TODOS DE PARABÉNS!

Rendeu bem esta primeira semana de trabalho lá no 88: cerca de 2800 azulejos tirados da parede – 5º e 4º piso despachados e 3º quase, quase!-, aproximadamente 1000 limpos de argamassas e vários silhares do 3º piso limpos da tinta que os cobria integralmente. A minha equipa está de parabéns! Neste momento já temos armazenados todos os painéis que não vão voltar para a parede, o que nos vai permitir a substituição de muitos azulejos que estavam em mau estado de conservação, com fracturas múltiplas e algumas lacunas e ganhar algum tempo com tarefas posteriores, que assim já não fazem sentido: colagem de fragmentos, preenchimento e nivelamento de pequenas lacunas e falhas de vidrado e integração cromática.

E agora, fim-de-semana, para toda a gente arejar a cabeça!

IDEIA PEREGRINA

Mas quem é que terá tido esta ideia peregrina de pintar integralmente os silhares de azulejos do 3º piso lá do 88? E depois, não é uma camadinha simples de tinta, não; são pelo menos duas camadas de tinta, às vezes com cores diferentes, que a moda vai mudando e este tom já não se usa, sobre uma primeira camada de sub-capa ou aparelho ou lá como é que aquilo se chama e que serve para a tinta aderir melhor às superfícies vidradas e não saltar. Obrigadinha! Nalguns casos a tinta não salta, nem sai com nada, bem podemos usar o bisturi com uma lâmina novinha em folha que nos esfalfamos só para abrir uma janelinha mínima naquela crosta de meio centímetro! Enfim, mais um problema para a brigada do restauro resolver…

ARRANQUE OFICIAL

Começou hoje em grande e oficialmente a intervenção de conservação e restauro dos azulejos do nº 88. Somos uma equipa de sete pessoas e agora é que a coisa vai mesmo! Hoje ficámos distribuídos entre o levantamento dos azulejos do quarto piso, que já está quase terminado e o tratar de remover a tinta que cobre integralmente metade dos azulejos do terceiro piso. Eu andei um pouco por todo o lado, entre os «Isabeeel!» vindos de cima e os «Isabeeel! Onde é que estás?» vindos de baixo, numa tentativa de coordenar aquilo tudo em primeiro dia de trabalho. Mas as coisas correram muito bem e estou satisfeita com toda a gente, que afincadamente já deu um bom avanço  na obra. E aqui incluo-me a mim também, que  depois de sair de lá ainda vim aqui à oficina ao fim da tarde para enfornar as minhas pecinhas novas.

TEMPO LIVRE

Esta semana não vou para o 88. Isto é, não vou trabalhar para lá, apesar de ainda não ter parado de tratar de assuntos que têm a ver com a obra de restauro dos azulejos e que ainda vão continuar: comprar e descarregar materiais, encomendar caixas de cartão, fazer seguros e marcar consultas de medicina do trabalho para toda a equipa (esta não estava à espera!), ir à segurança social, mandar mails, receber mails e telefonemas, telefonemas e mais telefonemas. No meio disto tudo, o mais engraçado foi ter pensado que iria ter este tempo livre aqui na oficina para fazer mais umas peças da minha pequena produção cerâmica e que estava tão lançada. Hoje lá consegui vidrar e pintar as novas placas relevadas que fiz para a série «É o mar que nos chama», que ainda estão em fase experimental, mas que estou ansiosa para ver como ficam.

A PRIMEIRA SEMANA

Estou muito cansada! Esta semana foi bastante dura e tenho o corpo bastante moído. Bem sei que ainda não recuperei da forte constipação que tive a semana passada, mas estas dores no corpo, principalmente nas costas e nas pernas, têm a ver principalmente com  o subir e descer milhares de vezes escadas até ao 5º andar, carregada de caixotes com azulejos e também de ter passado a maior parte da semana de cócoras ou de joelhos – logo eu, que nem sou do género de fazer promessas e muito menos de cumpri-las desta forma. Para além de que não paro de pensar nisto, claro; mas estou satisfeita, está tudo organizado para poder arrancar em força com a minha equipa no dia 21:  fiz fichas de trabalho para levantamento, limpeza e armazenamento dos azulejos; analisei as plantas de todos os andares e já sei o que é que vai acontecer especificamente  com cada painel. Já está tudo marcado em cada piso e hoje ainda consegui fazer e colar quatrocentas  e cinquenta etiquetas, todas à mãozinha, para uma série de painéis do 4º andar que depois é só chegar e levantar da parede. E pronto. Agora vou aqui cair pró lado…

5º PISO

Já despachei o levantamento de todos os azulejos do 5º piso e também de dois painéis do 4º. Estou com problemas com as fiadas de rodapé, os azulejos estão metidos quase dois centímetros para dentro do soalho e muitos deles encontram-se já fracturados ainda na parede, devido à dilatação da madeira, que está mesmo encostada às superfícies vidradas, o que torna a remoção dos azulejos bastante mais complicada e morosa. O empreiteiro prometeu-me que lá iria alguém com uma rectificadora cortar um pouco do soalho, de modo a aliviar a superfície do rodapé, mas há dois dias que espero e nada. Hoje tive a bela surpresa de encontrar alguns azulejos colocados com cimento – já estava a estranhar! – mas parece-me que estão só limitados àquela zona e pertencem a dois painéis que não irão voltar para a parede, o que é bom. No entanto, vou passar para a frente e deixá-los para o Loubet e para o Ivo… Eheheh! Eles gostam!

CARNAVAL?

Não, não estou mascarada de trolha, hoje iniciei o trabalho de conservação e restauro do conjunto azulejar do prédio nº 88! Lá fui sózinha e correu tudo muito bem! Comecei pelo quinto piso e a ideia é vir de cima para baixo e desimpedindo cada andar para se fazerem as obras de construção civil que estão previstas já sem os azulejos na parede. Hoje estive a verificar as plantas do prédio todo e também as referências dos paineis,  piso a piso, sala a sala e ainda a posição de cada painel dentro de cada sala. Tem de bater tudo certo e ser tudo muito organizadinho, para depois não haver confusão quando os azulejos tiverem de voltar para a parede. Depois de etiquetar todos os azulejos  do 5º andar, segundo a marcação pré-definida, ainda consegui tirar da parede uns noventa, o que está muito bem para trabalho de uma tarde. As argamassas são brandas, o que é um alívio e as juntas também não são complicadas. Portanto, nesta fase, só faltam levantar cerca de 6200 azulejos, ou seja, praticamente  nada…

CAIXA DE FERRAMENTAS

Comprei uma caixa de ferramentas nova. Tem dois andares, uma prateleira móvel e rodas para se poder transportar sem grande esforço. Não será o supra-sumo das caixas de ferramentas, qualquer outra de marca conhecida era duas ou três vezes mais cara, portanto, presumo que melhor; mas para já cumpre a sua função e espero que dure um bom tempo – pelo menos quatro meses, o prazo previsto para este trabalho. Já lá estão guardados os escopros, os martelos, o maço de borracha e as espátulas e também os frascos com Paraloid B72 já preparado e os da acetona e do álcool também. E ainda coisas várias como trinchas, óculos de protecção, extensões eléctricas, cabos de bisturi, escovas… Estou muito contente com esta nova aquisição; pormenores como este, tão simples e sem importância nenhuma deixam-me bastante satisfeita!

MATERIAL E FERRAMENTA

Tenho andado a preparar tudo para começar o trabalho de conservação e restauro dos azulejos de um prédio na Baixa Lisboeta. Hoje comecei a juntar algum material e ferramenta que já existe aqui na oficina, mas segundo a minha lista, ainda falta muita coisa que vou ter de comprar. Já me fartei de fazer pedidos de orçamentos a várias empresas, estou uma verdadeira mulher de negócios – quem diria! Preciso ainda de fazer umas fichas de trabalho e também uns mapas de presenças da equipa que vai trabalhar comigo; o orçamento tem um limite e a coisa tem de ser bem organizada, para que toda a gente possa ganhar algum dinheiro, mas sem que haja nenhuma derrapagem final, que isto não é o estado. Amanhã quero ir descarregar o máximo possível de coisas lá no prédio e se tudo correr bem, na próxima segunda-feira, mãos à obra!

ADJUDICADO

Foi-me adjudicado o trabalho do nº88! São cerca de 6300 azulejos para tratamento de conservação e restauro – levantamento, tratamento e reassentamento na parede. A coisa começa bem, eles querem que o trabalho inicie para a semana que vem, quando eu previa começar apenas no fim de março. De repente tenho imensas coisas para tratar à pressa e eu nisto gosto de ter alguma calma, para não meter os pés pelas mãos. E claro, o meu trabalho de cerâmica aqui na oficina, que ía tão bem lançado, agora vai ter de ficar para segundo plano por uns tempos, mas pelo menos é por uma boa causa… Enfim, tudo se há-de arranjar.