A Câmara de Sintra avisou-me que não têm bancas para os feirantes, que cada um deve ter a sua. Claro que eu ainda não tenho uma e, tão em cima do acontecimento, vou ter de improvisar mais uma vez. Por sorte, aqui na oficina, cavaletes e pranchetas não faltam e vai ser com a prata da casa que eu me vou amanhar (a retenção de custos continua…). A questão vai ser entre haver uma parte de cima ou não; por um lado protegia-me do sol, por outro e, pensando em Sintra, protegia-me de chuva ou da humidade nocturna, que lá o verão é sempre duvidoso… Mas isso implica uma estrutura qualquer, que eu agora não consigo pensar… Portanto e, para já, acho que vai ficar mesmo assim. O importante é que as pessoas não se tenham de baixar. E quando eu me tornar uma verdadeira profissional nestas andanças, logo penso como vou fazer as coisas.
NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA!
Ter ído a Elvas, entre outras coisas que aprendi, trouxe isto de bom: disseram-me que eu deveria tentar ir à Feira Medieval de Sintra, ainda este mês. Nem fazia ideia que essa feira existia. Entrei em contacto com a Câmara de Sintra e enviei-lhes o blog, para verem o meu trabalho. E aceitaram-me! Sintra significa Património e Património interessa-me! Estou muito contente, acho que as minhas peças nesta feira poderão ter uma outra visibilidade bem diferente do que em Elvas. Resolvi fazer rapidamente e com o pouco barro que me restava, uma série de tacinhas (que sempre vão tendo saída) e também uma pequena colecção das aplicações que eu uso nas taças grandes, para lhes colocar uns ímanes atrás. Acho que podem ficar bem giros e podem-se vender barato ou até oferecer… Nada como um objectivo para a cabeça começar logo a funcionar a mil!
A parte melhor de todas, foi ter recebido outro telefonema, também da Câmara de Sintra, a convidarem-me para participar numa feira setecentista que vai haver no fim de Julho ao pé do Palácio de Queluz! Eu nem imaginava que havia feiras setecentistas! Bom, tive de recusar o convite, com muita pena minha, mas não tenho nenhum material pensado nesse sentido… Apesar de já muitas ideias, algumas antigas, começarem agora a ganhar consistência! Para o ano contam comigo, porque «as suas peças são muito bonitas!» É claro que, agora, estou aqui sentada sózinha, mas de sorriso na cara…
Aproveitando ainda a experiência da outra feira, fiz também uns pequenos suportes para meter os preços das peças, assim não vão ter hipóteses de voar!
CANDEEIROS
Ando um bocado perdida desde que vim de Elvas na segunda-feira passada. Assim como que meia anestesiada… É verdade que tem estado um calor dos diabos, o que não ajuda a pensar, mas ando para aqui na oficina sem saber bem o que fazer, tipo barata tonta. O objectivo era trabalhar para aquela feira, mas agora a feira já passou e a vida continua. E agora? De repente tenho de reorganizar mais uma vez a cabeça, (uf… está abafado, aqui dentro!…). Também estar cá sempre sózinha não ajuda, depois venho para aqui e não páro de escrever. E gosto de falar, ainda por cima! Ontem tentei fazer uma ou outra peça com o barro que ainda me resta, mas não gostei de nada e acabei por desmanchar. Fiz estes dois candeeirinhos, com um certo ar de sinos de Natal…(atenção; que em último recurso ainda pode ser uma via a explorar!) Bom, pelo sim, pelo não, já ficam.
VELAS EM ELVAS.
Uma vez que não pensei na iluminação da minha barraquinha na feira Medieval de Elvas, consegui contornar o problema espalhando várias velas por cima do balcão e da mesa de apoio onde estavam as peças. Juntamente com a fraca iluminação que eu tinha de duas lâmpadas, até acho que ficou com um ambiente… medieval. Em todo o caso, já ando a pensar em fazer uns candeeiros, também em barro refractário, para levar à próxima feira que eu vá brevemente…
FESTIVAL MEDIEVAL DE ELVAS
2, 3 e 4 de Julho de 2010: Festival Medieval de Elvas. Chegada na sexta-feira, por volta do meio-dia, muito calor. Deram-me duas barraquinhas singelas, com um balcão fininho. À minha volta, os profissionais destas coisas, atarefavam-se a montar mesas e cavaletes e panos e bancas próprias com tudo pensado. Como me tinham dito que só era preciso levar o que eu tencionava comercializar, assim o fiz: não levei mais nada. Erro nº1. Lá fui rapidamente comprar umas esteiras e uma mesinha de apoio para ter dentro da barraca. Por sorte, as pessoas à minha volta eram muito simpáticas e emprestaram-me ainda mais uma mesa, sobre a qual pude ainda pôr umas peças, para não ter de ficar tudo no chão. Enfim, depois de muito suar, lá consegui improvisar o meu estaminé, que, apesar de tudo, ficou simpático…
A meio da tarde vieram umas pessoas da organização entregar-me duas lâmpadas. Erro nº 2: não levei extensões, nem fios elétricos e o cabo que dava para a minha barraca era muito pequeno. A custo, lá o consegui puxar até ao cimo do balcão principal e por sorte, a vizinha do lado tinha uma extensão grande, com a qual consegui pendurar a outra lâmpada sobre a barraquinha do lado. Depois, com uma série de velas dentro das tacinhas pequeninas, consegui que tudo ficasse com um ambiente bem simpático!
O festival abriu com um cortejo, por volta das seis da tarde e todos os comerciantes estavam trajados ao estilo medieval, ou, pelo menos, de uma forma que nos poderia reportar à época. Erro nº3: eu não. Vá lá que levei um vestido comprido que, mais ou menos, até disfarçava e andei o tempo todo com ele, mas faltavam-me as bolsas penduradas, as peles, os coletes e os adereços em cabedal… Felizmente lembrei-me de calçar uns sapatos de lona com sola de corda e lá fiquei com um ar medievo-contemporâneo (que, segundo um amigo meu, é também o ar das minhas peças, portanto, tudo bem!).
Ao fim do primeiro dia, à hora de fechar, deparei-me com o último e importantíssimo erro: como fechar as barracas. Tinham-me dito que não havia nenhum problema com a segurança durante a noite, que o local iria estar vigiado, mas a verdade é que o recinto da feira era em plena rua aberta e toda a gente, os profissionais, tinha lonas com fechos e alertaram-me logo para eu não deixar as peças todas à vista. Mais uma vez, a vizinha do lado, muito simpática, emprestou-me um pano grande com o qual eu tapei tudo e fechei o melhor que pude a minha barraquinha. Diga-se, em abono da verdade, que não houve problema nenhum e tudo correu muito bem!
Apesar de não ter vendido o que esperava, consegui cobrir os custos, recebi vários elogios ao meu trabalho (que muito me agradaram), conheci gente muito simpática e para a próxima tudo correrá muito melhor com aquilo que aprendi!
A MINHA PRIMEIRA PRODUÇÃO CERÂMICA!
Que emoção! Aqui está tudo o que selecionei para levar para Elvas, o resultado destes dois últimos meses de trabalho e primeiros neste caminho das artes do fogo! Entre muitas experiências, cerca de 120 peças – taças de vários tamanhos, pratinhos, solitários e placas relevadas. Fora os diversos, tais como cartões, etiquetas, fita-cola, tesoura, sacos e papel de embrulho e claro, caixinha para trocos, já com algumas moedas e duas ou três notas pequenas. E um pano para forrar a bancada, mesmo não sabendo as medidas. Acho que não me esqueci de nada… mas amanhã é que vou ver. Agora é empacotar isto tudo e carregar o carro! Ufa!…
CARTÕES
Estou a fazer os meus cartões de apresentação para dar às pessoas. Como ando em retenção de custos ultimamente, há que reduzir as despesas ao mínimo: fotocópias a preto e branco, sobre papel brilhante com uma boa gramagem. Numa folha A4 consigo fazer 10. Depois é só ter o trabalho de cortar cada um. Para dar um toque colorido, tenho um carimbo, feito manualmente, que aplico onde eu quiser… E assim posso ir variando, tanto na cor de fundo, como na do carimbo. A necessidade aguça o engenho…
E com os pedacinhos que sobram, ainda posso fazer um cartãozinho pequeno que posso furar e adicionar aos embrulhos de quem me comprar alguma peça! Não se desperdiça nada…
IGREJA MATRIZ DA LOUSÃ
Hoje fui à Lousã, à Igreja Matriz, para ver dois painéis de azulejos que precisam de restauro. Quem nos contactou foi a Universidade Católica do Porto, o orçamento será deles, mas em princípio seremos nós a fazer o trabalho.
Os painéis têm 2,4m X 3m cada um e foram executados pela Fábrica Aleluia em 1982; recentes, portanto. No entanto, um deles apresenta já bolsas de ar entre a superfície de suporte e os azulejos, estando por isso alguns em risco de destacamento.
Não sei quando começaremos o trabalho, idealmente seria agora, mas provavelmente só em Setembro… Bom, depois penso nisso, agora estou muito cansada depois de ter conduzido 400km quase de uma assentada só…
SIM, É VERMELHO.
VERMELHO?
O meu amigo Joaquim, a quem devo muito pelo fase inicial deste blog, acha que falta alguma cor no conjunto das minhas peças. Quando eu as concebi, já a pensar numa Feira Medieval, pensei logo numa série de cores que se integrassem nessa temática, verdes escuros, azuis escuros, violetas… Enfim, cores mais clássicas, com alguma sobriedade. No entanto fiquei a pensar nisso e rapidamente fiz mais uma série variada de taças, que vou agora vidrar de vermelho! Se forem hoje enfornadas, na segunda-feira já as tenho prontas, ainda muito a tempo de as levar para Elvas.
Et voilá! Ninguém diria que isto vai ser vermelho, certo?























