PEÇAS NOVAS

Resolvi ir à Feira Setecentista de Queluz, no fim deste mês. É verdade que eu tinha dito que não ía, quando a Câmara Municipal de Sintra me convidou para participar; aleguei que as minhas peças tinham sido idealizadas para as feiras medievais e que eu achava que não se adaptavam a este novo tema. Também é verdade que ainda lhes disse que, embora tivesse já umas ideias, não tinha tempo suficiente para fazer peças novas, mas que para o ano contassem comigo. Só que pensei melhor, falei com a Câmara e afinal vou. Vou, «mas só com estas peças que restam, não gasto nem mais um tostão em barro!»

Hoje fui comprar barro. Foram só dois pacotinhos… Fiz peças novas. Tem estado calor e talvez elas sequem. Domingo, no máximo, têm de ser enfornadas. Como não tenho muito tempo para experimentar ideias novas, continuo na mesma linha das que já tenho, mas com uma decoração diferente. Azul e branca, como na época áurea da azulejaria portuguesa do séc. XVIII.

Entretanto, espero não mudar de ideias mais vez nenhuma.

FEIRA MEDIEVAL DE SINTRA

16, 17 e 18 de Julho de 2010. Esta era a minha banca, que afinal se chama stand. Apesar de muito vento e calor de dia e muito vento e frio à noite, correu bem! Com excepção de uns alfinetes e de uma estaca, não me esqueci de nada! E mesmo isso, foi-me emprestado pela vizinhança, que, mais uma vez, era muito simpática. Estou muito cansada, mas contente. Estava à espera de vender mais, mas parece que a tão falada crise está mesmo instalada e as pessoas não compram tanto como gostariam. De qualquer modo não me posso queixar; sempre trouxe algum dinheiro para casa, divulguei o meu trabalho e ouvi muitos elogios às minhas peças, o que me deixa um pouco babada e motivada para continuar. E entreguei muitos cartões a pessoas interessadas, o que talvez traga alguns frutos lá para a frente… E ainda obtive uma ou duas informações preciosas se quiser apostar nisto das feiras.

Já agora, obrigada, mais uma vez, aos amigos e familiares que por lá apareceram e que contribuíram com a sua opinião, companhia e força (e algum dinheirinho!) para eu continuar por esta nova via da cerâmica.

ULTIMA FORNADA

Uf! Tirei agora mesmo as ultimas peças do forno, mesmo a tempo de ir para a Feira Medieval de Sintra. Saíram todas bem! Acho que já estou a melhorar com os vidrados… Doze placas relevadas, doze tacinhas e uma taça alta. E já não tenho mais barro! Nem mais nenhuma feira em vista, para já. Espero vender bastante, estou a precisar do dinheiro. Se não, pelo menos divulgo o meu trabalho, o que é sempre bom. E oiço opiniões… Já tenho tudo pronto, só falta carregar o carro e fazer-me à estrada. Hoje a feira abre às 18h, mas as coisas têm de estar montadas duas horas antes. Espero que não chova, o tempo está esquisito e em Sintra nunca se sabe…

AHAHAH!

Vim agora de Sintra, por sorte, vi ontem no regulamento que as bancas tinham de ser montadas na véspera e eu estava convencida que era só no próprio dia. Cheguei por volta das onze e já lá estava imensa gente a tentar perceber onde é que iria ficar. Os lugares não são marcados, o que acho bem e disseram-me que os últimos a chegar, nas feiras medievais, «ficam lá para os fundos, ao pé dos camelos…». Bom, desta já escapei; até simpatizo com estes animais, mas parece que ao pé deles o cheiro não é dos melhores e depois, não tenho nada para lhes dizer, nem eles a mim. Portanto, a coisa está a melhorar. Entretanto lá me deram o espacinho que eu lhes tinha dito que iria precisar. Ahahah! Até me deu vontade de rir, acho que vou ser a pessoa com a banquinha mais pequena da feira! Vou ficar entre duas tendas grandes, não sei se alguém vai dar por mim!… Mas já valeu ter lá ído hoje, os cavaletes têm de levar uns calços e a extensão que eu ía levar tem de ser maior. E pronto! Agora é só tratar dos últimos pormenores que ainda faltam e amanhã lá vou eu! Vamos lá a ver no que isto vai dar…

SÉRIE FLORES

Quando há três meses comecei a pensar em dedicar-me à cerâmica, ainda não sabia bem o que é que ía fazer. Tinha já duas ou três placas relevadas que costumo vender na loja do Mosteiro dos Jerónimos e algumas ideias dentro desse género. Comprei barro e desatei a fazer peças a torto e a direito; foi um delírio, até porque o trabalho de restauro de azulejos não o permite, claro. Muita coisa foi posta de parte, umas por questões técnicas que ainda não domino, outras porque as peças não correspondiam às minhas expectativas. Nessa altura comecei a fazer estas placas, que, ao contrário das outras que eu tenho, já estavam pensadas para terem elementos vidrados. A ideia era fazer uma série de sete diferentes, que, ao ser vidrada de inúmeras cores, se pode desmultiplicar por uma muito maior. Fiz quatro e já não sei bem porquê, abandonei a ideia. E elas ali têm estado, há quase dois meses na prateleira, a ver o que é que lhes acontece. Hoje resolvi vidrá-las, ainda a tempo da Feira de Sintra. Finalmente dei-lhes o acabamento que tinha pensado e logo à noite, forno com elas. Se gostar do resultado, talvez depois faça as outras três que ainda faltam.

NOTÍCIA DE ÚLTIMA HORA!

Ter ído a Elvas, entre outras coisas que aprendi, trouxe isto de bom: disseram-me que eu deveria tentar ir à Feira Medieval de Sintra, ainda este mês. Nem fazia ideia que essa feira existia. Entrei em contacto com a Câmara de Sintra e enviei-lhes o blog, para verem o meu trabalho. E aceitaram-me! Sintra significa Património e Património interessa-me! Estou muito contente, acho que as minhas peças nesta feira poderão ter uma outra visibilidade bem diferente do que em Elvas. Resolvi fazer rapidamente e com o pouco barro que me restava, uma série de tacinhas (que sempre vão tendo saída) e também uma pequena colecção das aplicações que eu uso nas taças grandes, para lhes colocar uns ímanes atrás. Acho que podem ficar bem giros e podem-se vender barato ou até oferecer… Nada como um objectivo para a cabeça começar logo a funcionar a mil!

A parte melhor de todas, foi ter recebido outro telefonema, também da Câmara de Sintra, a convidarem-me para participar numa feira setecentista que vai haver no fim de Julho ao pé do Palácio de Queluz! Eu nem imaginava que havia feiras setecentistas! Bom, tive de recusar o convite, com muita pena minha, mas não tenho nenhum material pensado nesse sentido… Apesar de já muitas ideias, algumas antigas, começarem agora a ganhar consistência! Para o ano contam comigo, porque «as suas peças são muito bonitas!» É claro que, agora, estou aqui sentada sózinha, mas de sorriso na cara…

Aproveitando ainda a experiência da outra feira, fiz também uns pequenos suportes para meter os preços das peças, assim não vão ter hipóteses de voar!

CANDEEIROS

Ando um bocado perdida desde que vim de Elvas na segunda-feira passada. Assim como que meia anestesiada… É verdade que tem estado um calor dos diabos, o que não ajuda a pensar, mas ando para aqui na oficina sem saber bem o que fazer, tipo barata tonta. O objectivo era trabalhar para aquela feira, mas agora a feira já passou e a vida continua. E agora? De repente tenho de reorganizar mais uma vez a cabeça, (uf… está abafado, aqui dentro!…). Também estar cá sempre sózinha não ajuda, depois venho para aqui  e não páro de escrever. E gosto de falar, ainda por cima! Ontem tentei fazer uma ou outra peça com o barro que ainda me resta, mas não gostei de nada e acabei por desmanchar. Fiz estes dois candeeirinhos, com  um certo ar de sinos de Natal…(atenção; que em último recurso ainda pode ser uma via a explorar!) Bom, pelo sim, pelo não, já ficam.

VELAS EM ELVAS.

Uma vez que não pensei na iluminação da minha barraquinha na feira Medieval de Elvas, consegui contornar o problema espalhando várias velas por cima do balcão e da mesa de apoio onde estavam as peças. Juntamente com a fraca iluminação que eu tinha de duas lâmpadas, até acho que ficou com um ambiente… medieval. Em todo o caso, já ando a pensar em fazer uns candeeiros, também em barro refractário, para levar à próxima feira que eu vá brevemente…

FESTIVAL MEDIEVAL DE ELVAS

2, 3 e 4 de Julho de 2010: Festival Medieval de Elvas. Chegada na sexta-feira, por volta do meio-dia, muito calor. Deram-me duas barraquinhas singelas, com um balcão fininho. À minha volta, os profissionais destas coisas, atarefavam-se a montar mesas e cavaletes e panos e bancas próprias com tudo pensado. Como me tinham dito que só era preciso levar o que eu tencionava comercializar, assim o fiz: não levei mais nada. Erro nº1. Lá fui rapidamente comprar umas esteiras e uma mesinha de apoio para ter dentro da barraca. Por sorte, as pessoas à minha volta eram muito simpáticas e emprestaram-me ainda mais uma mesa, sobre a qual pude ainda pôr umas peças, para não ter de ficar tudo no chão. Enfim, depois de muito suar, lá consegui improvisar o meu estaminé, que, apesar de tudo, ficou simpático…

A meio da tarde vieram umas pessoas da organização entregar-me duas lâmpadas. Erro nº 2: não levei extensões, nem fios elétricos e o cabo que dava para a minha barraca era muito pequeno. A custo, lá o consegui puxar até ao cimo do balcão principal e por sorte, a vizinha do lado tinha uma extensão grande, com a qual consegui pendurar a outra lâmpada sobre a barraquinha do lado. Depois, com uma série de velas dentro das tacinhas pequeninas, consegui que tudo ficasse com um ambiente bem simpático!

O festival abriu com um cortejo, por volta das seis da tarde e todos os comerciantes estavam trajados ao estilo medieval, ou, pelo menos, de uma forma que nos poderia reportar à época. Erro nº3: eu não. Vá lá que levei um vestido comprido que, mais ou menos, até disfarçava e andei o tempo todo com ele, mas faltavam-me as bolsas penduradas, as peles, os coletes e os adereços em cabedal… Felizmente lembrei-me de calçar uns sapatos de lona com sola de corda e lá fiquei com um ar medievo-contemporâneo (que, segundo um amigo meu, é também o ar das minhas peças, portanto, tudo bem!).

Ao fim do primeiro dia, à hora de fechar, deparei-me com o último e importantíssimo erro: como fechar as barracas. Tinham-me dito que não havia nenhum problema com a segurança durante a noite, que o local iria estar vigiado, mas a verdade é que o recinto da feira era em plena rua aberta e toda a gente, os profissionais, tinha lonas com fechos e alertaram-me logo para eu não deixar as peças todas à vista. Mais uma vez, a vizinha do lado, muito simpática, emprestou-me um pano grande com o qual eu tapei tudo e fechei o melhor que pude a minha barraquinha. Diga-se, em abono da verdade, que não houve problema nenhum e tudo correu muito bem!

Apesar de não ter vendido o que esperava, consegui cobrir os custos, recebi vários elogios ao meu trabalho (que muito me agradaram), conheci gente muito simpática e para a próxima tudo correrá muito melhor com aquilo que aprendi!

A MINHA PRIMEIRA PRODUÇÃO CERÂMICA!

Que emoção! Aqui está tudo o que selecionei para levar para Elvas, o resultado destes dois últimos meses de trabalho e primeiros neste caminho das artes do fogo! Entre muitas experiências, cerca de 120 peças – taças de vários tamanhos, pratinhos, solitários e placas relevadas. Fora os diversos, tais como cartões, etiquetas, fita-cola, tesoura, sacos e papel de embrulho e claro, caixinha para trocos, já com algumas moedas e duas ou três notas pequenas. E um pano para forrar a bancada, mesmo não sabendo as medidas. Acho que não me esqueci de nada… mas amanhã é que vou ver. Agora é empacotar isto tudo e carregar o carro! Ufa!…