ARRANQUE OFICIAL

Começou hoje em grande e oficialmente a intervenção de conservação e restauro dos azulejos do nº 88. Somos uma equipa de sete pessoas e agora é que a coisa vai mesmo! Hoje ficámos distribuídos entre o levantamento dos azulejos do quarto piso, que já está quase terminado e o tratar de remover a tinta que cobre integralmente metade dos azulejos do terceiro piso. Eu andei um pouco por todo o lado, entre os «Isabeeel!» vindos de cima e os «Isabeeel! Onde é que estás?» vindos de baixo, numa tentativa de coordenar aquilo tudo em primeiro dia de trabalho. Mas as coisas correram muito bem e estou satisfeita com toda a gente, que afincadamente já deu um bom avanço  na obra. E aqui incluo-me a mim também, que  depois de sair de lá ainda vim aqui à oficina ao fim da tarde para enfornar as minhas pecinhas novas.

DUAS MÃOZINHAS

Não tem sido fácil conjugar o início do trabalho de restauro dos azulejos do prédio nº 88 com as minhas peças; o tempo aqui na oficina tem sido pouco e sempre a ser interrompido. No dia 26 vou participar numa feirinha na Biblioteca Camões e quero levar algum material, claro; não que conte vender muito, mas pelo menos para mostrar o trabalho e dar cartões. Hoje fiz duas mãozinhas, para o pequeno conjunto das pregadeiras em faiança – acho-lhes uma certa piada. São duas mãozinhas direitas, o que me dava imenso jeito aqui para trabalhar, mas estas, por enquanto ainda não fazem nada, estão só à espera de irem para o forno.

TEMPO LIVRE

Esta semana não vou para o 88. Isto é, não vou trabalhar para lá, apesar de ainda não ter parado de tratar de assuntos que têm a ver com a obra de restauro dos azulejos e que ainda vão continuar: comprar e descarregar materiais, encomendar caixas de cartão, fazer seguros e marcar consultas de medicina do trabalho para toda a equipa (esta não estava à espera!), ir à segurança social, mandar mails, receber mails e telefonemas, telefonemas e mais telefonemas. No meio disto tudo, o mais engraçado foi ter pensado que iria ter este tempo livre aqui na oficina para fazer mais umas peças da minha pequena produção cerâmica e que estava tão lançada. Hoje lá consegui vidrar e pintar as novas placas relevadas que fiz para a série «É o mar que nos chama», que ainda estão em fase experimental, mas que estou ansiosa para ver como ficam.

A PRIMEIRA SEMANA

Estou muito cansada! Esta semana foi bastante dura e tenho o corpo bastante moído. Bem sei que ainda não recuperei da forte constipação que tive a semana passada, mas estas dores no corpo, principalmente nas costas e nas pernas, têm a ver principalmente com  o subir e descer milhares de vezes escadas até ao 5º andar, carregada de caixotes com azulejos e também de ter passado a maior parte da semana de cócoras ou de joelhos – logo eu, que nem sou do género de fazer promessas e muito menos de cumpri-las desta forma. Para além de que não paro de pensar nisto, claro; mas estou satisfeita, está tudo organizado para poder arrancar em força com a minha equipa no dia 21:  fiz fichas de trabalho para levantamento, limpeza e armazenamento dos azulejos; analisei as plantas de todos os andares e já sei o que é que vai acontecer especificamente  com cada painel. Já está tudo marcado em cada piso e hoje ainda consegui fazer e colar quatrocentas  e cinquenta etiquetas, todas à mãozinha, para uma série de painéis do 4º andar que depois é só chegar e levantar da parede. E pronto. Agora vou aqui cair pró lado…

5º PISO

Já despachei o levantamento de todos os azulejos do 5º piso e também de dois painéis do 4º. Estou com problemas com as fiadas de rodapé, os azulejos estão metidos quase dois centímetros para dentro do soalho e muitos deles encontram-se já fracturados ainda na parede, devido à dilatação da madeira, que está mesmo encostada às superfícies vidradas, o que torna a remoção dos azulejos bastante mais complicada e morosa. O empreiteiro prometeu-me que lá iria alguém com uma rectificadora cortar um pouco do soalho, de modo a aliviar a superfície do rodapé, mas há dois dias que espero e nada. Hoje tive a bela surpresa de encontrar alguns azulejos colocados com cimento – já estava a estranhar! – mas parece-me que estão só limitados àquela zona e pertencem a dois painéis que não irão voltar para a parede, o que é bom. No entanto, vou passar para a frente e deixá-los para o Loubet e para o Ivo… Eheheh! Eles gostam!

CARNAVAL?

Não, não estou mascarada de trolha, hoje iniciei o trabalho de conservação e restauro do conjunto azulejar do prédio nº 88! Lá fui sózinha e correu tudo muito bem! Comecei pelo quinto piso e a ideia é vir de cima para baixo e desimpedindo cada andar para se fazerem as obras de construção civil que estão previstas já sem os azulejos na parede. Hoje estive a verificar as plantas do prédio todo e também as referências dos paineis,  piso a piso, sala a sala e ainda a posição de cada painel dentro de cada sala. Tem de bater tudo certo e ser tudo muito organizadinho, para depois não haver confusão quando os azulejos tiverem de voltar para a parede. Depois de etiquetar todos os azulejos  do 5º andar, segundo a marcação pré-definida, ainda consegui tirar da parede uns noventa, o que está muito bem para trabalho de uma tarde. As argamassas são brandas, o que é um alívio e as juntas também não são complicadas. Portanto, nesta fase, só faltam levantar cerca de 6200 azulejos, ou seja, praticamente  nada…

MATERIAL E FERRAMENTA

Tenho andado a preparar tudo para começar o trabalho de conservação e restauro dos azulejos de um prédio na Baixa Lisboeta. Hoje comecei a juntar algum material e ferramenta que já existe aqui na oficina, mas segundo a minha lista, ainda falta muita coisa que vou ter de comprar. Já me fartei de fazer pedidos de orçamentos a várias empresas, estou uma verdadeira mulher de negócios – quem diria! Preciso ainda de fazer umas fichas de trabalho e também uns mapas de presenças da equipa que vai trabalhar comigo; o orçamento tem um limite e a coisa tem de ser bem organizada, para que toda a gente possa ganhar algum dinheiro, mas sem que haja nenhuma derrapagem final, que isto não é o estado. Amanhã quero ir descarregar o máximo possível de coisas lá no prédio e se tudo correr bem, na próxima segunda-feira, mãos à obra!

ADJUDICADO

Foi-me adjudicado o trabalho do nº88! São cerca de 6300 azulejos para tratamento de conservação e restauro – levantamento, tratamento e reassentamento na parede. A coisa começa bem, eles querem que o trabalho inicie para a semana que vem, quando eu previa começar apenas no fim de março. De repente tenho imensas coisas para tratar à pressa e eu nisto gosto de ter alguma calma, para não meter os pés pelas mãos. E claro, o meu trabalho de cerâmica aqui na oficina, que ía tão bem lançado, agora vai ter de ficar para segundo plano por uns tempos, mas pelo menos é por uma boa causa… Enfim, tudo se há-de arranjar.

Nº 88

Após mais de dois anos de espera depois da entrega de um orçamento complexo, pelo qual nem sequer recebi acuso recepção, obrigado; fui há pouco tempo contactada por uma empresa que vai pegar em toda a obra de remodelação de um prédio na Baixa Pombalina. Todo o orçamento relativo a trabalhos de conservação e restauro dos azulejos existentes em quatro pisos tem de ser revisto para se começar a obra em breve. Se o nosso orçamento for adjudicado, supostamente eu, o Loubet e o Ivo, o núcleo duro aqui da oficina, vai ter de levantar das paredes cerca de seis mil e tal azulejos, para posterior tratamento e reassentamento. Como eles agora estão no Pinhão, a 300 Km daqui, com um trabalho que ainda vai demorar mais dois ou três meses, isto vai ter de haver aqui muita ginástica e jogo de cintura. E ainda vamos ter de arranjar uma equipa, claro… Bom, nada que não tenhamos já bastante experiência; não é a primeira vez que somos responsáveis por trabalhos grandes e também já tivemos de desmultiplicar-nos antes, com duas obras ao mesmo tempo. E com organização, a coisa vai.

INEVITÁVEL

Estou a acabar os protótipos das minhas duas placas relevadas novas, para a série «É o mar que nos chama», baseadas em azulejos de figuras-avulso. Por mais que eu queira, é inevitável; a minha criatividade está demasiado formatada por 20 anos de azulejaria e às vezes libertar-me não é fácil – já ter feito algumas peças tridimensionais foi um princípio. Mas confesso que gosto de revestimentos murais, placas cerâmicas, de preferência de grandes dimensões e grossas, pesadas e a azulejaria tradicional portuguesa ainda continua a ser das poucas coisas que nos define como entidade, portanto, só tenho é de aproveitar toda a sua riqueza para a recriar e dar-lhe continuidade.