudo correr bem, ainda para breve tenho de fazer uma série de réplicas para uma Igreja em Tavira, que convém estarem prontas durante o mês de Novembro.) E agora forno com ele!
DE VOLTA À PAREDE
Quando na semana passada a equipa do Doc Station me filmou para o documentário que estão a fazer sobre Portugal, o Marcus, o realizador, perguntou-me se eu ficava contente quando via os azulejos a voltarem para a parede, ou se preferia fazer outras fases do trabalho e o resultado final não era assim tão importante para mim. Respondi-lhe que gostava bastante de fazer algumas tarefas inerentes ao processo de restaurar azulejos, que me agrada especialmente fazer colagens de fragmentos e também preenchimentos de lacunas e falhas de vidrado; mas que o objectivo final é sempre ver os azulejos voltarem para a parede, foi para isso que foram concebidos e que estava contente, claro. E claro, fico contente também e, principalmente, porque essa fase significa que é mais um trabalho a chegar ao fim… Aliás, dá para ver, não?
S. SILVESTRE
Só mais um dia de trabalho e acabamos a intervenção nos azulejos da igreja da Lousã. Do alto do seu trono, S. Silvestre, padroeiro da Vila, tem observado atentamente todo o processo de restauro e apesar do martírio da poeirada a que foi submetido, sem máscara nem nada, nunca se queixou e parece estar satisfeito por ver os azulejos de volta à parede. Um verdadeiro santo…
INTERNACIONALIZAÇÃO!
Aconteceu-me uma coisa incrível: há duas ou três semanas fui contactada por uma produtora de cinema alemã que me telefonou a perguntar-me se eu estaria interessada em participar num documentário sobre Portugal, que era para passar no Canal Arte e mais qualquer coisa sobre azulejaria e mais não sei quê do fado e fotografar a oficina logo no dia seguinte e mais blá blá, blá blá… Fui completamente apanhada de surpresa e fiquei tão estupefacta que deixei de ouvir. Ainda pensei que fosse alguém a gozar comigo e pedi à pessoa para me mandar um e-mail a explicar tudo de novo desde o princípio. Ao que parece, o realizador descobriu-me pela net lá na Alemanha (isto funciona mesmo!) e gostou bastante do meu blog, de tal modo que a ideia seria introduzir a Azulejaria Portuguesa no documentário através de mim e do meu trabalho… Bom, eu alinhei, claro, sempre espero divertir-me! Amanhã vêm cá filmar-me à oficina, que está caótica, para variar; mas azulejos para restaurar aqui não faltam e, com um bocado de sorte, ainda lhes consigo impingir também as minhas peças de cerâmica! Caramba!… Com esta internacionalização, já me estou a ver com várias oficinas espalhadas pelas Marvilas da principais capitais europeias! Eh, eh, eh!
PIGMENTOS
Comecei a fazer a reintegração cromática dos preenchimentos dos azulejos da Igreja da Lousã. Estou a utilizar pigmentos aglutinados em Paraloid-B72, o que é sempre um trabalho moroso. Como os azulejos não vão ser reassentes com argamassa tradicional, podemos já ir avançando com esta tarefa, uma vez que não terão de ir para dentro de água. A ideia é despachar o trabalho o mais possível aqui na oficina, para depois, lá na Lousã, só nos termos de preocupar com os retoques finais, já com os azulejos na parede.
APEADEIRO DE MARVILA
Hoje ainda não consegui fazer nada de útil: entre começar as reintegrações cromáticas dos azulejos da Lousã, para as quais tive de preparar Paraloid, fazer o projecto de um pequeno painel de azulejos, para o qual preciso de uma ampliação das letras e repensar os meus relógios solares, os quais tenho dúvidas quanto aos gnómons, ando para aqui um pouco atarantada de um lado para o outro. E claro, ainda tenho de terminar as chacotas manuais para as réplicas dos azulejos da Igreja da Ota, que já estão mais do que secas e que precisam de ser escacilhadas, o que não me está a apetecer fazer agora…
Fui tomar um cafézinho ali abaixo a Marvila, para sair um pouco daqui da oficina e fazer a fotossíntese diária, aproveitando este belo dia de sol para tentar organizar a cabeça. Acho que não resultou, mas pelo menos sempre arejei um bocado. Melhor, melhor, será ir para casa… E amanhã há mais.
PREENCHIMENTOS
Estive a fazer e a acabar os preenchimentos de falhas de vidrado dos azulejos da Igreja Matriz da Lousã. Quero despachar isto o mais rápido possível e já estão todos prontos para a integração cromática. Ainda assim, dos cerca de 90 que foram levantados, só 36 é que precisaram de colagens e preenchimentos; tendo em conta que a maioria deles estava já fracturada na parede e o conjunto encontra-se assente com cimento cola, não foi mau de todo. Para a semana voltamos para a Lousã, já temos tudo combinado com o ladrilhador que os vai assentar de novo na parede e, se tudo correr bem, damos por terminada a intervenção. Confesso que estou ansiosa por voltar ao meu trabalho de cerâmica…
BÚSSOLA
Comprei esta bússola aqui há duas semanas, estou muito contente. É linda! Segundo as instruções e o meu pai, até dá para medir azimutes, o que, pelo que percebi (não percebi nada!), são direcções horizontais medidas em graus. Como não andei nos escuteiros quando era miúda, nem pertenço à Federação Portuguesa de Orientação, só sei fazer o básico com ela, ou seja, colocá-la o mais na horizontal possível e ver para onde é que aponta o Norte Magnético, esperando que não haja linhas de alta tensão, fios telefónicos ou mesmo tachos de metal por perto, para não me baralhar o sentido dos pontos cardeais. A partir daqui é fácil saber onde está o Norte Geográfico e consequentemente, o Sul, o Este e o Oeste. E isto para quê? A pensar nos meus Relógios de Sol, claro! Ainda não tenho nenhum pronto, mas nunca se sabe se terei de ir montar algum e convém direccioná-lo a Sul, para que o relógio apanhe sol o maior número de horas possível.
Já agora e, aproveitando este objecto, espero também conseguir orientar de vez a minha vida…










