ENGANO

Quando a In Situ me confirmou que contava comigo para fazer mais umas sessenta réplicas para o conjunto azulejar da Igreja da Misericórdia, em Tavira, tratei de ir logo toda contente comprar cerca de setenta chacotas industriais, iguais às outras que eu já tinha utilizado há um ano, na primeira fase da pintura; ou seja,  com 14×14 cm de largura e 0,8 cm de espessura. Lá vim carregada para aqui com uma caixa e meia de chacotas, que era o que perfazia as tais setenta que eu tinha pedido. A caixa inteira entretanto já se acabou e hoje, ao abrir a meia caixa percebi imediatamente o erro: as chacotas têm 15×15 cm! Nem era preciso confirmar, que eu nestas coisas tenho olho clínico e normalmente erro por poucos milímetros. Pelo sim, pelo não, resolvi medir uma e, raios partam!, lá tenho de ir trocar isto! Logo agora que eu já ía toda embalada para as vidrar…

IMPOSTOS!

Há coisa de duas semanas fui novamente contactada pela Mansão de Marvila para fazer um novo orçamento, desta vez para o restauro dos azulejos do átrio de entrada e corredor adjacente ao mesmo. Resolvi separar os trabalhos e fazer dois orçamentos, um para cada coisa, até porque a tipologia existente em cada lado é diferente uma da outra, sendo os do átrio bastante mais antigos e com problemas mais específicos, que necessitam de uma intervenção mais morosa. Tratam-se de dez silhares de azulejos do séc. XVIII, em muito mau estado de conservação, estando um deles, com cerca de 180 azulejos, em completo risco de destacamento da parede.

Assim sendo, hoje fiz uma pequena pausa antes de recomeçar a fazer as réplicas para a In Situ e tenho estado entretida a fazer os orçamentos, que cada vez ficam mais caros; não por eu estar a ganhar mais, que os meus honorários são sempre os mesmos há que tempos, mas porque tive a agradável surpresa de saber que os meus impostos foram aumentados em um e meio por cento… E isso também entra nas contas. Irra!…

DOIS MIL E DEZ

Acabei de acondicionar em caixotes os primeiros três painéis de azulejos com as réplicas terminadas; estão prontos, podem seguir para a parede. A In Situ defende que as réplicas se devem diferenciar dos azulejos originais, daí terem optado por utilizarem-se chacotas industriais em vez de manuais. O importante é que, a uma certa distância, se integrem bem no conjunto e ao perto se perceba que são réplicas; que foram feitas agora, durante esta intervenção de restauro e que não têm duzentos e tal anos. E eu concordo.

1, 4 e 5.

Acabei agora de pintar as réplicas que ainda me faltavam do painel 1 e ainda todas as dos painéis 4 e 5, que não eram muitas. Combinei entregar o máximo que conseguisse na próxima sexta-feira, para o trabalho poder avançar lá na igreja e para isso tenho de cozê-las esta noite, de modo a rentabilizar o bi-horário e poder abrir o forno calmamente na sexta de manhã, quando já estiver frio. É pena esta fornada ir a meio-gás, ainda me faltam fazer mais três painéis; mas para esta leva já não tenho tempo (nem espaço!), para montar mais nenhum no chão e repetir todo o processo de tirar desenhos, picotar e voltar a pintar. Por isso… paciência, vai assim mesmo.

PRACTYL

Todo o equipamento que temos na nossa oficina foi sendo comprado aos poucos e à medida das necessidades, muitas vezes inserido nos orçamentos dos próprios trabalhos. A última aquisição, já há algum tempo, foi comprada pelos meus colegas por causa de um trabalho na Guarda e é bem útil para estas andanças da azulejaria: uma máquina de cortar azulejos, ou, como diz nas instruções, uma cortadora de azulejos. A marca, PRACTYL, não diz muito e não deve ser do mais profissional que existe, mas para nós deve chegar, que não precisamos de estar horas seguidas a trabalhar com ela. Para já, bem jeito me deu a cortar à medida as chacotas para as réplicas dos painéis da In Situ; tem um rigor qb e como funciona com água, evita encher isto tudo de poeirada, que chega já bem o pó que aqui temos sempre cativo.

RESULTADOS

Hoje vi os resultados da fornada que fiz já com as réplicas dos azulejos pertencentes ao painel nº1 da Igreja da Misericórdia. O vidrado branco, como sempre, é o que dá mais nas vistas, mas dentro do conjunto, integram-se bem, até porque esta zona vai estar colocada num local bastante acima do nível dos olhos. Tenho este painel quase pronto, só me faltam os marmoreados, que, por terem muito branco e aguadas azuis muito claras, ainda me vão dar algum trabalhinho… E vou começar a montar os painéis 4 e 5, os próximos a intervir, para ir já olhando para eles e ver o que é que me espera.

AZUL?

Hoje pintei 11 réplicas para o painel nº1 que a In Situ me entregou, as mais complicadas, por sinal. Faltam-me ainda fazer 13, mas despacho-as amanhã. Tive de tirar os desenhos pelos simétricos e às vezes a coisa não é fácil; não tenho cá o painel todo e tenho de fazer com que as sombras fiquem todas do lado contrário. De qualquer modo e, como quase sempre, assim em crús, parecem-me bem. Vamos lá ver depois de cozidos…

 

EXPERIÊNCIAS DE CÔR

Fiz algumas experiências de côr para pintar as réplicas da Igreja da Misericórdia em Tavira. O azul escuro, não sei bem porquê, ultimamente não fica tão escuro como eu quero, agora acrescentei-lhe um pouco de óxido da cobalto e vou baixar um pouco a temperatura de cozedura. E depois, há sempre a questão do vidrado branco, que, sendo sempre branco, pode ser também rosado, azulado ou acinzentado… É uma questão de fazer várias experiências de uma vez só, para rentabilizar as fornadas e a partir daí, por comparação, ir aperfeiçoando os tons. Enfim, um processo moroso, que tem de ser sempre feito. De qualquer modo, acho que já posso arriscar em pintar a maior parte dos azulejos para este painel; tirando os marmoreados, penso que todos os outros já se irão integrar bem no conjunto.

PICOTADOS

Acabei de tirar todos os desenhos para fazer as réplicas para a Igreja da Misericórdia, em Tavira. Já cá tenho sete ou oito painéis, mas para já concentro-me no nº1; é melhor ir por partes e com algum método, senão às tantas já não sei a quantas ando e acabo por fazer azulejos repetidos ou pior, acabam por me escapar alguns. A Rita, da In Situ, que é quem está à frente do trabalho lá no Algarve, é bastante organizadinha e, a meu pedido, enviou-me toda a documentação que eu preciso, nomeadamente listagem de referências de réplicas por cada painel, fotografias e os azulejos em torno de cada um que tem de ser feito, para continuidade de linhas e manchas cromáticas.  E agora vou picotar os desenhos, que é sempre uma coisa que me deixa os olhos em bico…

RÉPLICAS PARA A IN SITU

Fui contactada pela In Situ para fazer as réplicas dos azulejos dos painéis da Igreja da Misericórdia, em Tavira, no seguimento de outras que eu já lhes tinha feito há mais de um ano. São uma série de painéis e este é o número 1. Para já, tenho de fazer os desenhos que faltam e experiências de cor. Só para este painel, são cerca de 26 réplicas…

Novidade: meti algumas das minhas peças à venda numa loja na Rua de Belém, a Original, mesmo ao lado dos Pastéis. À consignação, claro… Os preços ficam mais caros do que eu venderia numa feira, mas a verdade é que eu assim não tenho nenhum encargo com a coisa e aqui na oficina, paradas, é que não rendem nada. De modo que estou contente e a ver vamos.