PANÓPLIAS MILITARES

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Ontem deixei vidrados e arranjados os azulejos das Panóplias Militares, os quinze que faltavam para acabar o conjunto de réplicas que tenho de fazer para a Pena. Hoje percebi que subestimei o tempo que tinha previsto para a pintura e demorei mais do que estava à espera com cada um deles; queria a todo o custo fazer uma cozedura ainda esta noite, mas deparei-me com muitos pormenores e tintas e pincéis diferentes, que não tinha ainda reparado com tanta atenção.

Com alguma calma, resolvi que pintava o que conseguisse; no limite, a fornada podia fazer-se amanhã. Ainda assim, terminei os dezasseis que precisava – um a mais e ainda é pouco, que nestas coisas não vá o diabo tecê-las.

De qualquer modo acho-os feiosos e não me parece que, sem necessidade, os vá voltar a fazer outra vez.

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Recta final

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Entrei na recta final da manufactura das réplicas para o Arco do Alhambra, no Palácio da Pena. Depois de fazer inúmeras experiências de cores de vidrados e tintas, tive de me forçar a decidir por algumas delas e arriscar-me a vidrar e pintar alguns azulejos, não fosse ficar aqui ad aeternum em busca de um tom que agora é um bocadinho mais verde limão e depois leva mais 0,3% de M702 e afinal também ainda mais um grama de manganês; mas diluído em 15ml e não em 30, como tinha feito antes – felizmente o prazo de entrega foi antecipado e de repente fiquei com cerca de uma semana a menos do que aquilo que eu estava a contar.

Estive então a vidrar as chacotas das parras e das videiras. Aparentemente este processo não é assim tão linear como aquele a que eu estou habituada; uma vez que não se tratam de azulejos lisos, tive alguma dificuldade em perceber qual a espessura ideal do vidrado a aplicar – se mais fino, comportando-se melhor nas zonas relevadas mas ficando careca sobre o fundo; se mais espesso, cobrindo perfeitamente o fundo, mas com o risco de ficar com demasiada camada na zona do relevo, o que poderá traduzir-se em abertura de gretas ou fendilhamento das cores aquando da cozedura.

Agora falta a pintura. Amanhã, se tudo correr bem, ficam os 20 prontos a irem para o forno. E depois só faltam as Panóplias Militares – que têm cores completamente diferentes destes.

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SECOS

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Entrei neste ano de 2015 com algum trabalho entre mãos, o qual me tem mantido bastante ocupada nestes últimos tempos. Tive uma encomenda de réplicas de três azulejos relevados diferentes – Parra com cacho de uvas, Videiras e Panóplias militares -, que já tinha falado aqui e aqui, num total de trinta e cinco unidades. Apesar da pouca quantidade de cada tipologia, a fase inicial inicial é sempre a mesma, trabalhosa e minuciosa – modelar um protótipo à vista e depois fazer um molde. A partir desse molde consigo tirar o número de unidades que preciso, neste caso dez ou quinze de cada, mas que poderiam até ser mil.

Neste momento e depois de penar com tanto frio e humidade no ar, tenho finalmente todos os azulejos secos e prontos para serem enchacotados. E depois é passar à segunda fase, a dos vidrados e tintas, a qual, confesso, me deixa sempre ligeiramente angustiada.

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RELEVO

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Dei por terminada a modelação do protótipo do azulejo relevado com a parra e o cacho de uvas.

É difícil parar; há sempre mais um retoquezinho a fazer e mais um pormenor a melhorar e mais qualquer coisa que ainda não está bem e o tornilho gira no seu eixo, sempre às voltas sobre si mesmo; infinitamente para a esquerda e para a direita, de modo a podermos trabalhar todos os ângulos de todos os ângulos, sem sairmos de mesmo lugar. Às vezes penso que nalguma altura deveria aparecer alguém aqui que me dissesse pára, pá, que isso já está mais do que bom!, mas não aparece ninguém e assim continuo a girar o tornilho de um lado para o outro, à procura de algo mais para fazer; os óculos  na ponta do nariz e uma bolinha de barro pequenina na mão.

Dei por terminada a modelação deste protótipo; lá me lembrei que ainda tenho mais outros dois para começar. E pensando que as dez réplicas que preciso fazer vão estar misturadas entre não sei quantos azulejos originais a não sei quantos metros de altura, se calhar não deverei estar assim tão preocupada com os detalhes do relevo – assim consiga as cores das tintas e dos vidrados.

RETRACÇÃO

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Recebi uma nova encomenda de manufactura de réplicas – desta vez três tipos de azulejos relevados que colmatem as lacunas existentes no revestimento do Arco do Alhambra, no Palácio da Pena.

À primeira vista pareceria óbvio e simples fazerem-se réplicas de azulejos deste tipo – tirava-se o molde do relevo e pronto -, não fosse termos de contar com a retracção do barro durante a secagem e a cozedura ou arriscar-nos-íamos a ter no final uma série de azulejos muito parecidos com os originais, mas consideravelmente mais pequenos – o que não convém nada quando se trata de os integrar na parede.

Assim sendo, não nos restam muito mais alternativas senão sabermos a percentagem da retracção do barro que vamos utilizar e calcularmos com que tamanho devemos modelar o protótipo do azulejo que servirá de base à manufactura das réplicas necessárias.

Foi o que comecei agora a fazer.

CHÃO

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Estão prontos os azulejos para o chão da Capela Manuelina, em Sintra. Por mais experiência que tenha, há sempre algumas questões de trabalho que me continuam a escapar e que não contemplo em orçamento – nunca tinha feito chacotas tão grossas, 15x15x2cm e desta vez não me lembrei que poderia vir a ter problemas para as enfornar na cozedura de vidrados; as gazetes existentes no mercado são feitas para chacotas muito mais finas, para 1cm de espessura no máximo. Como sou engenhocas, acabei por conseguir contornar o problema, mas depois percebi que só conseguia enfornar 24 azulejos de cada vez, metade daquilo que tinha previsto inicialmente. Enfim; esta para a próxima não me vou esquecer. (E acabo de me lembrar agora mesmo, tarde demais, que teria sido giro se em vez de gazetes tivesse usado trempes para empilhar os azulejos dentro do forno – aliás, não era assim que se enfornava no séc. XVI? )

Hoje fui à Pena entregar todas as réplicas que me pediram – estes azulejos para o chão, os relevados com a estrela para o altar e ainda as cantoneiras verdes. Ficaram bem; vim de lá satisfeita, com um sorriso nos lábios e o Sol a bater-me na cara ao longo da IC19.

ESCACILHADAS E ENCHACOTADAS

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Estão terminados os azulejos que fiz para uma capela Manuelina, em Sintra e que irão colmatar cerca de vinte lacunas integrais existentes no altar. Pediram-me que entregasse as réplicas apenas em chacota, uma vez que os originais do séc XVI se encontram com inúmeras falhas de vidrado e também com zonas em que este se encontra já muito gasto – e pareceu-me correcto.  E cá estão elas, devidamente escacilhadas e enchacotadas.

ESTRELA

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Estive a modelar e a moldar um protótipo para executar apenas 22 réplicas deste azulejo maravilhoso do séc. XVI, com uma estrela relevada e 8,6×8,6cm e 2cm de espessura – tão simples e tão lindo! Tenho muita sorte por peças destas me passarem pelas mãos e mais ainda por alguém estar disposto a pagar-me para eu ter este privilégio e fazer o que gosto. Foram-me pedidas apenas as chacotas, uma vez que os originais se encontram com inúmeras falhas de vidrado, as quais possivelmente irão apenas ser consolidadas, mas não sei se resisto a não vidrar e pintar uma delas.

SÉC. XVI

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Estou bastante satisfeita: a semana passada foi-me adjudicado um trabalho de manufactura de réplicas de azulejos – lindos! – do séc. XVI, para uma Capela Manuelina; o que resta de um antigo convento em Sintra. Como sempre, o tempo não é muito e pedem-me urgência na entrega das réplicas; mas contra factos, não há argumentos: os azulejos maiores, 60 unidades de 15x15cm, têm 2cm de espessura, o que até não é muito se pensarmos que as cantoneiras, de 25cm de comprimento, têm 3. De modo que, só na secagem, prevejo umas três semanas pelo menos e isto esperando que o tempo se mantenha ameno. Para já, grande azáfama aqui na oficina, na produção de chacotas – as mais grossas que já fiz.

IMPERFEITOS

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Terminei já há algum tempo as réplicas dos azulejos da Fábrica das Devesas que me pediram para fazer de modo a colmatar as lacunas de dez frisos de um prédio na Rua da Saudade, em Lisboa. Não fiquei propriamente satisfeita com os resultados: devido a situações várias, não tinha todo o tempo do mundo para me dedicar a este trabalho e tive de geri-lo entre inúmeras outras coisas para fazer, com a agravante de haver uma certa urgência na sua entrega, para assentamento – felizmente o mau tempo deu-me alguma margem de manobra, atrasando a obra.

O primeiro problema com que me deparei foram as estampilhas – demasiado pequenas e delicadas, tive de abrir mais do que as que estava à espera; enganei-me várias vezes, perdi tempo e material e cheguei a irritar-me com aquilo. Pergunto-me como é que eles as fariam na época, mas com certeza que seria da mesma maneira – muita paciência, uma tesourinha e boa vista. Depois, o azul. Os azulejos originais apresentavam um tom liso, sem marcas de trincha; parecia-me um decalque, ou qualquer coisa do género. Fiz algumas experiências de cor e tentei criar o mesmo efeito, com uma pequena esponja – o azul,  aplicado um pouco mais espesso e mesmo com fundente, acabava por borbulhar e aplicado com a trincha, não tão forte, apresentava um efeito mais aguado e translúcido.

Depois o meu forno avariou, a meio de uma cozedura – podia acontecer em qualquer altura, mas não.

Soube que os azulejos originais, datados de 1910, não constam do catálogo de então, com a mesma data. Ao que parece, terão sido uma encomenda especial para este prédio e porquê aqui para esta zona – coração de Lisboa – é ainda mais intrigante, uma vez que as Devesas forneciam, não só, mas principalmente o norte do país. Segundo fui informada, os azulejos que ainda estão nas paredes, tais como os meus, também não pautam pela perfeição: apresentam chacotas de má qualidade, defeitos de fabrico no vidrado e defeitos de pintura, sobretudo nos azuis – “não há dois iguais”.

O que, apesar de não me alegrar, lá me tranquilizou.