A par dos azulejos de aresta-viva com as esferas armilares, tenho andado também a tratar das experiências de cores para as réplicas dos de figura avulso existentes nos bancos do Miradouro de Sta. Luzia, em Lisboa – baseada em pequenos fragmentos que me foram entregues e que variam de tonalidades entre eles. Quer-me parecer que o mais sensato seja usar dois vidrados brancos diferentes, para as réplicas se diluírem no meio dos originais… Enfim, resultados, agora só amanhã.
Categoria: MANUFACTURA DE REPLICAS
ARESTA-VIVA
Na quinta-feira passada fui contactada para fazer algumas réplicas de azulejos para o Miradouro de Sta. Luzia, em Lisboa – o que veio mesmo a calhar, uma vez que estava sem trabalho de novo.
Tratam-se de alguns azulejos de aresta-viva com a esfera armilar, algumas figuras avulso 15x15cm e ainda meia-dúzia de azulejos figurativos manuais para colmatarem as lacunas da fonte, dos bancos e do painel com a vista de Lisboa existentes lá no Miradouro.
O que não dá jeito nenhum é o prazo curtíssimo que tenho para entregar principalmente as esferas armilares e as figuras avulso – dia 16 deste mês convinha que estivessem na parede e não gosto de começar um trabalho já em stress com o prazo.
Apesar de não serem muitas unidades de cada tipologia, preocupam-me sobretudo os de aresta-viva, que para além da manufactura do molde, ainda há todo o processo de execução de chacotas, que têm de secar controlada e lentamente o mais rápido possível, para que não empenem nem se partam durante a primeira cozedura e depois ainda a vidragem e a pintura e depois ainda a segunda cozedura.
Hoje tirei do forno as primeiras experiências de cores de vidrados; para já, parece-me que estou no bom caminho. Mas estou a achar isto tudo muito apertado.
AZULEJOS
De volta aos meus azulejos.
Tenho andado ocupada a fazer chacotas manuais de diferentes tamanhos e feitios e a pintar frisos, cercaduras, figuras avulso, patronagens pombalinas, animais, enfim; réplicas de motivos vários retirados da azulejaria tradicional portuguesa em geral, as quais tenciono misturar aleatoriamente e formar pequenos painéis de azulejos.
E depois penso no que fazer com eles – para já, produzir.
PEQUENOS PAINÉIS DE AZULEJOS
Baseada numa ideia que tive há algum tempo, acabei hoje de montar em suporte acrílico pequenos painéis de azulejos, todos com 14x21cm de dimensão – um tamanhinho simpático para pendurar em qualquer parede.
As chacotas são totalmente manuais e têm três tamanhos distintos, que se articulam entre si de modo a respeitar a dimensão final e os motivos, retirados de diferentes fases da azulejaria tradicional portuguesa e adaptados aos tamanhos pretendidos, são pintados à mão, conjugando-se uns com os outros sem respeitar a época em que foram criados.
Para já, seis painelinhos. À experiência e até ver o que faço com eles.
FIGURATIVOS
Um dos mais gritantes aspectos do mau estado de conservação do painel de azulejos da autoria de Júlio Pomar e Alice Jorge, na Av. Infante Santo, em Lisboa, era a existência de grandes lacunas integrais principalmente nas zonas figurativas ali representadas.
A visível degradação do suporte devido a problemas estruturais, com argamassas de reboco e assentamento bastante envelhecidas, foram, entre outras, algumas das causas para a perda irremediável dos azulejos originais; mas se no diagnóstico do estado de conservação do painel, executado antes da intervenção de restauro, constava que os azulejos se encontravam em risco de destacamento da superfície de suporte, a verdade é que, aliado a este facto que também acontecia, muitos deles foram “caindo” estratégica e curiosamente apenas nas zonas figurativas – que por si só poderiam formar pequenos painéis independentes.
A segunda fase da manufactura das réplicas para este painel, depois da produção quase em série das 650 unidades de padronagem, foi então a da pesquisa, reconstituição, elaboração de desenhos, procura de cores, abertura de muitas, muitas máscaras, pintura e enforna de cerca de mais 150 azulejos que finalmente devolvessem as personagens desaparecidas ao painel e também a sua integridade inicial. E aí o trabalho foi bastante mais moroso.
Mais informação e fotos na página da Tardoz no facebook.
PADRONAGEM MODERNISTA
Dos 800 azulejos que tive de executar para o painel do Júlio Pomar e da Alice Jorge, na Av. Infante Santo, em Lisboa, cerca de 650 unidades foram para colmatar as lacunas existentes na padronagem que forma todo o fundo do painel e sobre a qual aparecem, então, as figuras soltas, representativas da vida quotidiana da Lisboa de então.
A padronagem existente é composta por azulejos de tipologias diferentes, que se repetem e conjugam formando módulos distintos e o número de azulejos a replicar variou consoante cada tipologia, de acordo com as necessidades dos originais em falta ou em avançado mau estado de conservação.
O maior problema – como sempre – foi o da afinação das cores; nenhuma delas era lisa e directa, mas sim uma mistura de tons dada pela sobreposição de vidrados, técnica muito querida pelos ceramistas modernistas, mas que eu pouco dominava, habituada como estava aos óxidos e tintas de alto fogo comuns da azularia tradicional dos séculos anteriores.
Começou assim a saga das experiências de vidrados; primeiro em busca dos tons lisos, opacos e transparentes; depois sobrepondo uns com os outros, opacos por baixo e transparentes por cima e vice-versa, que os resultados são diferentes. E ainda a recriação do mesmo efeito esponjado que os vidrados originais tinham; com esponja, ora bem, mas com qual esponja, mais miúdinha, menos miúdinha, e o efeito, mais aberto ou mais fechado? E fazê-lo vezes sem conta, sempre igual?
Finalmente e depois de tempo a mais do que o que eu tinha previsto, consegui que me aprovassem as cores todas – diga-se em abono da verdade, que os próprios originais variavam muitíssimo entre si e estávamos a ser mais papistas do que o papa. E depois de abrir as estampilhas necessárias a cada tipologia, pude por fim começar a produção em série dos azulejos, tentando executar manualmente os mesmos gestos e procedimentos sempre da mesma forma, 650 vezes, sobrepondo cores sobre cores, até estarem todos prontos para irem para a parede.
DESFASAMENTO TEMPORAL
Faz agora um ano andava eu sem mãos a medir, ocupada com a produção de quase 800 réplicas de azulejos que colmatassem as lacunas e substituíssem os originais em muito mau estado de conservação, do painel modernista de 1958, da autoria de Júlio Pomar e Alice Jorge, existente na Av. Infante Santo, em Lisboa.
A minha história com esse painel foi curiosa e até já a contei aqui – primeiro fui convidada pela CML a orçamentar uma intervenção de conservação e restauro dos azulejos que não contemplasse a manufactura de réplicas; dois anos depois fui convidada pela equipa que iria então fazer essa mesma intervenção de conservação e restauro dos azulejos para orçamentar apenas a manufactura das réplicas – e ganhei o orçamento.
O trabalho foi bastante moroso, quatro meses ou mais e durante esse período pediram-me que não o fosse divulgando aqui, como tenho o hábito de ir fazendo. Mas como já passou mais de meio ano sobre a conclusão de toda a intervenção de conservação e restauro dos azulejos, tenciono agora e nos próximos tempos escrever artigos vários que venham a ilustrar todo o processo de manufactura das cerca de 800 réplicas que tive de fazer e que contribuíram para devolver a integridade original do painel.
CINTRA
Saiu ontem do forno o painel de azulejos que tenho andado a fazer já há alguns meses, durante as horas vagas, entre este e aquele trabalho mais institucional. Trata-se da encomenda de uma réplica de um painel de azulejos, ao meu critério, com cerca de 42x56cm, que me foi feita (há que tempos!) para uma casa de praia na zona de Sintra.
Em vez de uma réplica de um painel, resolvi trabalhar numa idéia que já tinha tido há muito tempo e pegando nalguns motivos soltos retirados da azulejaria tradicional portuguesa ao longo dos séculos, adaptei-os a chacotas manuais de diferentes tamanhos e fiz uma composição de réplicas – uma espécie de patchwork -, montando um painel com as dimensões pretendidas, numa composição que decidi ter por tema a Serra de Sintra.
Assim sendo, cercaduras, padronagens pombalinas, figuras avulso e motivos figurativos vários, saídos dos séculos XVII e XVIII aludem à fauna, à flora, ao mar, ao Monte da Lua e à Nossa Senhora da Praia. A Cintra.
Séc. XVIII
Em paralelo com as réplicas dos azulejos relevados que fiz para o Arco do Alhambra, estive também a pintar meia dúzia de azulejos que integrassem as lacunas existentes no grande conjunto azulejar do séc. XVIII – em obras de conservação e restauro – que reveste a parede da Sala D. Manuel, no Museu Nacional do Azulejo.
Saíram agora mesmo do forno; conto entregá-los para a semana que vem.
ARCO DO ALHAMBRA
Entreguei já todas as réplicas dos azulejos relevados que me encomendaram para o Arco do Alhambra – 10 “Parras”, 10 “Folhas de Videira”e 15 “Panóplias Militares” – que irão colmatar lacunas e substituir azulejos em franco mau estado de conservação existentes na superfície parietal.
A encomenda foi-me feita no início de Dezembro e ainda assim consegui fazê-la em tempo record, tendo em conta que para cada exemplar teve de ser modelado um protótipo inicial, fazer-se um molde e tirar-se mais do que o número de azulejos precisos; isto durante estes dois últimos meses em que a humidade e o frio aqui na oficina estiveram nos seus limites máximos e toda a secagem foi bastante complicada.
Depois foram as experiências de cor, inúmeros testes de vidrados base e tintas de alto fogo, receitas, referências e fornadas, que se foram acumulando aqui na bancada e que agora ainda tenho de inventariar. E a seguir vidrar e pintar cada um deles, com calma para o resultado ficar bem.
Anteontem entreguei as réplicas ao meu colega Ivo, que tem estado a fazer o restauro de todo o conjunto azulejar e que as vai assentar na parede – uma semana antes do prazo que eu tinha previsto, pois assim mo pediram de repente. Não fiquei totalmente segura quanto aos verdes, estava ainda a tirar conclusões quanto ao tom, à consistência da tinta e à temperatura de cozedura; ainda me faltou mais um passo, que já não tive tempo de o fazer. De qualquer modo os verdes originais variam bastante de tonalidades; basta pensar que uma produção daquela quantidade era cozida em fornos a lenha e sujeita a diferentes temperaturas entre si.
Estou curiosa para ver o resultado.



















