Acabei de acondicionar em caixotes os primeiros três painéis de azulejos com as réplicas terminadas; estão prontos, podem seguir para a parede. A In Situ defende que as réplicas se devem diferenciar dos azulejos originais, daí terem optado por utilizarem-se chacotas industriais em vez de manuais. O importante é que, a uma certa distância, se integrem bem no conjunto e ao perto se perceba que são réplicas; que foram feitas agora, durante esta intervenção de restauro e que não têm duzentos e tal anos. E eu concordo.
Categoria: MANUFACTURA DE REPLICAS
1, 4 e 5.
Acabei agora de pintar as réplicas que ainda me faltavam do painel 1 e ainda todas as dos painéis 4 e 5, que não eram muitas. Combinei entregar o máximo que conseguisse na próxima sexta-feira, para o trabalho poder avançar lá na igreja e para isso tenho de cozê-las esta noite, de modo a rentabilizar o bi-horário e poder abrir o forno calmamente na sexta de manhã, quando já estiver frio. É pena esta fornada ir a meio-gás, ainda me faltam fazer mais três painéis; mas para esta leva já não tenho tempo (nem espaço!), para montar mais nenhum no chão e repetir todo o processo de tirar desenhos, picotar e voltar a pintar. Por isso… paciência, vai assim mesmo.
PRACTYL
Todo o equipamento que temos na nossa oficina foi sendo comprado aos poucos e à medida das necessidades, muitas vezes inserido nos orçamentos dos próprios trabalhos. A última aquisição, já há algum tempo, foi comprada pelos meus colegas por causa de um trabalho na Guarda e é bem útil para estas andanças da azulejaria: uma máquina de cortar azulejos, ou, como diz nas instruções, uma cortadora de azulejos. A marca, PRACTYL, não diz muito e não deve ser do mais profissional que existe, mas para nós deve chegar, que não precisamos de estar horas seguidas a trabalhar com ela. Para já, bem jeito me deu a cortar à medida as chacotas para as réplicas dos painéis da In Situ; tem um rigor qb e como funciona com água, evita encher isto tudo de poeirada, que chega já bem o pó que aqui temos sempre cativo.
RESULTADOS
Hoje vi os resultados da fornada que fiz já com as réplicas dos azulejos pertencentes ao painel nº1 da Igreja da Misericórdia. O vidrado branco, como sempre, é o que dá mais nas vistas, mas dentro do conjunto, integram-se bem, até porque esta zona vai estar colocada num local bastante acima do nível dos olhos. Tenho este painel quase pronto, só me faltam os marmoreados, que, por terem muito branco e aguadas azuis muito claras, ainda me vão dar algum trabalhinho… E vou começar a montar os painéis 4 e 5, os próximos a intervir, para ir já olhando para eles e ver o que é que me espera.
AZUL?
Hoje pintei 11 réplicas para o painel nº1 que a In Situ me entregou, as mais complicadas, por sinal. Faltam-me ainda fazer 13, mas despacho-as amanhã. Tive de tirar os desenhos pelos simétricos e às vezes a coisa não é fácil; não tenho cá o painel todo e tenho de fazer com que as sombras fiquem todas do lado contrário. De qualquer modo e, como quase sempre, assim em crús, parecem-me bem. Vamos lá ver depois de cozidos…
EXPERIÊNCIAS DE CÔR
Fiz algumas experiências de côr para pintar as réplicas da Igreja da Misericórdia em Tavira. O azul escuro, não sei bem porquê, ultimamente não fica tão escuro como eu quero, agora acrescentei-lhe um pouco de óxido da cobalto e vou baixar um pouco a temperatura de cozedura. E depois, há sempre a questão do vidrado branco, que, sendo sempre branco, pode ser também rosado, azulado ou acinzentado… É uma questão de fazer várias experiências de uma vez só, para rentabilizar as fornadas e a partir daí, por comparação, ir aperfeiçoando os tons. Enfim, um processo moroso, que tem de ser sempre feito. De qualquer modo, acho que já posso arriscar em pintar a maior parte dos azulejos para este painel; tirando os marmoreados, penso que todos os outros já se irão integrar bem no conjunto.
PICOTADOS
Acabei de tirar todos os desenhos para fazer as réplicas para a Igreja da Misericórdia, em Tavira. Já cá tenho sete ou oito painéis, mas para já concentro-me no nº1; é melhor ir por partes e com algum método, senão às tantas já não sei a quantas ando e acabo por fazer azulejos repetidos ou pior, acabam por me escapar alguns. A Rita, da In Situ, que é quem está à frente do trabalho lá no Algarve, é bastante organizadinha e, a meu pedido, enviou-me toda a documentação que eu preciso, nomeadamente listagem de referências de réplicas por cada painel, fotografias e os azulejos em torno de cada um que tem de ser feito, para continuidade de linhas e manchas cromáticas. E agora vou picotar os desenhos, que é sempre uma coisa que me deixa os olhos em bico…
RÉPLICAS PARA A IN SITU
Fui contactada pela In Situ para fazer as réplicas dos azulejos dos painéis da Igreja da Misericórdia, em Tavira, no seguimento de outras que eu já lhes tinha feito há mais de um ano. São uma série de painéis e este é o número 1. Para já, tenho de fazer os desenhos que faltam e experiências de cor. Só para este painel, são cerca de 26 réplicas…
Novidade: meti algumas das minhas peças à venda numa loja na Rua de Belém, a Original, mesmo ao lado dos Pastéis. À consignação, claro… Os preços ficam mais caros do que eu venderia numa feira, mas a verdade é que eu assim não tenho nenhum encargo com a coisa e aqui na oficina, paradas, é que não rendem nada. De modo que estou contente e a ver vamos.
BENEFÍCIOS DE AMASSAR BARRO
Hoje, enquanto fazia mais não sei quantos azulejos manuais em barro, ocorreu-me esta bela ideia: por que não criar um protocolo com uma academia de ginástica para que faça uma sucursal aqui na oficina? Seria uma óptima maneira de eu ter o barro todo amassado, sem ter de investir em nenhuma fieira, que só ocupa espaço e gasta electricidade e ainda ganhava dinheiro, claro; porque essas coisas pagam-se! Na brochura publicitária do ginásio, ou, como se diz agora, flyer, poder-se-ia ler «Método inovador, com resultados visíveis ao fim de apenas três dias!», o que não seria mentira nenhuma, não senhor, que eu posso comprovar por mim própria! Vejamos os benefícios de amassar o barro: trabalham-se os braços, os quais adquirem uma nova musculatura; trabalham-se os abdominais, ficando com a barriga mais rija e ainda se trabalham as pernas, que ficam mais tonificadas de tanto flectir para cima e para baixo ao pegar nos pacotes de 12 quilinhos de barro e levá-los de um lado para o outro! Acreditem, em três dias apenas, já tudo isso me dói, é melhor do que fazer remo! Nem água falta, porque se sua as estopinhas… E já nem falo do lado terapêutico de amassar barro! Para que se evitem bolhas de ar, é fundamental bater o barro com muita força e aqui, convém pensar no chefe, ou no governo, ou nalguma coisa que nos esteja a chatear mesmo a sério, com a vantagem de à noite se cair na cama a dormir sem pensar em problema nenhum. Até se poupa na farmácia.
Vou já à net ver contactos de ginásios. Tenho a certeza que não vai faltar gente interessada, tudo aqui a amassar barro e eu sempre a fazer azulejos manuais. Em pouco tempo devo ter mais do que suficientes para revestir a Baixa Pombalina, não? Olha… vou aproveitar e vejo já também se descubro o telefone do António Costa…
50
Continuo a fazer as chacotas manuais para as réplicas dos azulejos da Igreja da Ota. Segundo as nossas contas, vão ser precisas cerca de 120, mas, pelo sim, pelo não, vou fazer umas 140, assim já há uma margem para enganos ou para qualquer azar. Estou a fazer tudo muito de-va-ga-ri-nho, que já não posso com os braços. Se estivesse com o tempo contado, lá teria de acelerar e, provavelmente, hoje já tinha tudo feito, mas assim vou com calma para não cair para o lado sem me mexer. Portanto, neste momento, já há 50. Tenho estado a fazer pilhas de dez, para o barro ir secando devagar e sem empenos. E amanhã, quando chegar, a primeira coisa a fazer é virar as placas todas ao contrário. E depois é continuar a amassar…













